quarta-feira, 16 de março de 2005

Carta de uma mãe sobre o trabalho das doulas

Tive conhecimento da existência das doulas enquanto procurava uma preparação para o parto.
Só quando conheci a doula Luísa soube realmente o que era o trabalho de uma doula.
Iniciámos o acompanhamento por volta das 30 semanas de gravidez. Eu e o meu marido tínhamos encontros regulares com a doula onde expunhamos as nossas dúvidas e receios que ela prontamente esclarecia. Para além disso a doula Luísa esteve sempre disponível via e-mail e telemóvel a qualquer hora do dia ou da noite.

No decorrer do acompanhamento demonstrámos o nosso desejo de que o parto tivesse lugar em casa. Tal ideia já era anterior ao nosso encontro com as doulas no entanto só a começámos a materializar durante o acompanhamento precisamente porque sentimos o apoio da doula. Preparámo-nos então para que o parto acontecesse em casa mas este objectivo veio a ser abandonado já durante o trabalho de parto devido à ausência de uma parteira(o).

O trabalho de parto, que decorreu em casa durante 3 dias, foi sempre acompanhado pela doula que se deslocava até nossa casa, inclusive durante a noite, vigiando as várias fases do trabalho de parto e sossegando principalmente o meu marido. Ela falava baixinho e ajudava a sentir as contracções de forma muito positiva. Correu tudo lindamente.

A determinada altura, numa madrugada, a doula conversou connosco e disse-nos que achava melhor irmos para o hospital uma vez que o trabalho de parto já durava há alguns dias e em casa não tínhamos meios de ver se estava tudo bem com o bébé. Aceitei o facto com alguma tristeza pois não era isso que pretendia para o meu parto. Telefonei à minha médica para que ela avisasse o colega de serviço e fomos para o hospital. A própria doula conduziu-nos no carro dela até ao hospital.

E foi assim que no dia 23 de Novembro pelas 10h dei entrada no reino da tecnocracia, leia-se, Hospital Reynaldo dos Santos em Vila Franca de Xira.
Embora com bastantes contracções fui para a fila (extensa fila), fiz a ficha, esperei, fui à triagem, da triagem indicaram-me que me dirigisse ao piso de obstetrícia. Só estes procedimentos já estavam a atrapalhar e muito um trabalho de parto fantástico que eu trazia de casa. Mas isto era só o início...
Quando cheguei à obstetrícia uma enfermeira minha conhecida veio falar comigo e por volta das 10h40 entrei para a consulta. O médico era uma pessoa sem qualquer vislumbre de humanidade. Disse-me: "Dispa-se", observou-me e depois disse "Vista-se, mas não muito porque vai ficar internada". Mais tarde, na sala de dilatação e na sala de partos o comportamento do médico manteve-se, fui sempre tratada como uma doente que não o era e dentro deste falso estatuto fui tratada não como um ser humano, mulher e mãe no seu momento sagrado mas como um objecto do seu trabalho. Senti-me humilhada.
Entretanto fui sujeita a uma série de procedimentos, alguns deles degradantes para uma mulher em trabalho de parto, e principalmente, todos completamente desnecessários e desaconselhados pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Ninguém me pediu autorização para a realização dos procedimentos que envolviam a minha pessoa e o meu corpo, nem tão pouco fui informada de que iam ser realizados. Chegaram mesmo a injectarem-me substâncias sem me informarem do que se tratava e do porquê da injecção mesmo depois de eu questionar.
O Alexandre nasceu às 15h55 no meio de mais três procedimentos desnecessários: episiotomia, uso de ventosa e de fórceps. Isto porque o médico estava com muita pressa, o seu turno terminava às 18h e ainda tinha duas cesarianas para fazer e como o hospital não paga horas extraordinárias...
Nem durante a dilatação nem durante o parto permitiram a presença da doula nem do meu marido. Estive sempre sozinha. Aliás a solidão foi a dor maior e não tenho dúvidas que a presença da doula atenuaria a dor psicológica imensa que tenho do trabalho de parto (realizado no hospital) e do parto.

Logo depois do nascimento não me deixaram sequer ver o meu filho e só o vi duas horas depois quando mo trouxeram para mamar, como ele não mamou logo (porque não tinha vontade) levaram-no novamente e deram-lhe um biberão que ele vomitou. Devido a mais este procedimento inconsequente o meu filho passou mais de 48h numa incubadora com sonda gástrica, soro, monitorizado e longe de mim.

Sei que o seu trabalho não se centra no atendimento hospital mas sim no trabalho das doulas mas creio que os dados que lhe transmito no parágrafo anterior são importantes para vermos que o que a doula fez o ambiente hospitalar desfez. Depois de uma gravidez fantástica sem qualquer tipo de problema ou preocupação, uma preparação para o parto acompanhada pela doula Luísa e o trabalho de parto também acompanhado pela doula onde sempre fui tratada com respeito e carinho, chego ao hospital e toda a preparação anterior cai por terra e no seu lugar aparece a dor e a revolta de um tratamento indigno.

O acompanhamento pela doula durante a gravidez foi essencial para que eu pudesse viver a minha gravidez de uma forma bastante saudável e informada. Creio que se não fosse a assistência da doula Luísa durante a gravidez o meu filho não teria nascido no dia 23, como a natureza determinou mas no dia 9 de Novembro, data em que a minha médica queria que eu fizesse um parto induzido. Opção que nós recusámos precisamente porque estávamos informados dos riscos e consequências inerentes a uma indução de parto.


Já no pós-parto o acompanhamento pela doula continuou e posso dizer-lhe que foi determinante no sucesso da amamentação e no facto de eu não ter “caído” em depressão pós-parto. Assim que regressei do hospital a doula Luísa veio visitar-nos, trouxe-nos uns bolinhos e uma prendinha para o Alexandre, conversámos e estas visitas repetiram-se nos momentos mais críticos sempre que precisei.

O trabalho das doulas é fantástico!
Lídia Matos

Formação para novas doulas

Faltou apenas acrescentar uma parte da informação relativa ao local em Cascais, se a formação se efectuar nessa zona.
O local da formação será na Quinta do Marquês, a escassos 2 minutos da saída da A5/Alcabideche, e tem 26 hectares de terreno de uma beleza extraordinária, mesmo no meio do Parque Natural Sintra-Cascais.

A sala de formação tem uma kitchinette e espaço para 20 pessoas.
Tem um grande relvado a frente da sala por exemplo para as crianças brincarem.
O horário da formação é das 9h 30m até às 12h 30 e das 14h até às 17h 30m, isto de sexta a domingo.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Formação para novas doulas

O próximo curso de doulas, nos dias 29 e 30 de Abril e 1 de Maio, terá lugar ou em Lisboa (zona de Cascais) ou no Monte do Paio - Quinta de Educação e Ambiente, um centro de acolhimento integrado na Reserva Natural das Lagoas de SantoAndré e da Sancha, situado na Costa Alentejana junto à Lagoa de Santo André, concelho de Santiago do Cacém. Fica a cerca de 1h30 deLisboa. É um local com instalações de grande qualidade, e uma envolvente muito agradável, que com certeza nos trará ainda mais inspiração. Tem alojamento para todas, cozinha disponível para as refeições e uma sala ampla para a formação, com TV e vídeo. A escolha deste local permite-nos dar a formação a todas as pessoas que se inscreveram, que de outra forma ficariam de fora para já. Poderemos ter assim um grupo de 15 ou 16 formandas, por exemplo, e o facto de estarmos todas reunidas num espaço durante três dias permite um convívio e uma aprendizagem mais proveitosos, com mais tempo e mais calma, que favorece a troca de experiências e informação. Existem duas camaratas, uma com 12 camas outra com 4, e dois quartos com duas camas cada (total de 20 camas). O custo da estadia é de 10€por cama nas camaratas ou 30€ por um quarto com duas camas (por noite). O curso são três dias o que corresponde a duas noites de estadia, para quem quiser ficar. As mães que quiserem trazer crianças podem naturalmente fazê-lo. Pedimos às pessoas que fizeram a pré-inscrição neste curso, que digam se estão interessadas em fazer a formação neste local, ou se preferem que seja em Lisboa. Podem enviar as vossas preferências para doulasdeportugal@yahoo.com ou na nossa lista de discussão, http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/
Obrigada!

Carla Guiomar e Luisa condeço

quinta-feira, 10 de março de 2005

Ser Protagonista

O que é ser protagonista na hora do parto?
O que é ser protagonista da própria vida?

É poder escolher. Ter liberdade para escolher.

Usando quais critérios?
Aqueles que vêm do que se pensa, sabe, acredita e sente.

Por isso é importante estimular as mulheres:
- a buscarem informações de qualidade (cientificamente embasadas e sensatas)
- a tomarem consciência do sentido e do valor simbólico do parto
- a valorizarem suas necessidades físicas, emocionais e afetivas

Na era da informação, tem de tudo, lê-se de tudo, ouve-se de tudo.
Não é suficiente, porém, ter um título para ser um bom profissional.
Que tipo de saber precisamos na gestação e no parto?
Precisamos de um tipo de saber que não esteja vinculado somente ao conhecimento acadêmico ou à prática estabelecida e habitual. É necessário o bom senso e o conhecimento comprometido com o humano e que valorize o saber vivencial (de todos os agentes).

A função de discernimento que pode ter uma parturiente se manifesta plenamente quando ela se coloca estas perguntas:
- Sinto-me confortável com esses profissionais?
- Sinto-me bem nesse ambiente?
- Estou na melhor posição?
- Sinto-me confortável?
- Sinto-me livre para fazer o que desejo?
- Sinto-me respeitada?
- Dei meu consenso às intervenções que estão sendo feitas?
- Sinto-me amparada e apoiada?
- Sinto-me segura?

Colocar-se estas perguntas é um sinal de amor próprio e autovalorização.
Ser protagonista é sentir-se livre e ter coragem para dizer o que se sente, quer e necessita.
Uma relação profissional humanizada é aquela que é receptiva ao saber inerente àquela mulher, às suas necessidades, anseios, preferências e modo de ser.

Por Adriana Tanese Nogueira, coordenadora ONG Amigas do Parto, Brasil
in http://www.amigasdoparto.org.br/ce_obstetricia_03_11.asp

quarta-feira, 2 de março de 2005

Reportagem Revista Sábado

Na próxima Sexta-feira, 4 de Março, sai uma reportagem sobre as Doulas de Portugal na Revista "Sábado". Foram entrevistadas as doulas Carla Guiomar e Luísa Condeço, bem como mães que por elas foram acompanhadas. Aguardamos com expectativa!

