quarta-feira, 2 de março de 2005

I ENCONTRO DE HUMANIZAÇÃO DO NASCIMENTO EM PORTUGAL

No passado Domingo, 27 de Fevereiro de 2005, deu-se um passo histórico neste cantinho da Europa. O primeiro encontro de Humanização do Nascimento em Portugal foi um sucesso! Mais de 20 pessoas de vários pontos do país, entre doulas, mães e pais e profissionais ligados à maternidade, reuniram-se no Parque das Nações com o objectivo comum de tornar o nascimento humano num momento digno para as famílias, pleno de significado, amor e verdadeira segurança.
Deste encontro saíu a decisão, por unanimidade, de se constituir a Associação Doulas de Portugal como a organização dinamizadora do Movimento pela Humanização do Parto em Portugal. Dessa associação farão parte os sócios efectivos (as doulas) e os sócios amigos das doulas.
Todos juntos queremos devolver o protagonismo do parto às mulheres, aos seus filhos e às suas famílias. Queremos informar e inspirar uma nova geração de pessoas sobre o que realmente significa dar à luz e como esse momento é importante para o bem estar integral desse ser que nasce, dessa mulher que renasce e que reescreve a história da sua família. De mãos dadas com a sabedoria intuitiva e ancestral e com as modernas evidências científicas.
Um bom trabalho para todos nós!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Primeiro Encontro de Doulas em Portugal

O Primeiro Encontro de Doulas em Portugal vai realizar-se dia 27 de Fevereiro, domingo, pelas 15horas na Expo.
Doulas, amigas e outras pessoas interessadas na humanização do parto são todas bem vindas.
O encontro será nas escadas de madeira á saida do centro comercial Vasco da Gama, para o Parque Expo.

Informações através de doulasdeportugal@yahoo.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Parabéns à Susana Pinho

Muitos parabéns à Susana Pinho e ao Jorge pelo nascimento do seu filho Miguel, ontem dia 15 de Fevereiro às 20h53m.

A Susana chegou à Maternidade do Hospital Amadora-Sintra (onde foi muito bem recebida pela equipa de serviço) já com 10cm de dilatação.

Foi muito bem acompanhada pela Doula Cristina Pincho, a quem as Doulas de Portugal dão os parabéns merecidos!

Abraços a todos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Amamentação

"As vantagens da amamentação já foram irrefutavelmente demonstradas e as pesquisas actuais continuam a encontrar novos benefícios.

Ciente destes factos, a maioria das mães quer amamentar os seus bebés. Infelizmente muitas desistem da ideia ou desmamam cedo os seus filhos ao depararem-se com problemas para os quais não encontram o auxílio de que necessitam. Aquilo que acontece durante o parto, o nascimento e as primeiras refeições pode influenciar em larga medida o sucesso ou o fracasso da amamentação.
(…)
O que poderá ajudar as mães e os bebés a começarem a amamentação da melhor maneira possível?
Manter mães e bebés juntos após o parto é bastante útil.
Os recém-nascidos que começam a mamar num espaço de duas horas a seguir ao parto têm menos probabilidade de virem a ser desmamados cedo do que bebés que só começam a mamar quatro ou mais horas a seguir ao nascimento. Isto não quer dizer que nos casos em que o bebé necessite de escudos especiais (ou não possa mamar por qualquer outra razão), a amamentação esteja condenada ao fracasso, mas indica que estas mães e estes bebés precisam de auxílio adicional para conseguirem estabelece-la.
(…)
O sucesso da amamentação depende em larga medida do posicionamento correcto do bebé e da sua forma de tomar o seio. A melhor forma de aprender as posições mais favoráveis à amamentação consiste em observar várias mães a amamentar os seus bebés, mas na nossa sociedade, poucas mulheres têm essa oportunidade. Se tiver a oportunidade de assistir a reuniões da La Leche League durante a gravidez, aprenderá bastante sobre a amamentação.

