terça-feira, 16 de novembro de 2004

O "Big-Bang" de cada um de nós I

Lembrar-me-ei sempre, sem algum registo de todos os momentos que vão entre as 5 h da manhã e as 15h do dia 18 de Fevereiro de 2001. Mesmo que cada vez mais a memória seja uma espécie muito caprichosa, respondo pelo futuro: nunca me esquecerei. Talvez não saiba dizer o que aconteceu no mundo nesse dia. O meu mundo estava todo ele concentrado num acontecimento que haveria de trazer a alegria do "big-bang" para dentro do meu universo.

Lembro-me de acordar e ver a cara dela, muito calma, sorrindo, dizendo:
-Rebentaram-me as águas, Quim.

Voltei-me e fechei os olhos durante meia dúzia de segundos, era a sério, desta vez era a sério, há três semanas tinhamos tido um ameaço exactamente à mesma hora, depois de cinco horas passadas numa maca de hospital voltarámos para casa, desta vez a cama molhada, não há falsas águas, era a sério. Durante esses breves segundos, que a ela lhe pareceram uma eternidade, revi mentalmente todo aquele preciso e milimétrico check list que já tinhamos feito em conjunto. Vi cinco ou seis pontos, todos eles em branco. Abri os olhos, haveríamos de saber o que fazer. Dou um salto da cama e logo ali tenho o meu instante histérico, de excitação, alegria e histeria. Senti-me verdadeiramente incapaz para a tarefa que a Natureza me tinha destinado.

Ela, extraordinariamente calma, dirigiu-se para a casa de banho, ía tomar um duche e comer alguma coisa. Contra todas as indicações que tinhamos recebido. E aí eu percebi que ela sabia algo que não estava em nenhum livro de ilustrações sobre a arte de bem parir: que o momento da gravidez é um momento todo ele consagrado à mulher e que tudo o que ela faz para se sentir bem e capaz para o desafio que vai enfrentar pode fazer. De nada me valia recitar-lhe as encíclicas dos nossos livros santos destas últimas semanas, como os vários exemplares da Pais e Filhos espalhados pela casa, ela dizia-me invariavelmente:
- Não vou estar ali horas e horas e horas sem...

Ia chamar o taxi. Ela olhou para mim abanando a cabeça, ía cumprir a ameaça, que vergonha!, ía telefonar ao pai. "Se não tirares a carta, chamo o meu pai!". Não se pode discutir com uma mulher que tem de estar nas suas melhores condições para a festa, pensei, assumindo com tristeza a minha primeira ferida no meu orgulho de pai.

Veio o pai e a mãe, claro. Lembro-me de todos os momentos, das corridas hospital acima, hospital abaixo, do cheiro das paredes, do chão, das cores tristes, aquele recanto onde passamos as primeiras horas deste mistério é lúgubre, quase sinistro.

Eram umas sete horas quando ela subiu, eu só pude ir ter com ela já eram quase nove horas, estas duas horas estão-me gravadas na pele, entraria na mudança de turno, nunca percebi bem porquê, naqueles momentos estamos predispostos para nos concentrarmos totalmente no essencial, é por isso que eu sinto que os hospitais deveriam cuidar mais de perceberem isto, que quando os procuramos estamos tão frágeis como se fossemos chamados a dialogar directamente com a vida e a morte, sendo que em cada uma delas há a outra que espreita.

Das 9h às 14h estive continuamente ligado a ela. Limpando-a. Com uns panos horrorosos, porque não absorviam aquela langonha feita de água, excreções e sangue, uma matéria viscosa que escorregava dos trapos luzidios, tudo isso pode ser belo, disseram-me, confesso que me custou muito, entre isso e o resto agarrar na sua mão e respirar fundo, fazer os exercícios respiratórios adequados a cada momento, observar o ctg, observá-la a ela cada vez com mais dores e ainda com uma dilatação mínima.

Não sei como passou o tempo, só sei com que é que se passou. A minha vida era aquela cama, um aparelho onde tinha de observar os valores, os seus olhos que tinha de acarinhar e incentivar, estavam mortiços, doridos, a mão segura pela minha mão, e a respiração. Volta e meia as dores, as guinadas eram tão fortes que desistia de respirar. Era eu que lhe voltava a pegar no sopro e retomávamos as respirações, de acordo com aquilo que tinhamos aprendido para o período expulsório.