I ENCONTRO DE HUMANIZAÇÃO DO NASCIMENTO EM PORTUGAL

No passado Domingo, 27 de Fevereiro de 2005, deu-se um passo histórico neste cantinho da Europa. O primeiro encontro de Humanização do Nascimento em Portugal foi um sucesso! Mais de 20 pessoas de vários pontos do país, entre doulas, mães e pais e profissionais ligados à maternidade, reuniram-se no Parque das Nações com o objectivo comum de tornar o nascimento humano num momento digno para as famílias, pleno de significado, amor e verdadeira segurança.
Deste encontro saíu a decisão, por unanimidade, de se constituir a Associação Doulas de Portugal como a organização dinamizadora do Movimento pela Humanização do Parto em Portugal. Dessa associação farão parte os sócios efectivos (as doulas) e os sócios amigos das doulas.
Todos juntos queremos devolver o protagonismo do parto às mulheres, aos seus filhos e às suas famílias. Queremos informar e inspirar uma nova geração de pessoas sobre o que realmente significa dar à luz e como esse momento é importante para o bem estar integral desse ser que nasce, dessa mulher que renasce e que reescreve a história da sua família. De mãos dadas com a sabedoria intuitiva e ancestral e com as modernas evidências científicas.
Um bom trabalho para todos nós!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Primeiro Encontro de Doulas em Portugal

O Primeiro Encontro de Doulas em Portugal vai realizar-se dia 27 de Fevereiro, domingo, pelas 15horas na Expo.
Doulas, amigas e outras pessoas interessadas na humanização do parto são todas bem vindas.
O encontro será nas escadas de madeira á saida do centro comercial Vasco da Gama, para o Parque Expo.

Informações através de doulasdeportugal@yahoo.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Parabéns à Susana Pinho

Muitos parabéns à Susana Pinho e ao Jorge pelo nascimento do seu filho Miguel, ontem dia 15 de Fevereiro às 20h53m.

A Susana chegou à Maternidade do Hospital Amadora-Sintra (onde foi muito bem recebida pela equipa de serviço) já com 10cm de dilatação.

Foi muito bem acompanhada pela Doula Cristina Pincho, a quem as Doulas de Portugal dão os parabéns merecidos!

Abraços a todos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Amamentação

"As vantagens da amamentação já foram irrefutavelmente demonstradas e as pesquisas actuais continuam a encontrar novos benefícios.

Ciente destes factos, a maioria das mães quer amamentar os seus bebés. Infelizmente muitas desistem da ideia ou desmamam cedo os seus filhos ao depararem-se com problemas para os quais não encontram o auxílio de que necessitam. Aquilo que acontece durante o parto, o nascimento e as primeiras refeições pode influenciar em larga medida o sucesso ou o fracasso da amamentação.
(…)
O que poderá ajudar as mães e os bebés a começarem a amamentação da melhor maneira possível?
Manter mães e bebés juntos após o parto é bastante útil.
Os recém-nascidos que começam a mamar num espaço de duas horas a seguir ao parto têm menos probabilidade de virem a ser desmamados cedo do que bebés que só começam a mamar quatro ou mais horas a seguir ao nascimento. Isto não quer dizer que nos casos em que o bebé necessite de escudos especiais (ou não possa mamar por qualquer outra razão), a amamentação esteja condenada ao fracasso, mas indica que estas mães e estes bebés precisam de auxílio adicional para conseguirem estabelece-la.
(…)
O sucesso da amamentação depende em larga medida do posicionamento correcto do bebé e da sua forma de tomar o seio. A melhor forma de aprender as posições mais favoráveis à amamentação consiste em observar várias mães a amamentar os seus bebés, mas na nossa sociedade, poucas mulheres têm essa oportunidade. Se tiver a oportunidade de assistir a reuniões da La Leche League durante a gravidez, aprenderá bastante sobre a amamentação.

A posição mais comum para a primeira amamentação é aquela em que a mãe se mantém sentada com as costas apoiadas e uma almofada no colo para segurar o bebé ao nível dos seios. Utiliza o antebraço, junto à articulação do cotovelo, para apoiar a cabeça do bebé, coloca o braço da criança à volta da cintura e, com a outra mão, segura o seio junto à cabeça do bebé. Deve ter o polegar na parte superior do seio e todos os outros dedos na parte inferior e bem afastados da auréola (área escura que rodeia o mamilo).
A mãe toca então suavemente com o mamilo nos lábios do bebé e, quando este reage dirigindo-se ao seio e abrindo a boca, usa o braço para o aconchegar contra o seio. Deve «fazer pontaria» à parte superior da boca do bebé, para que o lábio inferior fique bastante abaixo do mamilo.

Se todos estes passos forem correctos, não haverá dor."

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

La Leche League em Portugal

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Cesariana Anterior

“Antigamente, o lema era «uma vez cesariana, sempre cesariana». Quando uma mãe fazia uma cesariana era informada de que quaisquer bebés posteriores também teriam de nascer por cesariana. Pesquisas fiáveis demonstram claramente que na maioria dos casos, essas mães podiam perfeitamente ter um parto vaginal. As cesarianas de rotina motivadas por uma cesariana anterior conduzem a um grande número de operações desnecessárias.
(…)
A incisão uterina «clássica», mais antiga, é vertical e percorre a parte superior do útero, mais rica em tecido muscular e que se contrai durante o parto. Ocasionalmente, pode efectuar-se uma incisão em forma de «T invertido», constituída por um primeiro corte transversal, na parte inferior do útero, e por um segundo corte vertical, que vai da parte inferior à parte superior e musculatura do útero; este corte é efectuado pelo médico para criar mais espaço quando existem dificuldades em tirar o bebé. O aspecto da incisão cutânea – transversal ou vertical – nada tem a ver com a incisão uterina.

Com uma incisão transversal na parte inferior do útero, as hipóteses de ruptura são bastante reduzidas: o risco vai de 0,09 a 0,22%.
Os dados sobre o trabalho de parto nas mulheres com uma incisão clássica na parte superior do útero são muito escassos. As estimativas mais fiáveis relativas ao risco de ruptura vão dos 2,2 aos 14%. Os dados sobre o trabalho de parto em mulheres com uma incisão em forma de T invertido também são limitados: actualmente, a melhor estimativa sugere um risco de ruptura de cerca de 1,3%.
(…)
Quando as mães decidem ter um parto vaginal após cesariana deverá a assistência ao trabalho de parto ser diferente da assistência a um «parto normal»? A combinação das conclusões de várias pesquisas indicam que a mulher que entra em trabalho de parto após uma cesariana deve ser tratada exactamente da mesma forma que qualquer outra parturiente.”

“Gravidez e Parto - As Melhores Provas” de Joyce Barrett e Teresa Pitman

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

Tomar Decisões

"Num certo sentido, a experiência de gerar e dar à luz um bebé é um processo simples que, na maior parte das vezes, funciona na perfeição sem qualquer intervenção. É também um processo bastante complexo, com potenciais complicações e dilemas capazes de construir um desafio. Nas sociedades ocidentais, o sistema de saúde – concebido para lidar com esses desafios – pode tornar a gravidez e o parto mais complexos, interferindo na parte simples e normal da gravidez.

Têm sido realizados estudos e pesquisas consideráveis sobre a gravidez e o parto, mas estes nem sempre dão origem a respostas claras. As pesquisas demonstram que algumas das rotinas outrora comuns são inúteis. É o caso da monitorização fetal electrónica, as episiotomias e a raspagem dos pelos púbicos da mãe. Algumas pesquisas descobriram tratamentos que podem salvar vidas, como por exemplo a administração de gamaglobulina às mães com factor Rh-. Outras, limitaram-se a confirmar aquilo em que as mulheres sempre acreditaram: caminhar e efectuar movimentos durante o parto é útil, ter um apoiante é algo inestimável e as mulheres sabem quando e como fazer força para expelir os bebés.

No entanto, a pesquisa é apenas uma base de apoio. Cabe-lhe a si decidir como aplicar os resultados dessas pesquisas à sua situação individual. Trata-se do seu bebé, do seu corpo, da sua família e é você que vai conviver com as consequências das decisões que tomar. Sabe o que é importante para si e pode fazer as opções certas para a sua gravidez encarando os resultados das pesquisas como apenas um factor (sem duvida, importante) da tomada de decisão."

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Monitorização Contínua

"Tecnicamente, é muito mais difícil realizar uma monitorização contínua do que ter uma enfermeira que encosta um fetoscopio à barriga da mãe. Durante a monitorização externa qualquer movimento do feto ou da mãe pode dar origem à perda de sinal e tornar necessário o reajustamento da palheta. Por vezes o aparelho regista o ritmo cardíaco da mãe, o que poderá preocupar toda a gente, pois este é normalmente muito mais lento quedo que o do bebé. Assim que o bebé começar a deslocar-se pelo canal do nascimento, colocar a palheta sobre o seu coração torna-se um verdadeiro desafio, especialmente se a mãe estiver sentada ou á procura de uma posição confortável.

Elizabeth recorda: «Sempre que me mexia, o sinal sonoro que indicava o ritmo cardíaco no monitor tornava-se extremamente ténue. Eu entrava em pânico, o meu marido entrava em pânico e eu tentava não me mexer mais. Depois a enfermeira reajustava calmamente os cintos e ficava tudo bem… até eu me mexer outra vez. Passado algum tempo o meu marido pediu-lhe para desligarem a máquina e isso ajudou».

Noor achou o monitor limitativo. «Eles queriam que eu me mantivesse sempre na mesma posição mas isso era desconfortável. Queria liberdade para me movimentar. A certa altura a enfermeira entrou e disse: "Deixou de ter contracções?" Tinha voltado a mover a correia e a maquina não estava a registar nenhuma contracção. Ela ficou bastante irritada comigo por causa disso».

Quando se usa a monitorização interna, existe o risco de a pinça se soltar do crânio do bebé. Isto pode dar origem a um pânico momentâneo, pois dá a sensação de que o coração do bebé deixou de bater.
(…)
Grandes experiências clínicas (que incluíram 17 000 mulheres) compararam os resultados entre partos em que a mãe e o bebé haviam sido examinados intermitentemente através de um fetoscópio e partos em que tinha sido usado um monitor electrónico fetal.

Para aqueles que depositavam grandes esperanças no monitor electrónico fetal, os resultados foram decepcionantes: o número de cesarianas e de extracção por fórceps ou ventosas era significativamente mais elevado no grupo de monitorização continua. No entanto, para os bebés, os resultados foram exactamente os mesmos em ambos os grupos.
(…)
A conclusão inescapável é que a monitorização continua provoca um aumento das intervenções – cesarianas, fórceps e ventosas – sem qualquer vantagem para o bebé.”

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Humanização do parto: Qual o seu verdadeiro significado?

