terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Doulas de Portugal na TV

Está confirmado! As Doulas de Portugal passam hoje no Primeiro Jornal da SIC, às 13h.

Doulas na Sic!

Muito provavelmente, hoje, no Jornal da Tarde (13h) da SIC, canal 3, poderão ver uma peça sobre as Doulas de Portugal, e a formação para novas doulas.

Digo muito provavelmente pois ainda não tenho a confirmação da jornalista Andreia Vale, que foi muito simpática em avisar-me a esta hora.

Ficam todos e todas avisados também!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Nova Lista de Discussão

Devido a problemas técnicos no Google, mudámos a nossa lista de discussão para o Yahoo.
Se desejar conversar, trocar ideias com outras mães e pais ou esclarecer dúvidas sobre a sua gravidez ou parto, junte-se a nós!
Clique em http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/

Sejam todos bem vindos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Leite materno, como é?

Leite do começo e leite do fim
O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que a sua composição muda até mesmo durante a mamada!

Leite do Começo:
O leite do começo surge no início da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.

Leite do Fim:
O leite que surge no final da mamada parece mais branco do que o leite do começo porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais ricoem energia.
Fornece mais da metade da energia do leite materno. A criança precisa tanto do leite do começo quanto do fim para crescer e sedesenvolver. É importante deixar que ela pare espontaneamente de mamar. A interrupção da mamada pode fazer com que receba uma pequena quantidade de leite do fim (e, consequentemente, menos gordura).
Sites com dicas:
http://www.orientacoesmedicas.com.br/aleitamentomaterno.asp
http://correcotia.com/mamae/
http://www.aliancapelainfancia.org.br/paginas/vitalidade.htm
http://www.aleitamento.org.br/manual/composi.htm

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Humanização do Parto

(...)Sou médico também, obstetra e homeopata, e trabalho no R. Grande do Sul, mais exatamente em PortoAlegre, e todos me chamam de Ric.
Eu, por outro lado, não concordo com esta afirmação de que "não importa a maneira do nascimento(normal/cesariana), mas sim o resultado final". Lutamoscontra esse tipo de conceito há muitos anos. Se eu fosse jogar futebol e voltasse sem uma perna, não aceitaria que me dissessem: "ok, o importante é que vc está vivo, e vc não é menos homem por não ter uma perna, certo?"

Se eu soubesse que perdi minha perna porque foram negligentes com as minhas necessidades e minhas vontades, eu ficaria muuuuito bravo. Achou demasiado comparar com uma amputação? Pois se vc ler alguns depoimentos de cesariadas vai perceber o quanto a cirurgia amputou uma parte importante da sua feminilidade. E o quanto isso ainda dói em muitas delas. Eu também acho que uma mulher não se define por seu parto, assim como acho que um homem não se define por suas pernas ou por sua capacidade de engravidar e ser pai.

Mas experimente dizer a um homem: "vc não pode engravidar uma mulher, mas não tem problema, basta ir a um banco de sêmem e vocês podem ter filhos sem problema. Vc não vai se sentir menos homem por isso, né?"Assim, não acho cabível que se desconsidere o processo; porque a mulher É o processo. Quando dizemos "o final é que importa" estamos considerando apenas os produtos: uma mulher viva (como se a única coisa importante num parto fosse sobreviver a ele) e um bebê saudável (o produto "social" - nãomaterno). Este posicionamento (é bom quando todos sobrevivem), por mais honesto e correcto que possa parecer, é a antiga ladainha dos cesaristas. É assim que se explicam todas as cirurgias desnecessárias, os procedimentos impensados, as intevenções extemporâneas, porque sempre sobra essa frase para ser dita no final. Depois de uma invasão da integridade de uma mulher, sempre há um obstetra que virá dizer: "Mas porque você está chorando? Você está se recuperando bem da inflamação nos pontos, e seu bebê até que está engordando na pediatria. Viu? Eu não falei que no final ia tudo dar certo?

Mais de 99% dos residentesde boas intenções desistem de um caminho humanista pelos obstáculos que encontram, mas aqueles que sobram acabam se tornando o "melhor da raça",porque resistiram à avalanche de críticas e à violência da eclésia médica, pois tinham suficiente paixão pelas mulheres para sobreviver aos ataques.Apenas quis apontar um discurso que conheço há 22 anos, que é a fala dos que apenas apontam o resultado como significativo.