Olhei para o lado. Outra cama, outro homem, outra mulher. Havia de facto uma diferença, e a diferença vim a comprová-lo mais tarde, a partir da conversa com ele, tinha sido mesmo os sete meses anteriores, o tempo que tinhamos vivido nesse período.

Eu estava de rastos. As pernas tremiam-me. Tinha fome. Estava sem comer nada, rigorosamente nada, desde as cinco da manhã, só me lembrara disso já tinha a bata verde vestida. Curioso isso. Tantas e tantas vezes tinha de andar com uma bolacha no bolso porque a partir das três horas sem comer começava a sentir-me mal e agora, estava há nove horas sem comer nada, ali, pensei várias vezes que desfalecia, mas depois olhava para ela, ausentava-me de mim, era importante permanecer.

Às duas horas um concílio de sábios, ou de médicos, passou pela nossa cama e disse com nariz altivo perante os pedidos dela para que lhe fizessem a epidural. Antes de passarem umas duas ou três horas não será, não tem a dilatação necessária. Foi então tempo de sair para comer alguma coisa e fazer uma ronda telefónica pelas nossas principais capitais do nosso mundo. "está tudo bem, estou só a comer algo e vou voltar para dentro, quando houver fumo branco volto a telefonar".

Quando cheguei, passados vinte minutos, ao bloco onde ela estava, nem queria acreditar no que se tinha passado.

(Continua no próximo capitulo)

domingo, 14 de novembro de 2004

A vida que está dentro do tempo em que (realmente) vivemos

Vou finalmente corresponder ao simpático convite.

Fui pai tardio, tinha 38 anos. O que tem consequências complicadas, não irei sair com o meu filho como tantas vezes, aos vinte anos, imaginei, tem outras, benignas, como a da própria experiência nos encaminhar para uma valorização natural de todos os momentos que rodeiam o nascimento de um filho.
Comecei a ser pai numa noite de Santo António em que a mãe do meu filho me ofereceu um manjerico em cujo verso estava escrita a notícia feliz, mas só um mês e pouco mais tarde, na primeira ecografia vaginal, ouvi pela primeira vez o bater do coração do meu filho.
Começou aí um percurso que me levou a diferentes sessões de preparação para o parto, que muitas vezes amigos me diziam ser um excesso porque nada disso era preciso, que os filhos sempre tiveram sem nada dessas modernices, que era só uma forma de gastar tempo e dinheiro.
É certo que toda a Natureza nos acompanha e nos ajuda no nascimento de uma criança. Vai-nos moldando o corpo, adaptando o espirito, leva-nos pela mão até ao grande momento. Não menos certo: valorizar a preparação e o acompanhamento do período pré-parto é não só, ao contrário do que à primeira vista muitas vezes pode parecer, uma desdramatização do momento do nascimento, e consequentemente da tensão que ele pode induzir, como é permitirmo-nos crescer enquanto pessoas. Só não digo que os sete meses de preparação para o nascimento do meu filho foram o tempo mais importante da minha vida porque quando se tem um filho em idade de crescer esse tempo está sempre por vir, mas foram seguramente o tempo onde eu aprendi a viver de uma forma que eu não conhecia. Que eu interiorizei o que é a vida de um modo que nunca me tinha sido revelado. Ainda hoje sinto em algumas reacções dele consequências dos longos tempos em que ouvimos música, poesia, que lhe toquei.
E a riqueza desse tempo chega-nos mais facilmente quando o partilhamos. É um tempo de um excesso de turbulência na comunicação. Abundam os inputs mágicos e não imediatamente decifráveis, nomeadamente os sinais que nos chegam do corpo do bébé, é também prolixa a nossa necessidade de falar àcerca daquilo que sentimos. É para mim positivo tudo o que reforce a nossa atenção para esse momento muito especial em que nos damos a uma das nossas funções vitais, aquela em que, sem o percebermos, voltamos a participar, e agora de uma forma activa, responsável, no mistério da vida que nos trouxe.