"Recentemente em acalorada discussão com um professor de obstetrícia da minha originária faculdade de Ciências Médicas me deparei com um fato que me pareceu digno de aprofundamento.
(...) Neste artigo ele tenta demonstrar o perigo de se criar Casas de Parto porque "nunca se pode ter certeza de que um nascimento seja isento de risco", terminando com uma acusação ao Ministério da Saúde afirmando que este tipo de "experiência" só serve para fazer economia às custas da segurança dos pacientes. Citava lugares do mundo onde os partos são exclusivamente hospitalares e "esquecia-se" de citar locais como a Holanda onde mais de 30% dos partos se situam fora dos hospitais e sob o cuidado de parteiras.
Quando fui aluno deste professor sempre me chamou a atenção a sua postura intervencionista, tecnológica, seu posicionamento claramente favorável às abordagens científicas e técnicas do parto e sua especial simpatia pela obstetrícia americana. Alguns anos antes, ao candidatar-se a cargo eletivo na Cooperativa Médica local, calcou sua plataforma médica na questão do combate aos "profissionais alheios à medicina" que estariam exercendo atividades na obstetrícia, numa alusão clara à atividade das enfermeiras obstétricas. Colegas me relatavam que no seu plantão no Hospital da Universidade ele proibira que enfermeiras da graduação realizassem qualquer tipo de atendimento obstétrico.
Bem, nada disso é surpreendente. Estas coisas todas eram do meu conhecimento. Sabia que ele como professor de obstetrícia reproduzia todo um arcabouço filosófico que sustenta e embasa o proceder ritualístico da obstetrícia contemporânea. Entretanto o que me deixou espantado é que nossa conversa iniciou-se com a seguinte frase por ele pronunciada: "- Dr, as coisas que aqui serão discutidas nada tem a ver com sua posição em relação à Humanização do Nascimento, até porque sou claramente favorável a ela."
Quando o meu honorável professor proferiu esta sentença eu fiquei pensando: existe alguma coisa que não está bem explicada a respeito da humanização do nascimento. Se este professor considera-se um defensor do Parto Humanizado, sendo que ele é o responsável técnico de uma maternidade que tem 80% de cesarianas, que trabalha como professor de obstetrícia e forma os obstetras que vão trabalhar posteriormente nesta mesma maternidade (e o faz há mais de 20 anos), escreve e discursa contra as Casas de Parto e não aceita o atendimento de obstetrizes em partos de baixo risco, o que sou eu então? Percebi que existe muita confusão conceitual nesta área, e que se quisermos realmente modificar estas questões temos que definir claramente qual a nossa proposta de modelo, o que queremos dizer com humanização, quais os nossos objetivos e as nossas metas. Assim como a discussão do "normal e natural", a discussão do "humanizar" faz-se necessária, sob pena de colocarmos em um mesmo saco gatos, cães, lebres, coelhos. Não é admissível que "humanização" torne-se um chavão vazio, como tantos outros que conhecemos, em que todos o utilizem sem a menor responsabilidade e sem ter consciência exata do que estão tratando.
(...) percebo que ainda não possuímos uma definição concreta e precisa do que entendemos por humanização, a ponto de um médico que me parece claramente um "intervencionista" tradicional auto-proclamar-se "humanista". Porquê?
(...) O equívoco que a mim parece evidente nas palavras do meu professor é que ele não tem conhecimento do que seja o projeto de humanização no seu sentido amplo e profundo.
Quando ele fala em humanizar está se referindo a tratar com mais gentileza e "humanidade" as pacientes nos Centros Obstétricos; refere-se a uma abordagem menos agressiva e mais racional do manejo das internações. Porém eu considero humanização do nascimento algo muito mais profundo do que isso. Vai além de fazer um centro obstétrico mais arejado, enfermeiras e atendentes sorridentes ou colocar vasos de flores nos quartos.
Humanização do Nascimento tem a ver com a posição em que a cliente/parturiente ocupa neste cenário. Neste sentido humanizar tem a ver com feminilizar. Enquanto o nascimento for manejado de forma masculina ele nunca será verdadeiramente humanizado. É inadmissível que um fenômeno tão intrinsecamente feminino seja gerenciado por pressupostos tão marcadamente masculinos! Se a paciente se mantém como objeto, como indivíduo passivo, como alguém sobre a qual recaem as forças cegas e desorganizadas da natureza, necessitando por isso um cuidado intensivo no sentido de salvá-la do seu destino cruel, então nem 1 milhão de flores, rosas, jasmins, cravos, orquídeas e nem milhares de sorrisos benevolentes tornarão este parto um parto humanizado.
O que torna um parto humanizado, ao contrário do manejo alienante que encontramos nas nossas maternidades, é o protagonismo conquistado por esta mulher. A posição de cócoras, a presença do marido/acompanhante, a diminuição de algumas intervenções sabidamente desnecessárias, o local do nascimento, etc. não são suficientes para tornar um nascimento "feminino e humanizado". É necessário muito mais do que isso.
Não existe humanização do nascimento com mulheres sem voz. É preciso que esta mulher, consciente da sua posição como figura central no processo, faça valer seus direitos, sua autonomia e seu valor. O que torna um obstetra (ou profissional do parto) humanista ou não, é a capacidade de estimular a participação, o envolvimento efetivo e a condução deste processo a quem de direito: a mãe. Sem estes requisitos de nada adiantam maternidades lindas, belas, arejadas, limpas, assépticas, com enfermeiras gentis e sorridentes.
(...) muito mais importante que a humanização da forma, é necessário instituir a humanização dos conceitos. É fundamental construir uma visão nova, que resgate este protagonismo perdido pela tecnocracia dogmática e fechada do cientificismo religioso.
(...) Enfim, o projeto de humanização do Parto e Nascimento inicia-se por uma definição clara do que entendemos por "humanizar", para que a partir de conceitos firmes e sólidos possamos construir um modelo mais justo e adequado para as mulheres, sua família e seus filhos."

por Ricardo Jones, obstetra brasileiro, ver artigo completo em http://www.amigasdoparto.com.br/ac015.html

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Chegar ao hospital

“As portas do hospital abrem-se e a parturiente entra. (…) Cada hospital tem as suas próprias políticas e rotinas e as variações podem ser drásticas, mesmo dentro da mesma área geográfica.
Quais são as rotinas que pode encontrar? E que medidas poderá tomar no caso de desejar evita-las? Lembre-se que o facto de algo ser rotina no seu hospital, não o torna obrigatório.
Na maioria dos hospitais, terá de fazer uma paragem na recepção e registar-se antes de entrar na ala da maternidade.
(…)
Quando chegar à ala da maternidade, a enfermeira começará a fazer a sua ficha. Vai querer saber quando foi que as contracções começaram e qual o intervalo entre cada uma. Vai perguntar-lhe se já houve sinal de parto ou se a bolsa das águas já se rompeu. Fará também algumas perguntas sobre o seu historial clínico, as suas gravidezes anteriores e sobre o decurso da actual gravidez, especialmente no que diz respeito a quaisquer testes especiais que possa ter feito.
(…)
Em seguida, a enfermeira medir-lhe-á a tensão, a temperatura e as pulsações e pedir-lhe-á para urinar para um recipiente….”

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

Parabéns à Madalena

Parabéns à Madalena e ao Rui pelo nascimento da Matilde, em casa, 10 minutos antes de chegar a parteira.
Não tenho palavras para vos contar a maravilha de ver bebés nascerem desta forma, tão natural, tão humana, tão segura.
Alegria, felicidade e saúde! Um beijinho grande para o Lucas também! Parabéns!
Luisa

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Parabéns à Claudia!

Parabéns à Claudia e ao François pelo seu bebé Rafael.
Que muitos sorrisos e alegrias vos acompanhem nesta vida a três!
Um abraço especial para Mértola!
Luisa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

Rolhão Mucoso

Durante a gravidez um rolhão mucoso bloqueia a entrada do cervix para evitar que bactérias entrem. Antes do trabalho de parto, este rolhão mucoso é expelido para que o cervix possa abrir permitindo a passagem do bebé, para se preparar para o parto

Quanto tempo depois da saída do rolhão mucoso começa o trabalho de parto?

A saída do rolhão mucoso é o sinal de que o seu cervix está a dilatar e que o corpo se está a preparar para o parto. O trabalho de parto podem estar a horas, dias ou até mesmo semanas de distância enquanto o cervix se abre gradualmente.

Qual é o aspecto do rolhão mucoso?

O rolhão mucoso pode ser claro, ligeiramente rosado ou raiado de sangue. Pode ser de consistência mucosa ou viscoso tipo corrimento. Algumas mulheres nem se apercebem da sua perda já que durante a gravidez há muito corrimento.

Quando devo telefonar ao médico?

Deve telefonar ao médico imediatamente se o corrimento passa a ser vermelho vivo e a quantidade for superior a duas colheres da sopa. Pode estar com placenta prévia ou placenta abrupta.

Placenta prévia é quando a placenta está baixa, podendo cobrir parte ou totalmente o cervix o que causa sangramento vaginal. Placenta prévia ocorre numa em cada 200 mulheres.

A placenta pode descolar do útero antes ou durante o trabalho de parto, a isto chama-se placenta abrupta e normalmente só 1% das mulheres grávidas têm este problema.

Retirado do site - http://www.pregnancy.org/
Traduzido por Rosa Macedo

domingo, 23 de janeiro de 2005

Episiotomia

Exertos retirados do Estudo Médico feito em Portugal por Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa em Lisboa, Dezembro de 2003

“A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
(...)
A episiotomia, um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia é, no entanto, um dos únicos que é realizado sem qualquer consentimento específico da doente. Foi introduzido há mais de 250 anos na prática clínica, sem uma evidência científica que fundamentasse o seu benefício, tendo como justificação a prevenção de lacerações perineais severas, uma melhor preservação da função sexual posterior, uma redução da incidência de incontinência urinária e fecal e a protecção do recém nascido. Mas, na verdade, para muitos autores o seu uso rotineiro não é aconselhável e deve ser abandonado, sendo recomendada uma filosofia mais selectiva.
(...)
Isto levou a que, nos últimos 20 anos, múltiplos trabalhos tenham tentado definir melhor as indicações e sequelas associadas à episiotomia; a maioria conclui não haver suporte para acreditar que a sua prática generalizada diminua, por exemplo, o risco de lesão grave do períneo, melhore a sua cicatrização, previna a lesão fetal ou reduza o risco de incontinência urinária.
(...)
Quadro I - Complicações da episiotomia

- Infecção
- Hematoma
- Roturas do períneo grau III e IV
- Celulite
- Deiscência
- Abcesso
- Incontinência de gases
- Incontinência de fezes
- Fístula rectovaginal
- Lesão do nervo pudendo
- Fasceíte necrosante
- Morte

Os riscos associados são, entre outros, a extensão da lesão, hemorragia significativa, dor no pós-parto, edema, infecções, hematoma, dispareunia, fístulas rectovaginais e, embora raro, a endometriose da episiorrafia.
A relação da episiotomia e a perda de sangue tem sido amplamente analisada, chegando a existir um trabalho (…) que defende que a hemorragia durante um trabalho de parto vaginal com episiotomia é maior do que durante uma cesariana... Uma revisão (…) conclui que a episiotomia está associada a uma importante perda de sangue intraparto e hemorragia pós-parto, em especial na mediolateral, e que evitando-a pode ser uma das maneiras mais eficazes de diminuir a perda de sangue excessiva observada em alguns TP.

Outra controvérsia surge relativamente à ideia de que com a episiotomia a dor no pós-parto é menor, quando comparada com as roturas espontâneas. Para além de serem necessários mais trabalhos que nos elucidem neste ponto, os que estão publicados parecem revelar que, pelo contrário, após uma episiotomia (independentemente do tipo realizado), a dor intraparto é maior, tornando-se mais incómoda no pós-parto imediato, sem existir, contudo, evidência condicionar sequelas a longo prazo relacionadas com dispareunia e duração do retorno à vida sexual.
(...)
Conclusão

O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.

Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”

Estudo Completo no Site da Ordem dos Médicos

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

"A ignorância origina o medo; o medo origina a tensão dos músculos e a tensão dos músculos origina a dor; enquanto que, pelo contrário, o conhecimento origina a tranqüilidade de espírito, a tranqüilidade de espírito traz a calma e a distensão física que impede a distensão da dor"

FENGEK BRENOSTRUP

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

Dar à Luz Hoje

"Um parto é bom quando deixa a mulher inteira, no mínimo contente consigo própria (e não somente porque está com seu bebê no colo), quando é respeitada (e se sente respeitada), é informada sobre os procedimentos que vão ser efectuados e, possivelmente (eventualidade raríssima) lhe é solicitado o consentimento para a realização de alguns deles, quando seus direitos como cidadã e ser humano são reconhecidos.
(...) As mulheres geralmente não são informadas sobre o que está acontecendo com elas, nem nos hospitais públicos, nem nos particulares. O que é do âmbito médico permanece em “segredo”. A parturiente é “paciente”, um corpo sujeito à intervenção médica. Uma vez que ela está lá e está pagando ao profissional, fica subentendido que ele recebeu a autoridade para fazer tudo (ou quase) o que ele (com sua formação, cultura, hábitos e crenças) julgar necessário. Nenhum procedimento de rotina é comunicado às parturientes. Muito menos é perguntado a elas se os aceitam. Não só. Durante o pré-natal, inclusive dos “obstetras cinco estrelas” (porque, repito, essa não é uma questão que muda com a classe social da parturiente, uma vez que frente ao médico são todas “pacientes”), não é explicado à mulher como é o parto normal hospitalar, nem como é que acontece uma cesárea. As mulheres vão ao hospital vedadas. Não sabem o que as espera. Muitas delas podem até, sob sugestão do próprio profissional, ter visitado a maternidade, para se “ambientar”, para conhecer o quarto, o berçário e a sala de parto. Mas ninguém lhes diz o que passarão lá dentro, quais são suas opções e quais seus direitos. Dar à luz hoje se tornou uma façanha para a mulher que quer estar consciente e ser activa durante o nascimento de seu filho. O movimento pela humanização do parto nasceu para contribuir para uma mudança efectiva nesta direcção: oferecer o suporte físico, psicológico com informações de qualidade e orientações para que ela possa viver seu parto com segurança, satisfação e plenitude."

Adriana Tanese Nogueira (adaptado)
Texto integral em http://www.amigasdoparto.org.br/ce_parto.asp

terça-feira, 18 de janeiro de 2005

Doulas de Portugal na TV

Está confirmado! As Doulas de Portugal passam hoje no Primeiro Jornal da SIC, às 13h.

Doulas na Sic!

Muito provavelmente, hoje, no Jornal da Tarde (13h) da SIC, canal 3, poderão ver uma peça sobre as Doulas de Portugal, e a formação para novas doulas.

Digo muito provavelmente pois ainda não tenho a confirmação da jornalista Andreia Vale, que foi muito simpática em avisar-me a esta hora.

Ficam todos e todas avisados também!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2005

Nova Lista de Discussão

Devido a problemas técnicos no Google, mudámos a nossa lista de discussão para o Yahoo.
Se desejar conversar, trocar ideias com outras mães e pais ou esclarecer dúvidas sobre a sua gravidez ou parto, junte-se a nós!
Clique em http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/

Sejam todos bem vindos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Leite materno, como é?

Leite do começo e leite do fim
O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que a sua composição muda até mesmo durante a mamada!

Leite do Começo:
O leite do começo surge no início da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.

Leite do Fim:
O leite que surge no final da mamada parece mais branco do que o leite do começo porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais ricoem energia.
Fornece mais da metade da energia do leite materno. A criança precisa tanto do leite do começo quanto do fim para crescer e sedesenvolver. É importante deixar que ela pare espontaneamente de mamar. A interrupção da mamada pode fazer com que receba uma pequena quantidade de leite do fim (e, consequentemente, menos gordura).
Sites com dicas:
http://www.orientacoesmedicas.com.br/aleitamentomaterno.asp
http://correcotia.com/mamae/
http://www.aliancapelainfancia.org.br/paginas/vitalidade.htm
http://www.aleitamento.org.br/manual/composi.htm

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

Humanização do Parto

(...)Sou médico também, obstetra e homeopata, e trabalho no R. Grande do Sul, mais exatamente em PortoAlegre, e todos me chamam de Ric.
Eu, por outro lado, não concordo com esta afirmação de que "não importa a maneira do nascimento(normal/cesariana), mas sim o resultado final". Lutamoscontra esse tipo de conceito há muitos anos. Se eu fosse jogar futebol e voltasse sem uma perna, não aceitaria que me dissessem: "ok, o importante é que vc está vivo, e vc não é menos homem por não ter uma perna, certo?"

Se eu soubesse que perdi minha perna porque foram negligentes com as minhas necessidades e minhas vontades, eu ficaria muuuuito bravo. Achou demasiado comparar com uma amputação? Pois se vc ler alguns depoimentos de cesariadas vai perceber o quanto a cirurgia amputou uma parte importante da sua feminilidade. E o quanto isso ainda dói em muitas delas. Eu também acho que uma mulher não se define por seu parto, assim como acho que um homem não se define por suas pernas ou por sua capacidade de engravidar e ser pai.

Mas experimente dizer a um homem: "vc não pode engravidar uma mulher, mas não tem problema, basta ir a um banco de sêmem e vocês podem ter filhos sem problema. Vc não vai se sentir menos homem por isso, né?"Assim, não acho cabível que se desconsidere o processo; porque a mulher É o processo. Quando dizemos "o final é que importa" estamos considerando apenas os produtos: uma mulher viva (como se a única coisa importante num parto fosse sobreviver a ele) e um bebê saudável (o produto "social" - nãomaterno). Este posicionamento (é bom quando todos sobrevivem), por mais honesto e correcto que possa parecer, é a antiga ladainha dos cesaristas. É assim que se explicam todas as cirurgias desnecessárias, os procedimentos impensados, as intevenções extemporâneas, porque sempre sobra essa frase para ser dita no final. Depois de uma invasão da integridade de uma mulher, sempre há um obstetra que virá dizer: "Mas porque você está chorando? Você está se recuperando bem da inflamação nos pontos, e seu bebê até que está engordando na pediatria. Viu? Eu não falei que no final ia tudo dar certo?

Mais de 99% dos residentesde boas intenções desistem de um caminho humanista pelos obstáculos que encontram, mas aqueles que sobram acabam se tornando o "melhor da raça",porque resistiram à avalanche de críticas e à violência da eclésia médica, pois tinham suficiente paixão pelas mulheres para sobreviver aos ataques.Apenas quis apontar um discurso que conheço há 22 anos, que é a fala dos que apenas apontam o resultado como significativo.

As mulheres mutiladas neste país sabem que isso não é verdade; elas sabem da importância do caminho, muitas vezes mais digno e relevante do que a chegada. Espero que você tenha força de continuar em sua jornada transformativa, e que comprenda que existem diferenças entre um verdadeiro humanista do nascimentoe um médico carinhoso e gentil. Humanismo não se relaciona (diretamente, ao menos) com "humano" ou "humanidade".
Relaciona-se com uma corrente filosófica chamada "humanismo", que situa-se doutrinariamente numa posição antropocêntrica, e que se baseia na defesa dos valores humanos como preponderantes.

O humanismo contrapõe-se à tecnocracia, por ser esta um sistema de poder que oferece supremacia àqueles que controlam as máquinas, deixando o humano em plano secundário.
Ser humanista do nascimento é fazer a mulher protagonista de sua história, devolvendo-lhe a capacidade de gerir seu futuro e seu destino. "Humanizaçãodo nascimento é devolver protagonismo à mulher. O resto é sofisticação de tutela", já me soprava o Max desde os tempos em que eu tinha a sua idade. (...)

Carta de Dr. Ricardo Jones a Érica, em Lista do Parto Nosso

domingo, 2 de janeiro de 2005

A Doula no Parto

Há pouco tempo, a palavra doula passou a ser conhecida como a mulher treinada e com experiência em nascimentos, que provê suporte físico, emocional e informacional à mulher e sua família durante o trabalho de parto, parto e pós-parto. No entanto o papel da doula é antigo. Ao longo da história e em diferentes culturas, a mulher recebe apoio, encorajamento e companheirismo de outras mulheres durante o trabalho de parto, o nascimento e as primeiras horas, dias e semanas após, as quais recebem o recém-nascido em seus corações (…). É assim que o movimento das doulas passou a tornar-se global. (…) A partir do momento em que o parto se tornou tecnocrático, separando o corpo da mente e conduzindo-o para um ambiente altamente tecnológico – como diz a antropóloga americana Robbie Davis Floyd, “vendo o corpo como uma máquina” – um pequeno grupo de mulheres começou a ocupar um lugar no trabalho de parto e na consciência de um modelo holístico de nascimento, honrando e ajudando mulheres a integrarem corpo, mente e espírito á medida que vivenciam o rito de passagem para maternidade. As doulas estão se tornando benvindas, apreciadas e recomendadas nas maternidades. Os benefícios que promovem vão muito além das reduções expressivas em cesarianas. Já foi provado que mulheres assistidas no parto por uma doula experimentaram maior satisfação com a experiência de dar à luz, elevaram a auto-estima, sentiram-se mais positivas com os seus bebés e diminuíram as taxas de depressão pós-parto.
Os benefícios para a sociedade incluem a redução de custos com os cuidados obstétricos e a obtenção de forma mais natural de bebés e mulheres mais saudáveis.
Acredito que se almejamos um mundo mais pacífico e menos violento, devemos rever o modo como recebemos novas vidas neste mundo. Quando as mulheres e suas famílias são apoiadas, respeitadas e cuidadas continuamente pelas doulas de maneira agradável e humana durante o parto, as mães sentir-se-ão mais capazes de criar laços e cuidar de seus bebés com carinho e amor nestes importantes primeiros momentos.

Texto (adaptado) de apresentação do livro de Fadynha - "A doula no parto" - por Debra Pascalli-Bonaro, conhecida doula norte americana.