A posição mais comum para a primeira amamentação é aquela em que a mãe se mantém sentada com as costas apoiadas e uma almofada no colo para segurar o bebé ao nível dos seios. Utiliza o antebraço, junto à articulação do cotovelo, para apoiar a cabeça do bebé, coloca o braço da criança à volta da cintura e, com a outra mão, segura o seio junto à cabeça do bebé. Deve ter o polegar na parte superior do seio e todos os outros dedos na parte inferior e bem afastados da auréola (área escura que rodeia o mamilo).
A mãe toca então suavemente com o mamilo nos lábios do bebé e, quando este reage dirigindo-se ao seio e abrindo a boca, usa o braço para o aconchegar contra o seio. Deve «fazer pontaria» à parte superior da boca do bebé, para que o lábio inferior fique bastante abaixo do mamilo.

Se todos estes passos forem correctos, não haverá dor."

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

La Leche League em Portugal

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Cesariana Anterior

“Antigamente, o lema era «uma vez cesariana, sempre cesariana». Quando uma mãe fazia uma cesariana era informada de que quaisquer bebés posteriores também teriam de nascer por cesariana. Pesquisas fiáveis demonstram claramente que na maioria dos casos, essas mães podiam perfeitamente ter um parto vaginal. As cesarianas de rotina motivadas por uma cesariana anterior conduzem a um grande número de operações desnecessárias.
(…)
A incisão uterina «clássica», mais antiga, é vertical e percorre a parte superior do útero, mais rica em tecido muscular e que se contrai durante o parto. Ocasionalmente, pode efectuar-se uma incisão em forma de «T invertido», constituída por um primeiro corte transversal, na parte inferior do útero, e por um segundo corte vertical, que vai da parte inferior à parte superior e musculatura do útero; este corte é efectuado pelo médico para criar mais espaço quando existem dificuldades em tirar o bebé. O aspecto da incisão cutânea – transversal ou vertical – nada tem a ver com a incisão uterina.

Com uma incisão transversal na parte inferior do útero, as hipóteses de ruptura são bastante reduzidas: o risco vai de 0,09 a 0,22%.
Os dados sobre o trabalho de parto nas mulheres com uma incisão clássica na parte superior do útero são muito escassos. As estimativas mais fiáveis relativas ao risco de ruptura vão dos 2,2 aos 14%. Os dados sobre o trabalho de parto em mulheres com uma incisão em forma de T invertido também são limitados: actualmente, a melhor estimativa sugere um risco de ruptura de cerca de 1,3%.
(…)
Quando as mães decidem ter um parto vaginal após cesariana deverá a assistência ao trabalho de parto ser diferente da assistência a um «parto normal»? A combinação das conclusões de várias pesquisas indicam que a mulher que entra em trabalho de parto após uma cesariana deve ser tratada exactamente da mesma forma que qualquer outra parturiente.”

“Gravidez e Parto - As Melhores Provas” de Joyce Barrett e Teresa Pitman

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

Tomar Decisões

"Num certo sentido, a experiência de gerar e dar à luz um bebé é um processo simples que, na maior parte das vezes, funciona na perfeição sem qualquer intervenção. É também um processo bastante complexo, com potenciais complicações e dilemas capazes de construir um desafio. Nas sociedades ocidentais, o sistema de saúde – concebido para lidar com esses desafios – pode tornar a gravidez e o parto mais complexos, interferindo na parte simples e normal da gravidez.

Têm sido realizados estudos e pesquisas consideráveis sobre a gravidez e o parto, mas estes nem sempre dão origem a respostas claras. As pesquisas demonstram que algumas das rotinas outrora comuns são inúteis. É o caso da monitorização fetal electrónica, as episiotomias e a raspagem dos pelos púbicos da mãe. Algumas pesquisas descobriram tratamentos que podem salvar vidas, como por exemplo a administração de gamaglobulina às mães com factor Rh-. Outras, limitaram-se a confirmar aquilo em que as mulheres sempre acreditaram: caminhar e efectuar movimentos durante o parto é útil, ter um apoiante é algo inestimável e as mulheres sabem quando e como fazer força para expelir os bebés.