E isto é um pai a falar, claro, alguém que não tem senão a sua própria experiência para o guiar neste mundo delicioso do nascimento.

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Problemas inerentes ao parto induzido e cesariana

Podem navegar neste site da Mother friendly, onde encontram informação sobre riscos de uma cesariana, parto induzido, vantagens da amamentação e 10 perguntas para fazer ao (à) obstetra.

http://www.motherfriendly.org

Artigo revista Xis

A pedido de muitas famílias... aqui estão os links para o artigo publicado na Revista Xis, no passado dia 30 de Outubro. Muito obrigada à nossa querida Rosa pelo scan e criação dos links.

http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis1.jpg
http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis2.jpg

domingo, 7 de novembro de 2004

A nossa missão...

"Humanizar o nascimento significa compreender que a mulher que dá à luz, é um ser humano, não uma máquina e não apenas um contentor de fabrico de bebés. Mostrar às mulheres (metade da população humana) que são inferiores e inadequadas retirando-lhes o seu poder de dar à luz é uma tragédia para toda a sociedade. Por outro lado, respeitar a mulher como um importante e valioso ser humano e assegurar que a experiência de parto da mulher é gratificante e empoderadora não é apenas um "bónus" simpático, é absolutamente essencial pois torna mais forte a mulher e, consequentemente, mais forte a sociedade".
Marsden Wagner, MD (tradução de Carla Guiomar)
Artigo completo disponível em:
http://www.acegraphics.com.au/articles/wagner03.html

Doulas de Portugal na RTP2

Fomos convidadas para participar na gravação de um programa da RTP2, "Tudo em Família" sobre nutrição na gravidez e lactação.
O programa será emitido dia 2 de Dezembro às 14h na RTP2.

domingo, 31 de outubro de 2004

Revista Xis


Ontem, sábado, dia 30 deOutubro, saiu na revista Xis, uma reportagem sobre as doulas em Portugal. A reportagem feita pela jornalista Ana Gomes teve efeitos imediatos e fomos já contactadas por médicas e médicos querendo fazer parte do Movimento pela Humanização do Parto.
Queremos deixar aqui também o nosso agradecimento a todos os amigos, amigas, mulheres-mães que nos deram os parabéns pela reportagem...
Um muito obrigado em especial à jornalista Ana Gomes pela excelente peça que resultou da nossa conversa.
O Movimento pela Humanização do Parto caminha a passos largos, do sonho para a realidade.
Bem hajam todas vocês!

domingo, 24 de outubro de 2004

Ruptura prematura das membranas (bolsa das águas)

Conforme os muitos pedidos que temos tido, aqui vão alguns conselhos.

Numa ruptura das membranas antes das 38 semanas, o que deverão fazer é dirigirem-se ao hospital e pedir uma ecografia, e não um CTG. Isto porque na ecografia, podem, para além de ouvir o coração do bebé, ver o estado e a quantidade do líquido amniótico, ver o estado da placenta e perceber se há ou não sofrimento fetal. Em caso de sofrimento fetal (peçam sempre para confirmar duas ou três vezes!), e se não houver melhoras depois do descanso e "tratamento" hospitalar, é preferível uma cesariana de emergência a um parto induzido, pois este acaba por ser mais traumatizante para a mãe e o bebé, e não é isso que se deseja para um bebé já em sofrimento fetal...

Ruptura do saco do líquido amniótico depois das 38 semanas:
1º - Verificar a cor da água, que deverá ser clara, transparente ou dourada, com cor rosa ou raiada de sangue. Cor castanha, esverdeada ou mais escura é sinal de ir para o hospital;

2º - Contar os movimentos do bebé começando de manhã com o primeiro, e até chegar a 10 movimentos. Tomar nota deste registo e em caso de alteração/cessação de movimentos dirigir-se ao hospital (para ecografia);

3º - Nove em cada dez partos iniciam-se depois de 48h após a ruptura das membranas, por isso mesmo e se não há sinais de alarme, ficar em casa, descansar e lembrar-se que o líquido amniótico renova-se de 4 em 4 horas. Não terá nenhum parto "seco" como se diz erradamente.