Novo endereço electrónico das Doulas

Pedimos desculpa, mas devido a problemas constantes com o nosso endereço electrónico no Sapo, decidimos criar uma nova conta no Yahoo.com para a vossa correspondência.
Assim, e quando desejarem entrar em contacto connosco podem escrever-nos para doulasdeportugal@yahoo.com
Um muito obrigada pela vossa compreensão!

terça-feira, 28 de dezembro de 2004

Formação para novas doulas

As Doulas de Portugal vão realizar em Janeiro de 2005 uma acção de formação para novas doulas. O programa deste curso é idêntico ao Paramanadoula Course de Michel Odent e Liliana Lammers e abordará temas como:
- parto fisiológico;
- benefícios comprovados das doulas;
- nutrição na gravidez;
- importância da água no trabalho de parto;
- medicina baseada em evidências científicas;
- primeiros socorros em obstetrícia;
- amamentação;
- etc.
A Formação terá lugar em Lisboa dias 14, 15 e 16 de Janeiro, com o custo de 150 Euros.
As inscrições estão completas mas contamos fazer uma nova formação em breve.
As interessadas deverão enviar para doulasdeportugal@yahoo.com
ou doulasdeportugal@hotmail.com a seguinte informação: nome, morada, contacto e razões para a formação, de forma a fazerem uma pré-inscrição.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Dignificar as Parteiras

"Para realizar o parto em casa, ter-se-ia que estabelecer uma maneira de coordenar o trabalho, fora e dentro das instituições. Precisamos uns dos outos e, sem uma boa rectaguarda, um parto em casa torna-se um perigo.
O lugar do obstetra é, sem dúvida, no hospital, para os partos distócicos-patológicos. O lugar da parteira é, dentro e fora das instituições, para os partos eutócicos-normais. Todo o treino que as parteiras tiveram foi para serem as grandes especialistas do parto normal. A evolução da obstetrícia, a ultra tecnologia, levou à degradação do papel das parteiras, que passaram a ser profissionais dependentes, serviçais dos obstetras. Vamos ter que fazer os impossíveis para sair desta posição. No estrangeiro, as parteiras reúnem-se para encontrar o seu lugar perdido na nossa sociedade.
Pedem para:
nunca perderem a sua humanidade;
terem a sua sabedoria sempre em dia;
que sejam as suas mãos o melhor de todos os instrumentos.


Dantes, dizia-se de uma mulher grávida que " estava de esperanças".
Temos que ter esperanças num nascimento diferente".

In Beija Flor Natural, nº21
Artigo da parteira Maria Inácia Chaves, a quem enviamos daqui um abraço.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Portugal não promove o aleitamento materno

(...) Cerca de 90% das mulheres portuguesas amamentam os filhos desde a nascença, mas apenas um terço o faz até aos seis meses, revela uma investigação europeia, segundo a qual Portugal não promove o leite materno. (...) No estudo, Portugal é apontado como um dos onze países que não possuem políticas nacionais sobre a amamentação, incluindo incentivos para a utilização do leite materno até aos seis meses e a divulgação das boas regras para o fazer.
(...) Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com maternidade.(...)

Notícia publicada no Jornal Público de 14 de Dezembro de 2004

Texto integral em http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/14/Sociedade/S06.html

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Mutilação Genital Feminina

Passa hoje, dia 15 de Dezembro, às 23h 45m na RTP2 um documentário sobre a excisão do clitóris, uma mutilação genital feminina, executada em vários países, inclusivé em Portugal!!
Para saberem mais:
http://www.stopfgm.org O site de uma organização internacional que luta contra esta prática e onde vocês podem assinar uma petição.
http://www.dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=967 Os excelentes dossiers do Jornal Público on line.
http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/05/Publica/TM10.html Link para a entrevista ao cirugião francês Dr. Pierre Foldès, que faz reconstrução genital a mulheres que sofreram este horror. Link deixado pela Rosa. Muito obrigada!

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Lista de discussão

A nossa querida amiga e futura doula Rosa inaugurou uma lista de discussão sobre humanização do nascimento e podem todas participar, para perguntar e saber mais.
A lista encontra-se neste endereço: http://groups-beta.google.com/group/DoulasdePortugal

segunda-feira, 13 de dezembro de 2004

Teste o seu médico...

Encontram aqui uma lista bem humorada de perguntas a fazer ao vosso obstetra. Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom informal, as "respostas certas" foram inspiradas nas evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. Por Ana Cristina Duarte, doula brasileira.
http://www.amigasdoparto.com.br/teste.html

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

Parabéns à Lídia...finalmente!

Parabéns à Lídia e ao Paulo pelo seu magnífico bebé Alexandre, nascido dia 23 de Novembro, terça-feira.
Digo finalmente pois é costume nosso darmos estas notícias no próprio dia. Mas este parto foi um parto doloroso para todos e para mim como amiga e doula também o foi. Mas não é para falar disso que estou aqui.
Hoje vi a mãe e o bebé numa simbiose perfeita, num equilíbrio de amores que salta à vista. Temia por este enamoramento mas afinal estava errada... há ali um amor à primeiríssima vista, duma mãe lutadora como poucas e dum bebé que nos olha como se desejasse contar uma história. Que pena tenho que ele ainda não fale!
Ao pai, fica aqui um abraço especial, pela honra e sensibilidade mostrada ao longo de todo este processo. Vocês os três estão no meu coração.
Obrigada por me deixarem participar destes momentos tão especiais na vossa vida. Luisa

BabyFeiraMix

Estivémos este Domingo, na Casa dos Dias da Água, para a conferência das Doulas de Portugal, incluída no programa da deliciosa BabyFeiraMix, que foi um sucesso absoluto e espero que se estabeleça como um evento anual neste nosso pequeno país onde tanta falta faz! Eu por mim, estarei lá sempre estacionada! Tive o prazer de assistir a três magníficas conferências sobre vacinas, sobre as escolhas educativas e projectos alternativos de ensino. Que interessantes workshops para os miúdos e graúdos, e que delícia de brinquedos artesanais, os lindos bonecos da Rosa Pomar, ternurentas bonecas de trapos e histórias de encantar.
Quanto à nossa conferência, mais do que esse acontecimento formal, foi um verdadeiro encontro de mães e futuras mães e também alguns papás... e que lindos estavam os bebés aconchegados junto aos seus corpos, envoltos em panos coloridos. Tanta gente bonita reunida e em sintonia. Que bem que se estava ali. Foi uma tarde cheia, mas tranquila e doce... Como dizia o Sérgio Godinho, soube a tanto e portanto, soube a pouco... Fica a vontade de muitos mais encontros, de conhecer melhor todas e todos que naquele dia nos ouviram atentamente e que enriqueceram o encontro com a sua presença e as suas experiências de maternidade. Tanto havia para dizer e ouvir que as conversas se prolongaram nos corredores, nas escadas, eu e a Luisa dividindo-nos para atender a todas as solicitações, anotar contactos, combinar encontros. Muito obrigada a todas pelas mensagens de felicitação e apoio ao nosso trabalho que tão bem sabem e nos lembram todo o sentido da nossa caminhada.

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

Benvinda Íris!

O sol brilhou neste dia de Outono para receber a pequena Íris, a fihota linda da Lia e do Heitor. Os papás valentes ficaram na tranquilidade da sua casa durante toda a primeira fase do parto e a Lia já chegou ao Hospital do Barreiro com a dilatação completa. Pouco depois, nascia a Íris, com 2525 gr, na presença da enfermeira Graça, do enfermeiro Luís e desta doula que vos escreve... No Hospital todos elogiavam a valente mãe: "tomara todas fossem assim"! "É a cara do Heitor!" dizia a mamã orgulhosa e feliz. Aqui deixo uma nota particular de agradecimento à enfermeira Graça que já conhecia as doulas e apoiou o nosso trabalho. Que bom que é quando todos estamos em sintonia e trabalhamos juntos para ver chegar um bebé ao mundo, cada um sabendo qual é o seu lugar e sobretudo respeitando o lugar da mãe que é no centro! Mas deixo o resto para os próprios pais descreverem, porque eles foram os actores principais e estão de facto, e por todas as razões, de parabéns! Muita luz e muito amor para esta nova família!

Parabéns à Lia

Parabéns à Lia e ao Heitor pelo nascimento da Íris agorinha mesmo!! E um muito obrigada à Doula Carla pela disponibilidade e pelo carinho. Mais detalhes para mais tarde.
Felicidades e dias ensolarados para vocês os três!

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Entrevista com Ricardo Jones

O Dr. Ricardo Herbert Jones é médico ginecologista, obstetra e homeopata em Porto Alegre, RS, no Brasil, onde já atendeu a mais de 1500 partos em 17 anos de profissão. Adepto do parto natural e um grande entusiasta do parto humanizado, é também um dos líderes na discussão sobre a melhoria da qualidade no atendimento às parturientes. É membro da Rehuna, consultor médico das Doulas do Brasil e do grupo Amigas do Parto. Trabalha há vários anos em parceria com a doula Cristina Balzano e com sua esposa, a enfermeira obstetra Neusa Jones.

Doulas do Brasil: Qual o maior benefício da presença de uma doula para a mulher que está sendo atendida?
RHJ: O contato da feminilidade produz um clima de intimidade, carinho, afeto e acima de tudo segurança. As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento.

DB: Que benefícios você, como médico, tem quando a sua cliente contrata uma doula para acompanhá-la no parto?
RHJ: A diminuição da minha ansiedade, da pressa, da angústia, do medo e de todas as intervenções médicas decorrentes secundariamente destes sentimentos. Hoje em dia minha taxa de episiotomia, fórceps, indução com ocitocina ou mesmo ruptura artificial de bolsa de águas é praticamente zero. Minha taxa de cesarianas está num nível dentro dos parâmetros da OMS (abaixo de 15%) e muito desse resultado devo à parceria que estabeleci com a doula e a parteira que me acompanham.

DB: E antes?
RHJ: Quando eu fazia o mesmo trabalho, e sob os mesmos pressupostos ideológicos (parto verticalizado, sem episiotomia, uso restrito de drogas e intervenções, presença de uma pessoa de livre escolha da mãe, etc...), meus resultados não eram tão bons como são hoje com o auxílio prestimoso das doulas. Certamente que a ajuda destas profissionais pode produzir uma modificação vigorosa nas práticas hospitalares, aproximando nossos índices daqueles preconizados pela OMS e outras entidades que tratam da questão do parto. A entrada das doulas no cenário do parto produziu um "plus" de qualidade, ao incorporar um toque de feminilidade e intimidade, arrancando o nascimento da sua vinculação com o tecnicismo e a alienação.

DB: Pela sua experiência, de que forma a doula interfere na participação do pai durante o parto? RHJ: Diminuindo a tensão e a angústia dele. O pai pode ser um elemento desestabilizador do processo do nascimento, desde que esteja mal preparado psicologicamente para enfrentar este desafio. A doula, com sua afetividade, carinho, presença e suporte, pode oferecer ao pai a tranquilidade de que ele tanto necessita para se tornar um facilitador do parto para a sua esposa. Estando ele tranquilo, sereno e confiante, vai envolver sua companheira num campo vibracional de positividade e reasseguramento (ao invés de ser um "emissor de adrenalina", como diz Dr Michel Odent) interferindo, assim, positivamente no sucesso do evento.
DB: Como as suas clientes costumam avaliar a influência da doula em seus partos, nas consultas de retorno? RHJ: É muito interessante. Várias vezes eu fiquei morrendo de ciúme do que elas falam das doulas. O encantamento, a vinculação e a gratidão são impressionantes. Existe uma cumplicidade verdadeiramente feminina, algo que soa como "Você me ajudou naquele momento. Você estava lá o tempo todo ao meu lado. Você presenciou meu choro, meu riso, meu medo e minhas lágrimas de alegria. Você me viu parindo meu filho, e este foi um dos momentos mais belos da minha vida. Estamos juntas, num elo de sangue e amor, para sempre." Fico emocionado quando elas me relatam isso, porque vejo uma coisa feminina, bela, amorosa. É algo que jamais esquecemos, e tenho certeza que estas pacientes jamais vão perder estas lembranças.