As mulheres mutiladas neste país sabem que isso não é verdade; elas sabem da importância do caminho, muitas vezes mais digno e relevante do que a chegada. Espero que você tenha força de continuar em sua jornada transformativa, e que comprenda que existem diferenças entre um verdadeiro humanista do nascimentoe um médico carinhoso e gentil. Humanismo não se relaciona (diretamente, ao menos) com "humano" ou "humanidade".
Relaciona-se com uma corrente filosófica chamada "humanismo", que situa-se doutrinariamente numa posição antropocêntrica, e que se baseia na defesa dos valores humanos como preponderantes.

O humanismo contrapõe-se à tecnocracia, por ser esta um sistema de poder que oferece supremacia àqueles que controlam as máquinas, deixando o humano em plano secundário.
Ser humanista do nascimento é fazer a mulher protagonista de sua história, devolvendo-lhe a capacidade de gerir seu futuro e seu destino. "Humanizaçãodo nascimento é devolver protagonismo à mulher. O resto é sofisticação de tutela", já me soprava o Max desde os tempos em que eu tinha a sua idade. (...)

Carta de Dr. Ricardo Jones a Érica, em Lista do Parto Nosso

domingo, 2 de janeiro de 2005

A Doula no Parto

Há pouco tempo, a palavra doula passou a ser conhecida como a mulher treinada e com experiência em nascimentos, que provê suporte físico, emocional e informacional à mulher e sua família durante o trabalho de parto, parto e pós-parto. No entanto o papel da doula é antigo. Ao longo da história e em diferentes culturas, a mulher recebe apoio, encorajamento e companheirismo de outras mulheres durante o trabalho de parto, o nascimento e as primeiras horas, dias e semanas após, as quais recebem o recém-nascido em seus corações (…). É assim que o movimento das doulas passou a tornar-se global. (…) A partir do momento em que o parto se tornou tecnocrático, separando o corpo da mente e conduzindo-o para um ambiente altamente tecnológico – como diz a antropóloga americana Robbie Davis Floyd, “vendo o corpo como uma máquina” – um pequeno grupo de mulheres começou a ocupar um lugar no trabalho de parto e na consciência de um modelo holístico de nascimento, honrando e ajudando mulheres a integrarem corpo, mente e espírito á medida que vivenciam o rito de passagem para maternidade. As doulas estão se tornando benvindas, apreciadas e recomendadas nas maternidades. Os benefícios que promovem vão muito além das reduções expressivas em cesarianas. Já foi provado que mulheres assistidas no parto por uma doula experimentaram maior satisfação com a experiência de dar à luz, elevaram a auto-estima, sentiram-se mais positivas com os seus bebés e diminuíram as taxas de depressão pós-parto.
Os benefícios para a sociedade incluem a redução de custos com os cuidados obstétricos e a obtenção de forma mais natural de bebés e mulheres mais saudáveis.
Acredito que se almejamos um mundo mais pacífico e menos violento, devemos rever o modo como recebemos novas vidas neste mundo. Quando as mulheres e suas famílias são apoiadas, respeitadas e cuidadas continuamente pelas doulas de maneira agradável e humana durante o parto, as mães sentir-se-ão mais capazes de criar laços e cuidar de seus bebés com carinho e amor nestes importantes primeiros momentos.

Texto (adaptado) de apresentação do livro de Fadynha - "A doula no parto" - por Debra Pascalli-Bonaro, conhecida doula norte americana.

Novo endereço electrónico das Doulas

Pedimos desculpa, mas devido a problemas constantes com o nosso endereço electrónico no Sapo, decidimos criar uma nova conta no Yahoo.com para a vossa correspondência.
Assim, e quando desejarem entrar em contacto connosco podem escrever-nos para doulasdeportugal@yahoo.com
Um muito obrigada pela vossa compreensão!