A mãe deve sempre lembrar que o seu instinto, é o seu melhor aliado, e se estiver receosa, assustada ou insegura, deve seguir aquilo que lhe diz o coração.
Telefonar à doula, sempre que vos apeteça, ajuda a afastar receios e a esclarecer dúvidas.
A doula existe apenas porque as mães também existem!!
Obrigada pelas vossas questões e palavras de apoio.

O culto da medicação excessiva

A Carla encontrou este artigo interessante, que apesar de não aprofundar muito o tema, dá-nos que pensar. O endereço é:
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/...

Ah! Chá de camomila, bem diluido, 3 colheres das de café por dia, ajudam os bebés com cólicas!

sábado, 23 de outubro de 2004

Médico relaciona violência com Cesariana

In Folha de São Paulo, pelo Jornalista Rogério Wassermann

"Qual o futuro de uma sociedade na qual a maioria dos bebés nasce por cesariana? A pergunta é do obstetra francês Michel Odent, 73, que acaba de lançar o livro "The Cesarean" (a cesariana) no Reino Unido, onde vive. Pioneiro nos anos 70 da tese da humanização do parto e dos partos em piscina, para ele, bebés nascidos por cesariana podem desenvolver problemas físicos e psicológicos por não terem tido contacto com um cocktail de hormonas libertado pela mãe no parto natural.

Odent, (...) Não é contra as cesarianas. "O problema é que esquecemos completamente a finalidade do trabalho de parto". Comparando a alta taxa de cesarianas em São Paulo (cerca de 80%) à baixa incidência em Amesterdão (10%), na Holanda, ele relaciona a questão ao problema da violência urbana. "É possível andar à noite nas ruas de Amesterdão, mas seria suicídio fazer o mesmo em São Paulo", afirma ele no seu livro.

Mais em http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3450.shtml

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Parto Natural

Para quem se interessa sobre parto natural, parto em casa e outros assuntos deste género, mas não lê em inglês, encontrámos um site em espanhol, muito interessante, com artigos de especialistas, manuais de parto em casa e controvérsias hospitalares.
http://www.holistika.net/parto_natural.php

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Anemia na gravidez

Em muitos países, a quantidade de glóbulos vermelhos (concentração de hemoglobina) é rotineiramente analisada na gravidez. Há um mito enraízado de que estas análises podem detectar uma anemia na gravidez ou deficiência de ferro. De facto, estas análises não podem diagnosticar uma deficiência de ferro porque o volume de sangue na mulher durante a gravidez, é suposto aumentar drasticamente, de forma que a concentração de hemoglobina indica, e sempre primeiro, o grau de diluição do sangue, um efeito da actividade da placenta (a favor do bebé e que é uma característica fisiológica da gravidez).
Um estudo feito no Reino Unido com mais de 150.000 grávidas chegou à conclusão que os bebés com mais peso nasciam de mães cuja concentraçao de hemoglobina estava entre os 8.5 e os 9.5 (sendo que estas mulheres seriam consideradas anémicas pela prática médica comum, que considera um nível mínimo de 10).

Além do mais, quando a hemoglobina não baixa dos 10.5 há um risco acrescido de parto pré-termo, pré-eclampsia e bebés de baixo peso.

A consequência desastrosa da análise rotineira ao sangue, está em todas as mães a quem lhe é dito de forma enganosa, que estão anémicas e que precisam de suplementos de ferro.
Há uma tendência para esquecer os efeitos secundários do consumo de ferro (obstipação, diarreia, azia) e para esquecer que o ferro inibe a absorção de zinco, que é um factor muito importante no crescimento do bebé.
Para além disto, o ferro é uma substância oxidativa que pode exacerbar a produção de radicais livres e pode aumentar o risco de pré-eclampsia.

O que podemos fazer?