Vejam a entrevista completa dada às Doulas do Brasil em:
http://www.doulas.com.br/art12.html

O "Big-Bang" de Cada Um de Nós II

Quando saí do elevador no piso onde a minha mulher estava, dou de caras com o meu vizinho de cama, com ar consternado, desolado. O seu filho já tinha nascido, era a segunda vez que isso acontecia. Tinha ido à casa de banho, e num ai, como na primeira vez, ele que sempre ficara ali ao lado na cabeceira da cama, o seu filho não esperou pelo alívio breve do seu pai.

- E o seu também já nasceu.- diz-me. Que não, respondo confiante, o meu só virá a este mundo lá para as cinco da tarde, e se tudo correr bem.

- Não, o seu já nasceu. - Começo ali um balbuceio que vai da incredibilidade aos olhos rasos, aquoso. Preparei-me tanto eu para isto e ele veio assim sem avisar, não pode ser, estou inconsolável, bato à porta, demoram a abrir,algo se passa, aparece uma enfermeira,

o seu filho já nasceu, é um rapagão com 3,750 kg,

senti-me estranho, porque é que ela me fala assim? , porque é que falamos uns assim com os outros?, neste momento estou-me borrifando para o peso dele, tenho tempo para entrar - e sair - neste vai de roda dos percentis, só quero saber quem sou, que família tenho, se a mãe e ele estão bem, por esta ordem, estão todos bem, já lhe disse, é um rapagão e pesa 3,750 Kg, responde-me a enfermeira.

Nos próximos cinco minutos, até que novamente a porta se abra e eu possa entrar por breves momentos para pegar no meu filho ao colo, fico ali com o meu companheiro de infortúnio.

- A gente não gosta menos deles por isto. É mais uma questão de que quando nos perguntam ficarmos assim um bocado... - Aquela bondade, ali, é enternecedora. Sorrio.

Abre-se a porta. A enfermeira chama-me. Acabei de entrar e ela pela primeira vez olha para o outro pai expectante:
-O que é que está a fazer aí? Para o pé da sua mulher, já! Ela precisa de si.

Um pequeno milagre. A filha dele não tinha nascido. Fora o meu que nascera e ele assumira-o - era a carga que tinha a esse respeito, talvez - como se tivesse sido a sua. Não era. Lá foi contente para dentro da sala como se se tivesse livrado de uma maldição.

A enfermeira traz-me um volume envolto em panos, num cobertor. A minha mulher tinha sido escrupulosa nesse domínio. Havia uns trapinhos para quando ele acordasse, depois outros para vestir enquanto fosse beijado, admirado e presenteado por todos os reis magos deste nosso "Big-Bang". Era nesses primeiros panos que vinha envolto o Menino de Todos os Meus Dias.

Era tão bonito. Aquela pele vermelha, macerada ainda pela força da expulsão, os olhos abertos, já a olhar para mim. Ele já olhava para mim. As mãos de pequenissimo polegar. Não o conseguia ver. Entre mim e ele havia uma cortina literal de água. Eu dizia o hit de todas as frases pimba que podem estar disponíveis a um batráquio, quer dizer, a um homem. Ai meu rico menino, meu rico filho, era a menor delas.

Imagine-se. A parteira e a enfermeira, a dois metros de mim, riam-se, gozando.
-Chora tanto. - Dizia uma.
-Quem, o bébé? - perguntava a outra.
- Não, o pai. - Retorquia a primeira.

terça-feira, 16 de novembro de 2004

O "Big-Bang" de cada um de nós I

Lembrar-me-ei sempre, sem algum registo de todos os momentos que vão entre as 5 h da manhã e as 15h do dia 18 de Fevereiro de 2001. Mesmo que cada vez mais a memória seja uma espécie muito caprichosa, respondo pelo futuro: nunca me esquecerei. Talvez não saiba dizer o que aconteceu no mundo nesse dia. O meu mundo estava todo ele concentrado num acontecimento que haveria de trazer a alegria do "big-bang" para dentro do meu universo.

Lembro-me de acordar e ver a cara dela, muito calma, sorrindo, dizendo:
-Rebentaram-me as águas, Quim.

Voltei-me e fechei os olhos durante meia dúzia de segundos, era a sério, desta vez era a sério, há três semanas tinhamos tido um ameaço exactamente à mesma hora, depois de cinco horas passadas numa maca de hospital voltarámos para casa, desta vez a cama molhada, não há falsas águas, era a sério. Durante esses breves segundos, que a ela lhe pareceram uma eternidade, revi mentalmente todo aquele preciso e milimétrico check list que já tinhamos feito em conjunto. Vi cinco ou seis pontos, todos eles em branco. Abri os olhos, haveríamos de saber o que fazer. Dou um salto da cama e logo ali tenho o meu instante histérico, de excitação, alegria e histeria. Senti-me verdadeiramente incapaz para a tarefa que a Natureza me tinha destinado.

Ela, extraordinariamente calma, dirigiu-se para a casa de banho, ía tomar um duche e comer alguma coisa. Contra todas as indicações que tinhamos recebido. E aí eu percebi que ela sabia algo que não estava em nenhum livro de ilustrações sobre a arte de bem parir: que o momento da gravidez é um momento todo ele consagrado à mulher e que tudo o que ela faz para se sentir bem e capaz para o desafio que vai enfrentar pode fazer. De nada me valia recitar-lhe as encíclicas dos nossos livros santos destas últimas semanas, como os vários exemplares da Pais e Filhos espalhados pela casa, ela dizia-me invariavelmente:
- Não vou estar ali horas e horas e horas sem...

Ia chamar o taxi. Ela olhou para mim abanando a cabeça, ía cumprir a ameaça, que vergonha!, ía telefonar ao pai. "Se não tirares a carta, chamo o meu pai!". Não se pode discutir com uma mulher que tem de estar nas suas melhores condições para a festa, pensei, assumindo com tristeza a minha primeira ferida no meu orgulho de pai.

Veio o pai e a mãe, claro. Lembro-me de todos os momentos, das corridas hospital acima, hospital abaixo, do cheiro das paredes, do chão, das cores tristes, aquele recanto onde passamos as primeiras horas deste mistério é lúgubre, quase sinistro.

Eram umas sete horas quando ela subiu, eu só pude ir ter com ela já eram quase nove horas, estas duas horas estão-me gravadas na pele, entraria na mudança de turno, nunca percebi bem porquê, naqueles momentos estamos predispostos para nos concentrarmos totalmente no essencial, é por isso que eu sinto que os hospitais deveriam cuidar mais de perceberem isto, que quando os procuramos estamos tão frágeis como se fossemos chamados a dialogar directamente com a vida e a morte, sendo que em cada uma delas há a outra que espreita.

Das 9h às 14h estive continuamente ligado a ela. Limpando-a. Com uns panos horrorosos, porque não absorviam aquela langonha feita de água, excreções e sangue, uma matéria viscosa que escorregava dos trapos luzidios, tudo isso pode ser belo, disseram-me, confesso que me custou muito, entre isso e o resto agarrar na sua mão e respirar fundo, fazer os exercícios respiratórios adequados a cada momento, observar o ctg, observá-la a ela cada vez com mais dores e ainda com uma dilatação mínima.

Não sei como passou o tempo, só sei com que é que se passou. A minha vida era aquela cama, um aparelho onde tinha de observar os valores, os seus olhos que tinha de acarinhar e incentivar, estavam mortiços, doridos, a mão segura pela minha mão, e a respiração. Volta e meia as dores, as guinadas eram tão fortes que desistia de respirar. Era eu que lhe voltava a pegar no sopro e retomávamos as respirações, de acordo com aquilo que tinhamos aprendido para o período expulsório.

Olhei para o lado. Outra cama, outro homem, outra mulher. Havia de facto uma diferença, e a diferença vim a comprová-lo mais tarde, a partir da conversa com ele, tinha sido mesmo os sete meses anteriores, o tempo que tinhamos vivido nesse período.

Eu estava de rastos. As pernas tremiam-me. Tinha fome. Estava sem comer nada, rigorosamente nada, desde as cinco da manhã, só me lembrara disso já tinha a bata verde vestida. Curioso isso. Tantas e tantas vezes tinha de andar com uma bolacha no bolso porque a partir das três horas sem comer começava a sentir-me mal e agora, estava há nove horas sem comer nada, ali, pensei várias vezes que desfalecia, mas depois olhava para ela, ausentava-me de mim, era importante permanecer.

Às duas horas um concílio de sábios, ou de médicos, passou pela nossa cama e disse com nariz altivo perante os pedidos dela para que lhe fizessem a epidural. Antes de passarem umas duas ou três horas não será, não tem a dilatação necessária. Foi então tempo de sair para comer alguma coisa e fazer uma ronda telefónica pelas nossas principais capitais do nosso mundo. "está tudo bem, estou só a comer algo e vou voltar para dentro, quando houver fumo branco volto a telefonar".

Quando cheguei, passados vinte minutos, ao bloco onde ela estava, nem queria acreditar no que se tinha passado.

(Continua no próximo capitulo)

domingo, 14 de novembro de 2004

A vida que está dentro do tempo em que (realmente) vivemos

Vou finalmente corresponder ao simpático convite.

Fui pai tardio, tinha 38 anos. O que tem consequências complicadas, não irei sair com o meu filho como tantas vezes, aos vinte anos, imaginei, tem outras, benignas, como a da própria experiência nos encaminhar para uma valorização natural de todos os momentos que rodeiam o nascimento de um filho.
Comecei a ser pai numa noite de Santo António em que a mãe do meu filho me ofereceu um manjerico em cujo verso estava escrita a notícia feliz, mas só um mês e pouco mais tarde, na primeira ecografia vaginal, ouvi pela primeira vez o bater do coração do meu filho.
Começou aí um percurso que me levou a diferentes sessões de preparação para o parto, que muitas vezes amigos me diziam ser um excesso porque nada disso era preciso, que os filhos sempre tiveram sem nada dessas modernices, que era só uma forma de gastar tempo e dinheiro.
É certo que toda a Natureza nos acompanha e nos ajuda no nascimento de uma criança. Vai-nos moldando o corpo, adaptando o espirito, leva-nos pela mão até ao grande momento. Não menos certo: valorizar a preparação e o acompanhamento do período pré-parto é não só, ao contrário do que à primeira vista muitas vezes pode parecer, uma desdramatização do momento do nascimento, e consequentemente da tensão que ele pode induzir, como é permitirmo-nos crescer enquanto pessoas. Só não digo que os sete meses de preparação para o nascimento do meu filho foram o tempo mais importante da minha vida porque quando se tem um filho em idade de crescer esse tempo está sempre por vir, mas foram seguramente o tempo onde eu aprendi a viver de uma forma que eu não conhecia. Que eu interiorizei o que é a vida de um modo que nunca me tinha sido revelado. Ainda hoje sinto em algumas reacções dele consequências dos longos tempos em que ouvimos música, poesia, que lhe toquei.
E a riqueza desse tempo chega-nos mais facilmente quando o partilhamos. É um tempo de um excesso de turbulência na comunicação. Abundam os inputs mágicos e não imediatamente decifráveis, nomeadamente os sinais que nos chegam do corpo do bébé, é também prolixa a nossa necessidade de falar àcerca daquilo que sentimos. É para mim positivo tudo o que reforce a nossa atenção para esse momento muito especial em que nos damos a uma das nossas funções vitais, aquela em que, sem o percebermos, voltamos a participar, e agora de uma forma activa, responsável, no mistério da vida que nos trouxe.