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Formação para novas doulas

As Doulas de Portugal vão realizar em Janeiro de 2005 uma acção de formação para novas doulas. O programa deste curso é idêntico ao Paramanadoula Course de Michel Odent e Liliana Lammers e abordará temas como:
- parto fisiológico;
- benefícios comprovados das doulas;
- nutrição na gravidez;
- importância da água no trabalho de parto;
- medicina baseada em evidências científicas;
- primeiros socorros em obstetrícia;
- amamentação;
- etc.
A Formação terá lugar em Lisboa dias 14, 15 e 16 de Janeiro, com o custo de 150 Euros.
As inscrições estão completas mas contamos fazer uma nova formação em breve.
As interessadas deverão enviar para doulasdeportugal@yahoo.com
ou doulasdeportugal@hotmail.com a seguinte informação: nome, morada, contacto e razões para a formação, de forma a fazerem uma pré-inscrição.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Dignificar as Parteiras

"Para realizar o parto em casa, ter-se-ia que estabelecer uma maneira de coordenar o trabalho, fora e dentro das instituições. Precisamos uns dos outos e, sem uma boa rectaguarda, um parto em casa torna-se um perigo.
O lugar do obstetra é, sem dúvida, no hospital, para os partos distócicos-patológicos. O lugar da parteira é, dentro e fora das instituições, para os partos eutócicos-normais. Todo o treino que as parteiras tiveram foi para serem as grandes especialistas do parto normal. A evolução da obstetrícia, a ultra tecnologia, levou à degradação do papel das parteiras, que passaram a ser profissionais dependentes, serviçais dos obstetras. Vamos ter que fazer os impossíveis para sair desta posição. No estrangeiro, as parteiras reúnem-se para encontrar o seu lugar perdido na nossa sociedade.
Pedem para:
nunca perderem a sua humanidade;
terem a sua sabedoria sempre em dia;
que sejam as suas mãos o melhor de todos os instrumentos.


Dantes, dizia-se de uma mulher grávida que " estava de esperanças".
Temos que ter esperanças num nascimento diferente".

In Beija Flor Natural, nº21
Artigo da parteira Maria Inácia Chaves, a quem enviamos daqui um abraço.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Portugal não promove o aleitamento materno

(...) Cerca de 90% das mulheres portuguesas amamentam os filhos desde a nascença, mas apenas um terço o faz até aos seis meses, revela uma investigação europeia, segundo a qual Portugal não promove o leite materno. (...) No estudo, Portugal é apontado como um dos onze países que não possuem políticas nacionais sobre a amamentação, incluindo incentivos para a utilização do leite materno até aos seis meses e a divulgação das boas regras para o fazer.
(...) Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com maternidade.(...)

Notícia publicada no Jornal Público de 14 de Dezembro de 2004

Texto integral em http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/14/Sociedade/S06.html

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Mutilação Genital Feminina

Passa hoje, dia 15 de Dezembro, às 23h 45m na RTP2 um documentário sobre a excisão do clitóris, uma mutilação genital feminina, executada em vários países, inclusivé em Portugal!!
Para saberem mais:
http://www.stopfgm.org O site de uma organização internacional que luta contra esta prática e onde vocês podem assinar uma petição.
http://www.dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=967 Os excelentes dossiers do Jornal Público on line.
http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/05/Publica/TM10.html Link para a entrevista ao cirugião francês Dr. Pierre Foldès, que faz reconstrução genital a mulheres que sofreram este horror. Link deixado pela Rosa. Muito obrigada!

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Lista de discussão

A nossa querida amiga e futura doula Rosa inaugurou uma lista de discussão sobre humanização do nascimento e podem todas participar, para perguntar e saber mais.
A lista encontra-se neste endereço: http://groups-beta.google.com/group/DoulasdePortugal

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Teste o seu médico...

Encontram aqui uma lista bem humorada de perguntas a fazer ao vosso obstetra. Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom informal, as "respostas certas" foram inspiradas nas evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. Por Ana Cristina Duarte, doula brasileira.
http://www.amigasdoparto.com.br/teste.html

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Parabéns à Lídia...finalmente!