No entanto, a pesquisa é apenas uma base de apoio. Cabe-lhe a si decidir como aplicar os resultados dessas pesquisas à sua situação individual. Trata-se do seu bebé, do seu corpo, da sua família e é você que vai conviver com as consequências das decisões que tomar. Sabe o que é importante para si e pode fazer as opções certas para a sua gravidez encarando os resultados das pesquisas como apenas um factor (sem duvida, importante) da tomada de decisão."

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Monitorização Contínua

"Tecnicamente, é muito mais difícil realizar uma monitorização contínua do que ter uma enfermeira que encosta um fetoscopio à barriga da mãe. Durante a monitorização externa qualquer movimento do feto ou da mãe pode dar origem à perda de sinal e tornar necessário o reajustamento da palheta. Por vezes o aparelho regista o ritmo cardíaco da mãe, o que poderá preocupar toda a gente, pois este é normalmente muito mais lento quedo que o do bebé. Assim que o bebé começar a deslocar-se pelo canal do nascimento, colocar a palheta sobre o seu coração torna-se um verdadeiro desafio, especialmente se a mãe estiver sentada ou á procura de uma posição confortável.

Elizabeth recorda: «Sempre que me mexia, o sinal sonoro que indicava o ritmo cardíaco no monitor tornava-se extremamente ténue. Eu entrava em pânico, o meu marido entrava em pânico e eu tentava não me mexer mais. Depois a enfermeira reajustava calmamente os cintos e ficava tudo bem… até eu me mexer outra vez. Passado algum tempo o meu marido pediu-lhe para desligarem a máquina e isso ajudou».

Noor achou o monitor limitativo. «Eles queriam que eu me mantivesse sempre na mesma posição mas isso era desconfortável. Queria liberdade para me movimentar. A certa altura a enfermeira entrou e disse: "Deixou de ter contracções?" Tinha voltado a mover a correia e a maquina não estava a registar nenhuma contracção. Ela ficou bastante irritada comigo por causa disso».

Quando se usa a monitorização interna, existe o risco de a pinça se soltar do crânio do bebé. Isto pode dar origem a um pânico momentâneo, pois dá a sensação de que o coração do bebé deixou de bater.
(…)
Grandes experiências clínicas (que incluíram 17 000 mulheres) compararam os resultados entre partos em que a mãe e o bebé haviam sido examinados intermitentemente através de um fetoscópio e partos em que tinha sido usado um monitor electrónico fetal.

Para aqueles que depositavam grandes esperanças no monitor electrónico fetal, os resultados foram decepcionantes: o número de cesarianas e de extracção por fórceps ou ventosas era significativamente mais elevado no grupo de monitorização continua. No entanto, para os bebés, os resultados foram exactamente os mesmos em ambos os grupos.
(…)
A conclusão inescapável é que a monitorização continua provoca um aumento das intervenções – cesarianas, fórceps e ventosas – sem qualquer vantagem para o bebé.”

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Humanização do parto: Qual o seu verdadeiro significado?