Na idade fértil a mulher que julga que pode engravidar, de uma forma planeada ou não, deveria tomar ácido fólico e suplementos de ferro. Mantê-los até os primeiros três meses de gestação e não voltar a ingerir ferro. Quando uma placenta dilui o sangue (aparece anemia nas análises) significa que a placenta está a funcionar na perfeição. Normalmente há um melhor resultado também no parto. Uma boa alimentação, variada e equilibrada tem todos os ingredientes que uma mãe necessita. O mesmo para os suplementos de vitaminas dados às mães. Não há provas científicas do seu benefício.
Mais em Michel Odent "The Caeserean".
Com autorização do autor.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Carta de uma mãe, o parto e as doulas

"Gente,
Eu nunca pensei direito no significado da palavra doula... na verdade, no meu começo aqui, achei que a doula era uma pessoa meio dispensável porque ela não sabia fazer um parto. Estou sem vergonha de dizer isso, porque confessar o tamanho da minha ignorância é a melhor forma de engrandecer o que tive aqui com as minhas amadas doula Luisa e Carla.

Eu vi a Luisa uma vez antes do meu parto, e a Carla eu fui conhecer na noite anterior. Era possível que algum laço de amor, afecto e amizade se formasse entre nós em tão pouco tempo?

Essa duas mulheres mostraram um amor incondicional a mim, ao meu bebé, ao meu marido e ao meu filho Caio. Elas vieram de mansinho... pisando devagarinho, para saber até onde poderiam ir ... Elas dirigiram cento e tal quilómetros, deixando em casa maridos, filhos e tudo o resto, para estarem comigo aqui de madrugada, me acalmando e me tranquilizando... elas se doaram a mim e à minha condição, sem pedir nada em troca... tudo e somente o que elas queria é que "desse certo".

Elas foram a minha mãe, minhas irmãs, as minhas amigas e mais um tanto de gente que ficou no Brasil.

Elas me fizeram sentir que eu era capaz, e que elas estariam comigo em qualquer decisão que eu tomasse. Elas podiam guiar o carro para o hospital, ou aparar o Enzo em suas próprias mãos, se a parteira não chegasse... era só eu pedir.

A Luisa, a minha doula oficial, deve ter um pé aqui e outro lá na comunidade dos anjos do céu... tem o olhar mais cheio de tranquilidade que eu já vi na vida. Se ser doula é um dom, ela certamente nasceu repleta dele. Espero que as mulheres dessa terra acordem logo para o parto humanizado e possam se permitir desfrutar desse amor que ela carraga... porque ela transborda carinho e atenção... ela é um presente dos deuses para essa turma de mães "escravizadas" pelo sistema. Foi um privilégio tê-la comigo!

A Carla minha doula e guardiã de meu tesouro Caio. Não fosse ela eu não tinha nem 1 cm de dilatação, fechava logo as pernas e impedia o Enzo de nascer... preocupada com o Caio que poderia estar assustado e ainda febril. Ela tem um sorriso doce e uma voz mansinha, que parece que canta para a gente dormir. Sabe aquelas mulheres delicadas que na verdade têm a força de uma leoa? Foi assim que eu a vi. E é dessa forma que me lembrarei dela por toda a minha vida!

Obviamente que eu descobri que é possível parir sem hospital e sem médico. E junto, descobri que parir tendo uma doula é essencial. Eu que tive duas (quatro, contando com as virtuais!), fui a mulher mais sortuda do mundo!!!

Luisa e Carla, estarei sempre aqui, com portas e braços abertos para toda a ocasião... eu nunca vou conseguir retribuir o bem que me fizeram.... mas saibam que agora a minha família também é suas. Fiquem por perto sempre que desejarem. E saibam que estar com vocês vai ser sempre uma forma de reviver o "nosso re-nascimento".

Um abraço forte, daqueles que a gente sente o coração da outra pessoa batendo!"

Waleska Nunes

Parto em casa depois de cesariana
Carta publicada com autorização da autora, a quem enviamos um abraço daqueles fortes...
Muito obrigada por nos deixarem participar desse vosso milagre
Luisa Condeço e Carla Guiomar

domingo, 17 de outubro de 2004

Terras de Café

E um especial agradecimento à Ana e à Paula das Terras de Café, pela vossa simpatia, amabilidade e carinho. Sem vós isto tinha sido muito difícil, já que nesta terra há uma grande aridez de coisas boas, como as que vocês nos presenteiam todos os dias.