Parabéns à Lídia e ao Paulo pelo seu magnífico bebé Alexandre, nascido dia 23 de Novembro, terça-feira.
Digo finalmente pois é costume nosso darmos estas notícias no próprio dia. Mas este parto foi um parto doloroso para todos e para mim como amiga e doula também o foi. Mas não é para falar disso que estou aqui.
Hoje vi a mãe e o bebé numa simbiose perfeita, num equilíbrio de amores que salta à vista. Temia por este enamoramento mas afinal estava errada... há ali um amor à primeiríssima vista, duma mãe lutadora como poucas e dum bebé que nos olha como se desejasse contar uma história. Que pena tenho que ele ainda não fale!
Ao pai, fica aqui um abraço especial, pela honra e sensibilidade mostrada ao longo de todo este processo. Vocês os três estão no meu coração.
Obrigada por me deixarem participar destes momentos tão especiais na vossa vida. Luisa

BabyFeiraMix

Estivémos este Domingo, na Casa dos Dias da Água, para a conferência das Doulas de Portugal, incluída no programa da deliciosa BabyFeiraMix, que foi um sucesso absoluto e espero que se estabeleça como um evento anual neste nosso pequeno país onde tanta falta faz! Eu por mim, estarei lá sempre estacionada! Tive o prazer de assistir a três magníficas conferências sobre vacinas, sobre as escolhas educativas e projectos alternativos de ensino. Que interessantes workshops para os miúdos e graúdos, e que delícia de brinquedos artesanais, os lindos bonecos da Rosa Pomar, ternurentas bonecas de trapos e histórias de encantar.
Quanto à nossa conferência, mais do que esse acontecimento formal, foi um verdadeiro encontro de mães e futuras mães e também alguns papás... e que lindos estavam os bebés aconchegados junto aos seus corpos, envoltos em panos coloridos. Tanta gente bonita reunida e em sintonia. Que bem que se estava ali. Foi uma tarde cheia, mas tranquila e doce... Como dizia o Sérgio Godinho, soube a tanto e portanto, soube a pouco... Fica a vontade de muitos mais encontros, de conhecer melhor todas e todos que naquele dia nos ouviram atentamente e que enriqueceram o encontro com a sua presença e as suas experiências de maternidade. Tanto havia para dizer e ouvir que as conversas se prolongaram nos corredores, nas escadas, eu e a Luisa dividindo-nos para atender a todas as solicitações, anotar contactos, combinar encontros. Muito obrigada a todas pelas mensagens de felicitação e apoio ao nosso trabalho que tão bem sabem e nos lembram todo o sentido da nossa caminhada.

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Benvinda Íris!

O sol brilhou neste dia de Outono para receber a pequena Íris, a fihota linda da Lia e do Heitor. Os papás valentes ficaram na tranquilidade da sua casa durante toda a primeira fase do parto e a Lia já chegou ao Hospital do Barreiro com a dilatação completa. Pouco depois, nascia a Íris, com 2525 gr, na presença da enfermeira Graça, do enfermeiro Luís e desta doula que vos escreve... No Hospital todos elogiavam a valente mãe: "tomara todas fossem assim"! "É a cara do Heitor!" dizia a mamã orgulhosa e feliz. Aqui deixo uma nota particular de agradecimento à enfermeira Graça que já conhecia as doulas e apoiou o nosso trabalho. Que bom que é quando todos estamos em sintonia e trabalhamos juntos para ver chegar um bebé ao mundo, cada um sabendo qual é o seu lugar e sobretudo respeitando o lugar da mãe que é no centro! Mas deixo o resto para os próprios pais descreverem, porque eles foram os actores principais e estão de facto, e por todas as razões, de parabéns! Muita luz e muito amor para esta nova família!

Parabéns à Lia

Parabéns à Lia e ao Heitor pelo nascimento da Íris agorinha mesmo!! E um muito obrigada à Doula Carla pela disponibilidade e pelo carinho. Mais detalhes para mais tarde.
Felicidades e dias ensolarados para vocês os três!

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Entrevista com Ricardo Jones

O Dr. Ricardo Herbert Jones é médico ginecologista, obstetra e homeopata em Porto Alegre, RS, no Brasil, onde já atendeu a mais de 1500 partos em 17 anos de profissão. Adepto do parto natural e um grande entusiasta do parto humanizado, é também um dos líderes na discussão sobre a melhoria da qualidade no atendimento às parturientes. É membro da Rehuna, consultor médico das Doulas do Brasil e do grupo Amigas do Parto. Trabalha há vários anos em parceria com a doula Cristina Balzano e com sua esposa, a enfermeira obstetra Neusa Jones.