"Recentemente em acalorada discussão com um professor de obstetrícia da minha originária faculdade de Ciências Médicas me deparei com um fato que me pareceu digno de aprofundamento.
(...) Neste artigo ele tenta demonstrar o perigo de se criar Casas de Parto porque "nunca se pode ter certeza de que um nascimento seja isento de risco", terminando com uma acusação ao Ministério da Saúde afirmando que este tipo de "experiência" só serve para fazer economia às custas da segurança dos pacientes. Citava lugares do mundo onde os partos são exclusivamente hospitalares e "esquecia-se" de citar locais como a Holanda onde mais de 30% dos partos se situam fora dos hospitais e sob o cuidado de parteiras.
Quando fui aluno deste professor sempre me chamou a atenção a sua postura intervencionista, tecnológica, seu posicionamento claramente favorável às abordagens científicas e técnicas do parto e sua especial simpatia pela obstetrícia americana. Alguns anos antes, ao candidatar-se a cargo eletivo na Cooperativa Médica local, calcou sua plataforma médica na questão do combate aos "profissionais alheios à medicina" que estariam exercendo atividades na obstetrícia, numa alusão clara à atividade das enfermeiras obstétricas. Colegas me relatavam que no seu plantão no Hospital da Universidade ele proibira que enfermeiras da graduação realizassem qualquer tipo de atendimento obstétrico.
Bem, nada disso é surpreendente. Estas coisas todas eram do meu conhecimento. Sabia que ele como professor de obstetrícia reproduzia todo um arcabouço filosófico que sustenta e embasa o proceder ritualístico da obstetrícia contemporânea. Entretanto o que me deixou espantado é que nossa conversa iniciou-se com a seguinte frase por ele pronunciada: "- Dr, as coisas que aqui serão discutidas nada tem a ver com sua posição em relação à Humanização do Nascimento, até porque sou claramente favorável a ela."
Quando o meu honorável professor proferiu esta sentença eu fiquei pensando: existe alguma coisa que não está bem explicada a respeito da humanização do nascimento. Se este professor considera-se um defensor do Parto Humanizado, sendo que ele é o responsável técnico de uma maternidade que tem 80% de cesarianas, que trabalha como professor de obstetrícia e forma os obstetras que vão trabalhar posteriormente nesta mesma maternidade (e o faz há mais de 20 anos), escreve e discursa contra as Casas de Parto e não aceita o atendimento de obstetrizes em partos de baixo risco, o que sou eu então? Percebi que existe muita confusão conceitual nesta área, e que se quisermos realmente modificar estas questões temos que definir claramente qual a nossa proposta de modelo, o que queremos dizer com humanização, quais os nossos objetivos e as nossas metas. Assim como a discussão do "normal e natural", a discussão do "humanizar" faz-se necessária, sob pena de colocarmos em um mesmo saco gatos, cães, lebres, coelhos. Não é admissível que "humanização" torne-se um chavão vazio, como tantos outros que conhecemos, em que todos o utilizem sem a menor responsabilidade e sem ter consciência exata do que estão tratando.
(...) percebo que ainda não possuímos uma definição concreta e precisa do que entendemos por humanização, a ponto de um médico que me parece claramente um "intervencionista" tradicional auto-proclamar-se "humanista". Porquê?
(...) O equívoco que a mim parece evidente nas palavras do meu professor é que ele não tem conhecimento do que seja o projeto de humanização no seu sentido amplo e profundo.
Quando ele fala em humanizar está se referindo a tratar com mais gentileza e "humanidade" as pacientes nos Centros Obstétricos; refere-se a uma abordagem menos agressiva e mais racional do manejo das internações. Porém eu considero humanização do nascimento algo muito mais profundo do que isso. Vai além de fazer um centro obstétrico mais arejado, enfermeiras e atendentes sorridentes ou colocar vasos de flores nos quartos.
Humanização do Nascimento tem a ver com a posição em que a cliente/parturiente ocupa neste cenário. Neste sentido humanizar tem a ver com feminilizar. Enquanto o nascimento for manejado de forma masculina ele nunca será verdadeiramente humanizado. É inadmissível que um fenômeno tão intrinsecamente feminino seja gerenciado por pressupostos tão marcadamente masculinos! Se a paciente se mantém como objeto, como indivíduo passivo, como alguém sobre a qual recaem as forças cegas e desorganizadas da natureza, necessitando por isso um cuidado intensivo no sentido de salvá-la do seu destino cruel, então nem 1 milhão de flores, rosas, jasmins, cravos, orquídeas e nem milhares de sorrisos benevolentes tornarão este parto um parto humanizado.
O que torna um parto humanizado, ao contrário do manejo alienante que encontramos nas nossas maternidades, é o protagonismo conquistado por esta mulher. A posição de cócoras, a presença do marido/acompanhante, a diminuição de algumas intervenções sabidamente desnecessárias, o local do nascimento, etc. não são suficientes para tornar um nascimento "feminino e humanizado". É necessário muito mais do que isso.
Não existe humanização do nascimento com mulheres sem voz. É preciso que esta mulher, consciente da sua posição como figura central no processo, faça valer seus direitos, sua autonomia e seu valor. O que torna um obstetra (ou profissional do parto) humanista ou não, é a capacidade de estimular a participação, o envolvimento efetivo e a condução deste processo a quem de direito: a mãe. Sem estes requisitos de nada adiantam maternidades lindas, belas, arejadas, limpas, assépticas, com enfermeiras gentis e sorridentes.
(...) muito mais importante que a humanização da forma, é necessário instituir a humanização dos conceitos. É fundamental construir uma visão nova, que resgate este protagonismo perdido pela tecnocracia dogmática e fechada do cientificismo religioso.
(...) Enfim, o projeto de humanização do Parto e Nascimento inicia-se por uma definição clara do que entendemos por "humanizar", para que a partir de conceitos firmes e sólidos possamos construir um modelo mais justo e adequado para as mulheres, sua família e seus filhos."