Obrigada a todas!

Obrigada a todas que telefonaram ou escreveram, a perguntar pela entrevista! A entrevista com a jornalista da Revista Xis, correu muito bem e sairá provavelmente daqui a 15 dias. A jornalista Ana Gomes interessou-se bastante pela nossa causa e fez-nos sentir em casa. Um muito obrigada para ela também!

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

A Doula e o parto hospitalar

Quando se deseja um parto no hospital a doula acompanha sempre a mãe, desde o momento em que esta avisa a doula de que o parto se iniciou até duas horas depois do bebé ter nascido. A doula fica com a mãe em casa para se certificar que está tudo bem com mãe e bebé, acompanhando a mãe nas primeiras fases do parto. A doula protege a mãe de estímulos exteriores, criando um ambiente calmo, de pouca luz, de segurança e privacidade. Quando a mãe se aproxima da segunda fase do parto, a doula acompanha ambos os pais ao hospital e fica com eles. Normalmente apenas um acompanhante é permitido no hospital e muitas vezes a mãe pede para ficar com a doula.
Porque é que isto acontece?
O pai normalmente fica um pouco nervoso, o que é natural, pois ama a sua companheira e não sabe muito bem se é normal ou não tudo o que esta está a passar. A doula conhece por experiência o comportamento da parturiente e está calma, acalmando naturalmente a mãe. Diplomaticamente, a doula deve pedir ao pessoal hospitalar para mudar a mãe de posição, ou sugerir menos intervenções, indo munida de estudos científicos que comprovem os seus pedidos (ver artigo cesarianas e o CTG).
Cada hospital tem as suas regras e estas não costumam ser muito flexíveis. A doula só deverá deixar a mãe quando tem a certeza de que esta se encontra bem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

Como é possivel evitar uma episiotomia?

A melhor forma de evitar uma episiotomia é procurar em Portugal um hospital que não a faça rotineiramente. O que pode ser uma busca árdua. Mas é provável que se encontre.
Como evitar demasiada pressão no períneo para não rasgar?
Primeiro, não estar deitada, e muito menos de costas.
Segundo, esperar-se que o período expulsivo faça o seu trabalho.
Terceiro, umas compressas mornas aplicadas no períneo, fazem maravilhas, até no alívio daquele ardor típico de quando o bebé coroa.
Porque é que se rasga?
Porque normalmente não se tem paciência para esperar pelo bebé, e muito poucas vezes, raras até, porque o bebé é demasiado grande. A episiotomia deveria ser deixada para casos de emergência, já que não há evidências científicas que provem o seu benefício em todos os outros casos. Uma posição como a de cócoras ou de quatro (mãos e joelhos no chão) ajudam naturalmente à expulsão, sem pressão no períneo.
Paciência costuma resultar em muita coisa na vida. Esta é só mais uma. Já vi bebés com 4.900kg nascerem sem episiotomias nem rasgos!

terça-feira, 12 de outubro de 2004

Vejam lá este site brasileiro - episiotomias!

As episiotomias (corte vaginal feito para que o bebé posso nascer mais rapidamente) são feitas na maior parte dos hospitais em mães que dão à luz o seu primeiro filho. Não há evidências científicas que provem que a episiotomia melhore o resultado do parto, sendo a maioria das vezes, desnecessária. Vejam só o poder inventivo das brasileiras em: http://www.xoepisio.blogger.com.br

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Parabéns à Waleska

No dia 9 de Outubro às 22h e 45 minutos nasceu o Enzo, de um parto vaginal depois de cesariana, no conforto e segurança do lar. Um lindo menino, desperto e curioso, de uma mãe cheia de força que esteve sempre muito bem durante o looongo parto. Parabéns ao pai e ao irmão Caio também. Que a vossa vida seja repleta de harmonia e felicidade. Muita obrigada por tudo. Luisa

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Anorexia Nervosa e a forma como nascemos

Um estudo encontrou uma relação entre o uso de fórceps, ou ventosa, e a ocorrência de anorexia nervosa em raparigas. Para ler e pensar duas vezes:
http://www.birthworks.org/primalhealth/databank.phtml?study=262