Doulas do Brasil: Qual o maior benefício da presença de uma doula para a mulher que está sendo atendida?
RHJ: O contato da feminilidade produz um clima de intimidade, carinho, afeto e acima de tudo segurança. As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento.

DB: Que benefícios você, como médico, tem quando a sua cliente contrata uma doula para acompanhá-la no parto?
RHJ: A diminuição da minha ansiedade, da pressa, da angústia, do medo e de todas as intervenções médicas decorrentes secundariamente destes sentimentos. Hoje em dia minha taxa de episiotomia, fórceps, indução com ocitocina ou mesmo ruptura artificial de bolsa de águas é praticamente zero. Minha taxa de cesarianas está num nível dentro dos parâmetros da OMS (abaixo de 15%) e muito desse resultado devo à parceria que estabeleci com a doula e a parteira que me acompanham.

DB: E antes?
RHJ: Quando eu fazia o mesmo trabalho, e sob os mesmos pressupostos ideológicos (parto verticalizado, sem episiotomia, uso restrito de drogas e intervenções, presença de uma pessoa de livre escolha da mãe, etc...), meus resultados não eram tão bons como são hoje com o auxílio prestimoso das doulas. Certamente que a ajuda destas profissionais pode produzir uma modificação vigorosa nas práticas hospitalares, aproximando nossos índices daqueles preconizados pela OMS e outras entidades que tratam da questão do parto. A entrada das doulas no cenário do parto produziu um "plus" de qualidade, ao incorporar um toque de feminilidade e intimidade, arrancando o nascimento da sua vinculação com o tecnicismo e a alienação.

DB: Pela sua experiência, de que forma a doula interfere na participação do pai durante o parto? RHJ: Diminuindo a tensão e a angústia dele. O pai pode ser um elemento desestabilizador do processo do nascimento, desde que esteja mal preparado psicologicamente para enfrentar este desafio. A doula, com sua afetividade, carinho, presença e suporte, pode oferecer ao pai a tranquilidade de que ele tanto necessita para se tornar um facilitador do parto para a sua esposa. Estando ele tranquilo, sereno e confiante, vai envolver sua companheira num campo vibracional de positividade e reasseguramento (ao invés de ser um "emissor de adrenalina", como diz Dr Michel Odent) interferindo, assim, positivamente no sucesso do evento.
DB: Como as suas clientes costumam avaliar a influência da doula em seus partos, nas consultas de retorno? RHJ: É muito interessante. Várias vezes eu fiquei morrendo de ciúme do que elas falam das doulas. O encantamento, a vinculação e a gratidão são impressionantes. Existe uma cumplicidade verdadeiramente feminina, algo que soa como "Você me ajudou naquele momento. Você estava lá o tempo todo ao meu lado. Você presenciou meu choro, meu riso, meu medo e minhas lágrimas de alegria. Você me viu parindo meu filho, e este foi um dos momentos mais belos da minha vida. Estamos juntas, num elo de sangue e amor, para sempre." Fico emocionado quando elas me relatam isso, porque vejo uma coisa feminina, bela, amorosa. É algo que jamais esquecemos, e tenho certeza que estas pacientes jamais vão perder estas lembranças.

Vejam a entrevista completa dada às Doulas do Brasil em:
http://www.doulas.com.br/art12.html

O "Big-Bang" de Cada Um de Nós II

Quando saí do elevador no piso onde a minha mulher estava, dou de caras com o meu vizinho de cama, com ar consternado, desolado. O seu filho já tinha nascido, era a segunda vez que isso acontecia. Tinha ido à casa de banho, e num ai, como na primeira vez, ele que sempre ficara ali ao lado na cabeceira da cama, o seu filho não esperou pelo alívio breve do seu pai.

- E o seu também já nasceu.- diz-me. Que não, respondo confiante, o meu só virá a este mundo lá para as cinco da tarde, e se tudo correr bem.