por Ricardo Jones, obstetra brasileiro, ver artigo completo em http://www.amigasdoparto.com.br/ac015.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Chegar ao hospital

“As portas do hospital abrem-se e a parturiente entra. (…) Cada hospital tem as suas próprias políticas e rotinas e as variações podem ser drásticas, mesmo dentro da mesma área geográfica.
Quais são as rotinas que pode encontrar? E que medidas poderá tomar no caso de desejar evita-las? Lembre-se que o facto de algo ser rotina no seu hospital, não o torna obrigatório.
Na maioria dos hospitais, terá de fazer uma paragem na recepção e registar-se antes de entrar na ala da maternidade.
(…)
Quando chegar à ala da maternidade, a enfermeira começará a fazer a sua ficha. Vai querer saber quando foi que as contracções começaram e qual o intervalo entre cada uma. Vai perguntar-lhe se já houve sinal de parto ou se a bolsa das águas já se rompeu. Fará também algumas perguntas sobre o seu historial clínico, as suas gravidezes anteriores e sobre o decurso da actual gravidez, especialmente no que diz respeito a quaisquer testes especiais que possa ter feito.
(…)
Em seguida, a enfermeira medir-lhe-á a tensão, a temperatura e as pulsações e pedir-lhe-á para urinar para um recipiente….”

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

Parabéns à Madalena

Parabéns à Madalena e ao Rui pelo nascimento da Matilde, em casa, 10 minutos antes de chegar a parteira.
Não tenho palavras para vos contar a maravilha de ver bebés nascerem desta forma, tão natural, tão humana, tão segura.
Alegria, felicidade e saúde! Um beijinho grande para o Lucas também! Parabéns!
Luisa

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Parabéns à Claudia!

Parabéns à Claudia e ao François pelo seu bebé Rafael.
Que muitos sorrisos e alegrias vos acompanhem nesta vida a três!
Um abraço especial para Mértola!
Luisa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Rolhão Mucoso

Durante a gravidez um rolhão mucoso bloqueia a entrada do cervix para evitar que bactérias entrem. Antes do trabalho de parto, este rolhão mucoso é expelido para que o cervix possa abrir permitindo a passagem do bebé, para se preparar para o parto

Quanto tempo depois da saída do rolhão mucoso começa o trabalho de parto?

A saída do rolhão mucoso é o sinal de que o seu cervix está a dilatar e que o corpo se está a preparar para o parto. O trabalho de parto podem estar a horas, dias ou até mesmo semanas de distância enquanto o cervix se abre gradualmente.

Qual é o aspecto do rolhão mucoso?