E isto é um pai a falar, claro, alguém que não tem senão a sua própria experiência para o guiar neste mundo delicioso do nascimento.

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Problemas inerentes ao parto induzido e cesariana

Podem navegar neste site da Mother friendly, onde encontram informação sobre riscos de uma cesariana, parto induzido, vantagens da amamentação e 10 perguntas para fazer ao (à) obstetra.

http://www.motherfriendly.org

Artigo revista Xis

A pedido de muitas famílias... aqui estão os links para o artigo publicado na Revista Xis, no passado dia 30 de Outubro. Muito obrigada à nossa querida Rosa pelo scan e criação dos links.

http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis1.jpg
http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis2.jpg

domingo, 7 de novembro de 2004

A nossa missão...

"Humanizar o nascimento significa compreender que a mulher que dá à luz, é um ser humano, não uma máquina e não apenas um contentor de fabrico de bebés. Mostrar às mulheres (metade da população humana) que são inferiores e inadequadas retirando-lhes o seu poder de dar à luz é uma tragédia para toda a sociedade. Por outro lado, respeitar a mulher como um importante e valioso ser humano e assegurar que a experiência de parto da mulher é gratificante e empoderadora não é apenas um "bónus" simpático, é absolutamente essencial pois torna mais forte a mulher e, consequentemente, mais forte a sociedade".
Marsden Wagner, MD (tradução de Carla Guiomar)
Artigo completo disponível em:
http://www.acegraphics.com.au/articles/wagner03.html

Doulas de Portugal na RTP2

Fomos convidadas para participar na gravação de um programa da RTP2, "Tudo em Família" sobre nutrição na gravidez e lactação.
O programa será emitido dia 2 de Dezembro às 14h na RTP2.

domingo, 31 de outubro de 2004

Revista Xis


Ontem, sábado, dia 30 deOutubro, saiu na revista Xis, uma reportagem sobre as doulas em Portugal. A reportagem feita pela jornalista Ana Gomes teve efeitos imediatos e fomos já contactadas por médicas e médicos querendo fazer parte do Movimento pela Humanização do Parto.
Queremos deixar aqui também o nosso agradecimento a todos os amigos, amigas, mulheres-mães que nos deram os parabéns pela reportagem...
Um muito obrigado em especial à jornalista Ana Gomes pela excelente peça que resultou da nossa conversa.
O Movimento pela Humanização do Parto caminha a passos largos, do sonho para a realidade.
Bem hajam todas vocês!

domingo, 24 de outubro de 2004

Ruptura prematura das membranas (bolsa das águas)

Conforme os muitos pedidos que temos tido, aqui vão alguns conselhos.

Numa ruptura das membranas antes das 38 semanas, o que deverão fazer é dirigirem-se ao hospital e pedir uma ecografia, e não um CTG. Isto porque na ecografia, podem, para além de ouvir o coração do bebé, ver o estado e a quantidade do líquido amniótico, ver o estado da placenta e perceber se há ou não sofrimento fetal. Em caso de sofrimento fetal (peçam sempre para confirmar duas ou três vezes!), e se não houver melhoras depois do descanso e "tratamento" hospitalar, é preferível uma cesariana de emergência a um parto induzido, pois este acaba por ser mais traumatizante para a mãe e o bebé, e não é isso que se deseja para um bebé já em sofrimento fetal...

Ruptura do saco do líquido amniótico depois das 38 semanas:
1º - Verificar a cor da água, que deverá ser clara, transparente ou dourada, com cor rosa ou raiada de sangue. Cor castanha, esverdeada ou mais escura é sinal de ir para o hospital;

2º - Contar os movimentos do bebé começando de manhã com o primeiro, e até chegar a 10 movimentos. Tomar nota deste registo e em caso de alteração/cessação de movimentos dirigir-se ao hospital (para ecografia);

3º - Nove em cada dez partos iniciam-se depois de 48h após a ruptura das membranas, por isso mesmo e se não há sinais de alarme, ficar em casa, descansar e lembrar-se que o líquido amniótico renova-se de 4 em 4 horas. Não terá nenhum parto "seco" como se diz erradamente.

A mãe deve sempre lembrar que o seu instinto, é o seu melhor aliado, e se estiver receosa, assustada ou insegura, deve seguir aquilo que lhe diz o coração.
Telefonar à doula, sempre que vos apeteça, ajuda a afastar receios e a esclarecer dúvidas.
A doula existe apenas porque as mães também existem!!
Obrigada pelas vossas questões e palavras de apoio.

O culto da medicação excessiva

A Carla encontrou este artigo interessante, que apesar de não aprofundar muito o tema, dá-nos que pensar. O endereço é:
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/...

Ah! Chá de camomila, bem diluido, 3 colheres das de café por dia, ajudam os bebés com cólicas!

sábado, 23 de outubro de 2004

Médico relaciona violência com Cesariana

In Folha de São Paulo, pelo Jornalista Rogério Wassermann

"Qual o futuro de uma sociedade na qual a maioria dos bebés nasce por cesariana? A pergunta é do obstetra francês Michel Odent, 73, que acaba de lançar o livro "The Cesarean" (a cesariana) no Reino Unido, onde vive. Pioneiro nos anos 70 da tese da humanização do parto e dos partos em piscina, para ele, bebés nascidos por cesariana podem desenvolver problemas físicos e psicológicos por não terem tido contacto com um cocktail de hormonas libertado pela mãe no parto natural.

Odent, (...) Não é contra as cesarianas. "O problema é que esquecemos completamente a finalidade do trabalho de parto". Comparando a alta taxa de cesarianas em São Paulo (cerca de 80%) à baixa incidência em Amesterdão (10%), na Holanda, ele relaciona a questão ao problema da violência urbana. "É possível andar à noite nas ruas de Amesterdão, mas seria suicídio fazer o mesmo em São Paulo", afirma ele no seu livro.

Mais em http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3450.shtml

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Parto Natural

Para quem se interessa sobre parto natural, parto em casa e outros assuntos deste género, mas não lê em inglês, encontrámos um site em espanhol, muito interessante, com artigos de especialistas, manuais de parto em casa e controvérsias hospitalares.
http://www.holistika.net/parto_natural.php

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

Anemia na gravidez

Em muitos países, a quantidade de glóbulos vermelhos (concentração de hemoglobina) é rotineiramente analisada na gravidez. Há um mito enraízado de que estas análises podem detectar uma anemia na gravidez ou deficiência de ferro. De facto, estas análises não podem diagnosticar uma deficiência de ferro porque o volume de sangue na mulher durante a gravidez, é suposto aumentar drasticamente, de forma que a concentração de hemoglobina indica, e sempre primeiro, o grau de diluição do sangue, um efeito da actividade da placenta (a favor do bebé e que é uma característica fisiológica da gravidez).
Um estudo feito no Reino Unido com mais de 150.000 grávidas chegou à conclusão que os bebés com mais peso nasciam de mães cuja concentraçao de hemoglobina estava entre os 8.5 e os 9.5 (sendo que estas mulheres seriam consideradas anémicas pela prática médica comum, que considera um nível mínimo de 10).

Além do mais, quando a hemoglobina não baixa dos 10.5 há um risco acrescido de parto pré-termo, pré-eclampsia e bebés de baixo peso.

A consequência desastrosa da análise rotineira ao sangue, está em todas as mães a quem lhe é dito de forma enganosa, que estão anémicas e que precisam de suplementos de ferro.
Há uma tendência para esquecer os efeitos secundários do consumo de ferro (obstipação, diarreia, azia) e para esquecer que o ferro inibe a absorção de zinco, que é um factor muito importante no crescimento do bebé.
Para além disto, o ferro é uma substância oxidativa que pode exacerbar a produção de radicais livres e pode aumentar o risco de pré-eclampsia.

O que podemos fazer?

Na idade fértil a mulher que julga que pode engravidar, de uma forma planeada ou não, deveria tomar ácido fólico e suplementos de ferro. Mantê-los até os primeiros três meses de gestação e não voltar a ingerir ferro. Quando uma placenta dilui o sangue (aparece anemia nas análises) significa que a placenta está a funcionar na perfeição. Normalmente há um melhor resultado também no parto. Uma boa alimentação, variada e equilibrada tem todos os ingredientes que uma mãe necessita. O mesmo para os suplementos de vitaminas dados às mães. Não há provas científicas do seu benefício.
Mais em Michel Odent "The Caeserean".
Com autorização do autor.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Carta de uma mãe, o parto e as doulas

"Gente,
Eu nunca pensei direito no significado da palavra doula... na verdade, no meu começo aqui, achei que a doula era uma pessoa meio dispensável porque ela não sabia fazer um parto. Estou sem vergonha de dizer isso, porque confessar o tamanho da minha ignorância é a melhor forma de engrandecer o que tive aqui com as minhas amadas doula Luisa e Carla.

Eu vi a Luisa uma vez antes do meu parto, e a Carla eu fui conhecer na noite anterior. Era possível que algum laço de amor, afecto e amizade se formasse entre nós em tão pouco tempo?

Essa duas mulheres mostraram um amor incondicional a mim, ao meu bebé, ao meu marido e ao meu filho Caio. Elas vieram de mansinho... pisando devagarinho, para saber até onde poderiam ir ... Elas dirigiram cento e tal quilómetros, deixando em casa maridos, filhos e tudo o resto, para estarem comigo aqui de madrugada, me acalmando e me tranquilizando... elas se doaram a mim e à minha condição, sem pedir nada em troca... tudo e somente o que elas queria é que "desse certo".

Elas foram a minha mãe, minhas irmãs, as minhas amigas e mais um tanto de gente que ficou no Brasil.

Elas me fizeram sentir que eu era capaz, e que elas estariam comigo em qualquer decisão que eu tomasse. Elas podiam guiar o carro para o hospital, ou aparar o Enzo em suas próprias mãos, se a parteira não chegasse... era só eu pedir.

A Luisa, a minha doula oficial, deve ter um pé aqui e outro lá na comunidade dos anjos do céu... tem o olhar mais cheio de tranquilidade que eu já vi na vida. Se ser doula é um dom, ela certamente nasceu repleta dele. Espero que as mulheres dessa terra acordem logo para o parto humanizado e possam se permitir desfrutar desse amor que ela carraga... porque ela transborda carinho e atenção... ela é um presente dos deuses para essa turma de mães "escravizadas" pelo sistema. Foi um privilégio tê-la comigo!