- Não, o seu já nasceu. - Começo ali um balbuceio que vai da incredibilidade aos olhos rasos, aquoso. Preparei-me tanto eu para isto e ele veio assim sem avisar, não pode ser, estou inconsolável, bato à porta, demoram a abrir,algo se passa, aparece uma enfermeira,

o seu filho já nasceu, é um rapagão com 3,750 kg,

senti-me estranho, porque é que ela me fala assim? , porque é que falamos uns assim com os outros?, neste momento estou-me borrifando para o peso dele, tenho tempo para entrar - e sair - neste vai de roda dos percentis, só quero saber quem sou, que família tenho, se a mãe e ele estão bem, por esta ordem, estão todos bem, já lhe disse, é um rapagão e pesa 3,750 Kg, responde-me a enfermeira.

Nos próximos cinco minutos, até que novamente a porta se abra e eu possa entrar por breves momentos para pegar no meu filho ao colo, fico ali com o meu companheiro de infortúnio.

- A gente não gosta menos deles por isto. É mais uma questão de que quando nos perguntam ficarmos assim um bocado... - Aquela bondade, ali, é enternecedora. Sorrio.

Abre-se a porta. A enfermeira chama-me. Acabei de entrar e ela pela primeira vez olha para o outro pai expectante:
-O que é que está a fazer aí? Para o pé da sua mulher, já! Ela precisa de si.

Um pequeno milagre. A filha dele não tinha nascido. Fora o meu que nascera e ele assumira-o - era a carga que tinha a esse respeito, talvez - como se tivesse sido a sua. Não era. Lá foi contente para dentro da sala como se se tivesse livrado de uma maldição.

A enfermeira traz-me um volume envolto em panos, num cobertor. A minha mulher tinha sido escrupulosa nesse domínio. Havia uns trapinhos para quando ele acordasse, depois outros para vestir enquanto fosse beijado, admirado e presenteado por todos os reis magos deste nosso "Big-Bang". Era nesses primeiros panos que vinha envolto o Menino de Todos os Meus Dias.

Era tão bonito. Aquela pele vermelha, macerada ainda pela força da expulsão, os olhos abertos, já a olhar para mim. Ele já olhava para mim. As mãos de pequenissimo polegar. Não o conseguia ver. Entre mim e ele havia uma cortina literal de água. Eu dizia o hit de todas as frases pimba que podem estar disponíveis a um batráquio, quer dizer, a um homem. Ai meu rico menino, meu rico filho, era a menor delas.

Imagine-se. A parteira e a enfermeira, a dois metros de mim, riam-se, gozando.
-Chora tanto. - Dizia uma.
-Quem, o bébé? - perguntava a outra.
- Não, o pai. - Retorquia a primeira.

terça-feira, 16 de novembro de 2004

O "Big-Bang" de cada um de nós I

Lembrar-me-ei sempre, sem algum registo de todos os momentos que vão entre as 5 h da manhã e as 15h do dia 18 de Fevereiro de 2001. Mesmo que cada vez mais a memória seja uma espécie muito caprichosa, respondo pelo futuro: nunca me esquecerei. Talvez não saiba dizer o que aconteceu no mundo nesse dia. O meu mundo estava todo ele concentrado num acontecimento que haveria de trazer a alegria do "big-bang" para dentro do meu universo.

Lembro-me de acordar e ver a cara dela, muito calma, sorrindo, dizendo:
-Rebentaram-me as águas, Quim.

Voltei-me e fechei os olhos durante meia dúzia de segundos, era a sério, desta vez era a sério, há três semanas tinhamos tido um ameaço exactamente à mesma hora, depois de cinco horas passadas numa maca de hospital voltarámos para casa, desta vez a cama molhada, não há falsas águas, era a sério. Durante esses breves segundos, que a ela lhe pareceram uma eternidade, revi mentalmente todo aquele preciso e milimétrico check list que já tinhamos feito em conjunto. Vi cinco ou seis pontos, todos eles em branco. Abri os olhos, haveríamos de saber o que fazer. Dou um salto da cama e logo ali tenho o meu instante histérico, de excitação, alegria e histeria. Senti-me verdadeiramente incapaz para a tarefa que a Natureza me tinha destinado.