O rolhão mucoso pode ser claro, ligeiramente rosado ou raiado de sangue. Pode ser de consistência mucosa ou viscoso tipo corrimento. Algumas mulheres nem se apercebem da sua perda já que durante a gravidez há muito corrimento.

Quando devo telefonar ao médico?

Deve telefonar ao médico imediatamente se o corrimento passa a ser vermelho vivo e a quantidade for superior a duas colheres da sopa. Pode estar com placenta prévia ou placenta abrupta.

Placenta prévia é quando a placenta está baixa, podendo cobrir parte ou totalmente o cervix o que causa sangramento vaginal. Placenta prévia ocorre numa em cada 200 mulheres.

A placenta pode descolar do útero antes ou durante o trabalho de parto, a isto chama-se placenta abrupta e normalmente só 1% das mulheres grávidas têm este problema.

Retirado do site - http://www.pregnancy.org/
Traduzido por Rosa Macedo

domingo, 23 de janeiro de 2005

Episiotomia

Exertos retirados do Estudo Médico feito em Portugal por Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa em Lisboa, Dezembro de 2003

“A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
(...)
A episiotomia, um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia é, no entanto, um dos únicos que é realizado sem qualquer consentimento específico da doente. Foi introduzido há mais de 250 anos na prática clínica, sem uma evidência científica que fundamentasse o seu benefício, tendo como justificação a prevenção de lacerações perineais severas, uma melhor preservação da função sexual posterior, uma redução da incidência de incontinência urinária e fecal e a protecção do recém nascido. Mas, na verdade, para muitos autores o seu uso rotineiro não é aconselhável e deve ser abandonado, sendo recomendada uma filosofia mais selectiva.
(...)
Isto levou a que, nos últimos 20 anos, múltiplos trabalhos tenham tentado definir melhor as indicações e sequelas associadas à episiotomia; a maioria conclui não haver suporte para acreditar que a sua prática generalizada diminua, por exemplo, o risco de lesão grave do períneo, melhore a sua cicatrização, previna a lesão fetal ou reduza o risco de incontinência urinária.
(...)
Quadro I - Complicações da episiotomia

- Infecção
- Hematoma
- Roturas do períneo grau III e IV
- Celulite
- Deiscência
- Abcesso
- Incontinência de gases
- Incontinência de fezes
- Fístula rectovaginal
- Lesão do nervo pudendo
- Fasceíte necrosante
- Morte

Os riscos associados são, entre outros, a extensão da lesão, hemorragia significativa, dor no pós-parto, edema, infecções, hematoma, dispareunia, fístulas rectovaginais e, embora raro, a endometriose da episiorrafia.
A relação da episiotomia e a perda de sangue tem sido amplamente analisada, chegando a existir um trabalho (…) que defende que a hemorragia durante um trabalho de parto vaginal com episiotomia é maior do que durante uma cesariana... Uma revisão (…) conclui que a episiotomia está associada a uma importante perda de sangue intraparto e hemorragia pós-parto, em especial na mediolateral, e que evitando-a pode ser uma das maneiras mais eficazes de diminuir a perda de sangue excessiva observada em alguns TP.

Outra controvérsia surge relativamente à ideia de que com a episiotomia a dor no pós-parto é menor, quando comparada com as roturas espontâneas. Para além de serem necessários mais trabalhos que nos elucidem neste ponto, os que estão publicados parecem revelar que, pelo contrário, após uma episiotomia (independentemente do tipo realizado), a dor intraparto é maior, tornando-se mais incómoda no pós-parto imediato, sem existir, contudo, evidência condicionar sequelas a longo prazo relacionadas com dispareunia e duração do retorno à vida sexual.
(...)
Conclusão

O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.

Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”

Estudo Completo no Site da Ordem dos Médicos

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

"A ignorância origina o medo; o medo origina a tensão dos músculos e a tensão dos músculos origina a dor; enquanto que, pelo contrário, o conhecimento origina a tranqüilidade de espírito, a tranqüilidade de espírito traz a calma e a distensão física que impede a distensão da dor"

FENGEK BRENOSTRUP

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Dar à Luz Hoje

"Um parto é bom quando deixa a mulher inteira, no mínimo contente consigo própria (e não somente porque está com seu bebê no colo), quando é respeitada (e se sente respeitada), é informada sobre os procedimentos que vão ser efectuados e, possivelmente (eventualidade raríssima) lhe é solicitado o consentimento para a realização de alguns deles, quando seus direitos como cidadã e ser humano são reconhecidos.
(...) As mulheres geralmente não são informadas sobre o que está acontecendo com elas, nem nos hospitais públicos, nem nos particulares. O que é do âmbito médico permanece em “segredo”. A parturiente é “paciente”, um corpo sujeito à intervenção médica. Uma vez que ela está lá e está pagando ao profissional, fica subentendido que ele recebeu a autoridade para fazer tudo (ou quase) o que ele (com sua formação, cultura, hábitos e crenças) julgar necessário. Nenhum procedimento de rotina é comunicado às parturientes. Muito menos é perguntado a elas se os aceitam. Não só. Durante o pré-natal, inclusive dos “obstetras cinco estrelas” (porque, repito, essa não é uma questão que muda com a classe social da parturiente, uma vez que frente ao médico são todas “pacientes”), não é explicado à mulher como é o parto normal hospitalar, nem como é que acontece uma cesárea. As mulheres vão ao hospital vedadas. Não sabem o que as espera. Muitas delas podem até, sob sugestão do próprio profissional, ter visitado a maternidade, para se “ambientar”, para conhecer o quarto, o berçário e a sala de parto. Mas ninguém lhes diz o que passarão lá dentro, quais são suas opções e quais seus direitos. Dar à luz hoje se tornou uma façanha para a mulher que quer estar consciente e ser activa durante o nascimento de seu filho. O movimento pela humanização do parto nasceu para contribuir para uma mudança efectiva nesta direcção: oferecer o suporte físico, psicológico com informações de qualidade e orientações para que ela possa viver seu parto com segurança, satisfação e plenitude."

Adriana Tanese Nogueira (adaptado)
Texto integral em http://www.amigasdoparto.org.br/ce_parto.asp

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Doulas de Portugal na TV

Está confirmado! As Doulas de Portugal passam hoje no Primeiro Jornal da SIC, às 13h.

Doulas na Sic!

Muito provavelmente, hoje, no Jornal da Tarde (13h) da SIC, canal 3, poderão ver uma peça sobre as Doulas de Portugal, e a formação para novas doulas.

Digo muito provavelmente pois ainda não tenho a confirmação da jornalista Andreia Vale, que foi muito simpática em avisar-me a esta hora.

Ficam todos e todas avisados também!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Nova Lista de Discussão

Devido a problemas técnicos no Google, mudámos a nossa lista de discussão para o Yahoo.
Se desejar conversar, trocar ideias com outras mães e pais ou esclarecer dúvidas sobre a sua gravidez ou parto, junte-se a nós!
Clique em http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/

Sejam todos bem vindos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Leite materno, como é?

Leite do começo e leite do fim
O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que a sua composição muda até mesmo durante a mamada!

Leite do Começo:
O leite do começo surge no início da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.

Leite do Fim:
O leite que surge no final da mamada parece mais branco do que o leite do começo porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais ricoem energia.
Fornece mais da metade da energia do leite materno. A criança precisa tanto do leite do começo quanto do fim para crescer e sedesenvolver. É importante deixar que ela pare espontaneamente de mamar. A interrupção da mamada pode fazer com que receba uma pequena quantidade de leite do fim (e, consequentemente, menos gordura).
Sites com dicas:
http://www.orientacoesmedicas.com.br/aleitamentomaterno.asp
http://correcotia.com/mamae/
http://www.aliancapelainfancia.org.br/paginas/vitalidade.htm
http://www.aleitamento.org.br/manual/composi.htm

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Humanização do Parto

(...)Sou médico também, obstetra e homeopata, e trabalho no R. Grande do Sul, mais exatamente em PortoAlegre, e todos me chamam de Ric.
Eu, por outro lado, não concordo com esta afirmação de que "não importa a maneira do nascimento(normal/cesariana), mas sim o resultado final". Lutamoscontra esse tipo de conceito há muitos anos. Se eu fosse jogar futebol e voltasse sem uma perna, não aceitaria que me dissessem: "ok, o importante é que vc está vivo, e vc não é menos homem por não ter uma perna, certo?"

Se eu soubesse que perdi minha perna porque foram negligentes com as minhas necessidades e minhas vontades, eu ficaria muuuuito bravo. Achou demasiado comparar com uma amputação? Pois se vc ler alguns depoimentos de cesariadas vai perceber o quanto a cirurgia amputou uma parte importante da sua feminilidade. E o quanto isso ainda dói em muitas delas. Eu também acho que uma mulher não se define por seu parto, assim como acho que um homem não se define por suas pernas ou por sua capacidade de engravidar e ser pai.

Mas experimente dizer a um homem: "vc não pode engravidar uma mulher, mas não tem problema, basta ir a um banco de sêmem e vocês podem ter filhos sem problema. Vc não vai se sentir menos homem por isso, né?"Assim, não acho cabível que se desconsidere o processo; porque a mulher É o processo. Quando dizemos "o final é que importa" estamos considerando apenas os produtos: uma mulher viva (como se a única coisa importante num parto fosse sobreviver a ele) e um bebê saudável (o produto "social" - nãomaterno). Este posicionamento (é bom quando todos sobrevivem), por mais honesto e correcto que possa parecer, é a antiga ladainha dos cesaristas. É assim que se explicam todas as cirurgias desnecessárias, os procedimentos impensados, as intevenções extemporâneas, porque sempre sobra essa frase para ser dita no final. Depois de uma invasão da integridade de uma mulher, sempre há um obstetra que virá dizer: "Mas porque você está chorando? Você está se recuperando bem da inflamação nos pontos, e seu bebê até que está engordando na pediatria. Viu? Eu não falei que no final ia tudo dar certo?

Mais de 99% dos residentesde boas intenções desistem de um caminho humanista pelos obstáculos que encontram, mas aqueles que sobram acabam se tornando o "melhor da raça",porque resistiram à avalanche de críticas e à violência da eclésia médica, pois tinham suficiente paixão pelas mulheres para sobreviver aos ataques.Apenas quis apontar um discurso que conheço há 22 anos, que é a fala dos que apenas apontam o resultado como significativo.

As mulheres mutiladas neste país sabem que isso não é verdade; elas sabem da importância do caminho, muitas vezes mais digno e relevante do que a chegada. Espero que você tenha força de continuar em sua jornada transformativa, e que comprenda que existem diferenças entre um verdadeiro humanista do nascimentoe um médico carinhoso e gentil. Humanismo não se relaciona (diretamente, ao menos) com "humano" ou "humanidade".
Relaciona-se com uma corrente filosófica chamada "humanismo", que situa-se doutrinariamente numa posição antropocêntrica, e que se baseia na defesa dos valores humanos como preponderantes.

O humanismo contrapõe-se à tecnocracia, por ser esta um sistema de poder que oferece supremacia àqueles que controlam as máquinas, deixando o humano em plano secundário.
Ser humanista do nascimento é fazer a mulher protagonista de sua história, devolvendo-lhe a capacidade de gerir seu futuro e seu destino. "Humanizaçãodo nascimento é devolver protagonismo à mulher. O resto é sofisticação de tutela", já me soprava o Max desde os tempos em que eu tinha a sua idade. (...)

Carta de Dr. Ricardo Jones a Érica, em Lista do Parto Nosso