Ela, extraordinariamente calma, dirigiu-se para a casa de banho, ía tomar um duche e comer alguma coisa. Contra todas as indicações que tinhamos recebido. E aí eu percebi que ela sabia algo que não estava em nenhum livro de ilustrações sobre a arte de bem parir: que o momento da gravidez é um momento todo ele consagrado à mulher e que tudo o que ela faz para se sentir bem e capaz para o desafio que vai enfrentar pode fazer. De nada me valia recitar-lhe as encíclicas dos nossos livros santos destas últimas semanas, como os vários exemplares da Pais e Filhos espalhados pela casa, ela dizia-me invariavelmente:
- Não vou estar ali horas e horas e horas sem...

Ia chamar o taxi. Ela olhou para mim abanando a cabeça, ía cumprir a ameaça, que vergonha!, ía telefonar ao pai. "Se não tirares a carta, chamo o meu pai!". Não se pode discutir com uma mulher que tem de estar nas suas melhores condições para a festa, pensei, assumindo com tristeza a minha primeira ferida no meu orgulho de pai.

Veio o pai e a mãe, claro. Lembro-me de todos os momentos, das corridas hospital acima, hospital abaixo, do cheiro das paredes, do chão, das cores tristes, aquele recanto onde passamos as primeiras horas deste mistério é lúgubre, quase sinistro.

Eram umas sete horas quando ela subiu, eu só pude ir ter com ela já eram quase nove horas, estas duas horas estão-me gravadas na pele, entraria na mudança de turno, nunca percebi bem porquê, naqueles momentos estamos predispostos para nos concentrarmos totalmente no essencial, é por isso que eu sinto que os hospitais deveriam cuidar mais de perceberem isto, que quando os procuramos estamos tão frágeis como se fossemos chamados a dialogar directamente com a vida e a morte, sendo que em cada uma delas há a outra que espreita.

Das 9h às 14h estive continuamente ligado a ela. Limpando-a. Com uns panos horrorosos, porque não absorviam aquela langonha feita de água, excreções e sangue, uma matéria viscosa que escorregava dos trapos luzidios, tudo isso pode ser belo, disseram-me, confesso que me custou muito, entre isso e o resto agarrar na sua mão e respirar fundo, fazer os exercícios respiratórios adequados a cada momento, observar o ctg, observá-la a ela cada vez com mais dores e ainda com uma dilatação mínima.

Não sei como passou o tempo, só sei com que é que se passou. A minha vida era aquela cama, um aparelho onde tinha de observar os valores, os seus olhos que tinha de acarinhar e incentivar, estavam mortiços, doridos, a mão segura pela minha mão, e a respiração. Volta e meia as dores, as guinadas eram tão fortes que desistia de respirar. Era eu que lhe voltava a pegar no sopro e retomávamos as respirações, de acordo com aquilo que tinhamos aprendido para o período expulsório.

Olhei para o lado. Outra cama, outro homem, outra mulher. Havia de facto uma diferença, e a diferença vim a comprová-lo mais tarde, a partir da conversa com ele, tinha sido mesmo os sete meses anteriores, o tempo que tinhamos vivido nesse período.

Eu estava de rastos. As pernas tremiam-me. Tinha fome. Estava sem comer nada, rigorosamente nada, desde as cinco da manhã, só me lembrara disso já tinha a bata verde vestida. Curioso isso. Tantas e tantas vezes tinha de andar com uma bolacha no bolso porque a partir das três horas sem comer começava a sentir-me mal e agora, estava há nove horas sem comer nada, ali, pensei várias vezes que desfalecia, mas depois olhava para ela, ausentava-me de mim, era importante permanecer.

Às duas horas um concílio de sábios, ou de médicos, passou pela nossa cama e disse com nariz altivo perante os pedidos dela para que lhe fizessem a epidural. Antes de passarem umas duas ou três horas não será, não tem a dilatação necessária. Foi então tempo de sair para comer alguma coisa e fazer uma ronda telefónica pelas nossas principais capitais do nosso mundo. "está tudo bem, estou só a comer algo e vou voltar para dentro, quando houver fumo branco volto a telefonar".

Quando cheguei, passados vinte minutos, ao bloco onde ela estava, nem queria acreditar no que se tinha passado.

(Continua no próximo capitulo)