A Carla minha doula e guardiã de meu tesouro Caio. Não fosse ela eu não tinha nem 1 cm de dilatação, fechava logo as pernas e impedia o Enzo de nascer... preocupada com o Caio que poderia estar assustado e ainda febril. Ela tem um sorriso doce e uma voz mansinha, que parece que canta para a gente dormir. Sabe aquelas mulheres delicadas que na verdade têm a força de uma leoa? Foi assim que eu a vi. E é dessa forma que me lembrarei dela por toda a minha vida!

Obviamente que eu descobri que é possível parir sem hospital e sem médico. E junto, descobri que parir tendo uma doula é essencial. Eu que tive duas (quatro, contando com as virtuais!), fui a mulher mais sortuda do mundo!!!

Luisa e Carla, estarei sempre aqui, com portas e braços abertos para toda a ocasião... eu nunca vou conseguir retribuir o bem que me fizeram.... mas saibam que agora a minha família também é suas. Fiquem por perto sempre que desejarem. E saibam que estar com vocês vai ser sempre uma forma de reviver o "nosso re-nascimento".

Um abraço forte, daqueles que a gente sente o coração da outra pessoa batendo!"

Waleska Nunes

Parto em casa depois de cesariana
Carta publicada com autorização da autora, a quem enviamos um abraço daqueles fortes...
Muito obrigada por nos deixarem participar desse vosso milagre
Luisa Condeço e Carla Guiomar

domingo, 17 de outubro de 2004

Terras de Café

E um especial agradecimento à Ana e à Paula das Terras de Café, pela vossa simpatia, amabilidade e carinho. Sem vós isto tinha sido muito difícil, já que nesta terra há uma grande aridez de coisas boas, como as que vocês nos presenteiam todos os dias.

Obrigada a todas!

Obrigada a todas que telefonaram ou escreveram, a perguntar pela entrevista! A entrevista com a jornalista da Revista Xis, correu muito bem e sairá provavelmente daqui a 15 dias. A jornalista Ana Gomes interessou-se bastante pela nossa causa e fez-nos sentir em casa. Um muito obrigada para ela também!

sexta-feira, 15 de outubro de 2004

A Doula e o parto hospitalar

Quando se deseja um parto no hospital a doula acompanha sempre a mãe, desde o momento em que esta avisa a doula de que o parto se iniciou até duas horas depois do bebé ter nascido. A doula fica com a mãe em casa para se certificar que está tudo bem com mãe e bebé, acompanhando a mãe nas primeiras fases do parto. A doula protege a mãe de estímulos exteriores, criando um ambiente calmo, de pouca luz, de segurança e privacidade. Quando a mãe se aproxima da segunda fase do parto, a doula acompanha ambos os pais ao hospital e fica com eles. Normalmente apenas um acompanhante é permitido no hospital e muitas vezes a mãe pede para ficar com a doula.
Porque é que isto acontece?
O pai normalmente fica um pouco nervoso, o que é natural, pois ama a sua companheira e não sabe muito bem se é normal ou não tudo o que esta está a passar. A doula conhece por experiência o comportamento da parturiente e está calma, acalmando naturalmente a mãe. Diplomaticamente, a doula deve pedir ao pessoal hospitalar para mudar a mãe de posição, ou sugerir menos intervenções, indo munida de estudos científicos que comprovem os seus pedidos (ver artigo cesarianas e o CTG).
Cada hospital tem as suas regras e estas não costumam ser muito flexíveis. A doula só deverá deixar a mãe quando tem a certeza de que esta se encontra bem.

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

Como é possivel evitar uma episiotomia?

A melhor forma de evitar uma episiotomia é procurar em Portugal um hospital que não a faça rotineiramente. O que pode ser uma busca árdua. Mas é provável que se encontre.
Como evitar demasiada pressão no períneo para não rasgar?
Primeiro, não estar deitada, e muito menos de costas.
Segundo, esperar-se que o período expulsivo faça o seu trabalho.
Terceiro, umas compressas mornas aplicadas no períneo, fazem maravilhas, até no alívio daquele ardor típico de quando o bebé coroa.
Porque é que se rasga?
Porque normalmente não se tem paciência para esperar pelo bebé, e muito poucas vezes, raras até, porque o bebé é demasiado grande. A episiotomia deveria ser deixada para casos de emergência, já que não há evidências científicas que provem o seu benefício em todos os outros casos. Uma posição como a de cócoras ou de quatro (mãos e joelhos no chão) ajudam naturalmente à expulsão, sem pressão no períneo.
Paciência costuma resultar em muita coisa na vida. Esta é só mais uma. Já vi bebés com 4.900kg nascerem sem episiotomias nem rasgos!

terça-feira, 12 de outubro de 2004

Vejam lá este site brasileiro - episiotomias!

As episiotomias (corte vaginal feito para que o bebé posso nascer mais rapidamente) são feitas na maior parte dos hospitais em mães que dão à luz o seu primeiro filho. Não há evidências científicas que provem que a episiotomia melhore o resultado do parto, sendo a maioria das vezes, desnecessária. Vejam só o poder inventivo das brasileiras em: http://www.xoepisio.blogger.com.br

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Parabéns à Waleska

No dia 9 de Outubro às 22h e 45 minutos nasceu o Enzo, de um parto vaginal depois de cesariana, no conforto e segurança do lar. Um lindo menino, desperto e curioso, de uma mãe cheia de força que esteve sempre muito bem durante o looongo parto. Parabéns ao pai e ao irmão Caio também. Que a vossa vida seja repleta de harmonia e felicidade. Muita obrigada por tudo. Luisa

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Anorexia Nervosa e a forma como nascemos

Um estudo encontrou uma relação entre o uso de fórceps, ou ventosa, e a ocorrência de anorexia nervosa em raparigas. Para ler e pensar duas vezes:
http://www.birthworks.org/primalhealth/databank.phtml?study=262

terça-feira, 5 de outubro de 2004

Porque é que há uma procura tão grande por doulas?

A mulher durante o trabalho de parto necessita de se sentir segura. Precisa do tipo de segurança que é habitualmento dado por uma mãe. Mas por muitas razões especiais dos tempos em que vivemos, nem sempre é possível ter a presença de uma mãe por perto, e o pai do bebé também não se pode tornar numa figura maternal (isto é, para a mãe). É por isto que as doulas são precisas.
Michel Odent in Paramanadoula

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

O que é uma doula?

Uma doula é uma mulher que está com a mãe durante o trabalho de parto, que lhe presta cuidados não médicos, ou seja apoio emocional, físico, informativo e que defende os interesses da mãe, em particular as suas decisões tomadas conscientemente e informadamente. No hospital, a doula torna-se ainda mais importante pois aí o pessoal médico não tem disponibilidade para prestar assistência personalizada, devido à grande sobrecarga de trabalho, e o pai muitas vezes não se sente verdadeiramente confortável por estar ao lado da mãe, nem sabe como ajudar e pode pôr a mãe mais nervosa. As doulas trazem assim benefícios para todas as partes envolvidas. As doulas também podem prestar cuidados pós-parto, por exemplo cozinhando uma refeição, fazendo pequenas tarefas domésticas que permitam à mãe passar mais e melhor tempo com o seu bebé nos primeiros dias. Há doulas que se especializam só no parto ou só no pós-parto. Não é necessária formação específica, mas sim uma busca constante de informação actualizada e fidedigna. A formação vem antes de mais da própria experiência da maternidade, de um forte sentido feminino e de uma real vocação para ajudar outras mulheres. No entanto há programas de formação que inclusive oferecem certificação e isso pode constituir uma critério de qualidade para algumas mulheres que procurem este serviço. O mais importante será, sobretudo, o estabelecimento de uma relação de confiança entre a mãe e a doula durante a gravidez, de sentirem que há uma sintonia e um bem estar quando estão juntas pois esse sentimento de segurança é essencial para uma mulher em trabalho de parto.
Ainda assim, uma doula é mais do que isto. É alguém que conhece e compreende a fisiologia do parto, e que portanto respeita e tenta assegurar as necessidades básicas de uma mulher em trabalho de parto (privacidade, sentimento de segurança, luz baixa e pouca utilização de linguagem). O aspecto mais importante para o bom desenrolar do parto é a não estimulação do neocortex. O parto é um processo fisiológico comandado pela parte primitiva do nosso cérebro, que segrega um cocktail de hormonas que induzem as contracções uterinas, analgesizam naturalmente a dor e preparam o bebé para nascer. Entramos num estado alterado de consciência. Quanto maior for a actividade do nosso cérebro intelectual, o neocortex, menos eficaz será o funcionamento do cérebro primitivo. Há mulheres extremamente racionais, que querem ter um parto natural mas depois não conseguem libertar-se de tentar controlar racionalmente o fenómeno, tentar saber a dilatação que têm a cada momento etc. Isso é prejudicial. Algumas pessoas falam nas doulas como alguém que está lá sempre ao lado, a falar, a dar força, a dizer tu és capaz... como se fosse um "treinador". Mas isso é o oposto do que se pretende. A doula deve essencialmente proteger a mulher da estimulação ambiental e confiar que o seu corpo vai fazer o trabalho bem feito. Toda a mulher sabe parir, mas no meio do barulho desta sociedade moderna podemos precisar de o redescobrir.

Carla Guiomar

domingo, 3 de outubro de 2004

Para as colegas, um e-book grátis

Podem encontrar em http://www.maternitywise.org/guide/ o e-book "A Guide to Effective Care in Pregnancy and Childbirth", um dos melhores tratados sobre tudo o que se sabe acerca de recentes estudos na gravidez e nascimento.

Cesarianas

Para quem já teve uma cesariana, ou realmente precisa de uma, ou acha que é o melhor(!!!) para si, podem navegar em http://www.ican-online.org/ ou então
http://www.eheart.com/cesarean/topics.html
e para quem deseja um parto vaginal depois de uma cesariana, http://www.vbac.com
Como recuperar de uma cesariana com dicas holísticas e médicas, http://www.birthrites.org/


sexta-feira, 1 de outubro de 2004

Quais são as necessidades básicas de uma mulher em trabalho de parto?

Durante o trabalho de parto, o órgão mais activo é o cérebro primitivo (hipotálamo e glândula pituitária) que segrega um "cocktail" complexo de hormonas, entre elas a oxitocina, que conduzem o processo fisiológico.
Há uma redução drástica na actividade da parte "nova" do cérebro -o neocortex- a parte que é mais solicitada em estados de alerta, de consciencialização do mundo em redor e da comunicação e vida social. É uma parte do cérebro que está muito desenvolvida nos seres humanos, mas que durante o parto é essencial que se recolha aos bastidores, para que haja boa progressão no parto, já que liberta hormonas (da família da adrenalina) antagonistas da oxitocina, impedindo o normal desenrolar do parto.
Desta forma é essencial protejer a mulher em trabalho de parto da estimulação do neocortex.
Tendo este objectivo em mente, é fácil compreender as necessidades básicas da mulher durante o parto:
1- O silêncio - visto que a linguagem é um forte estimulante do neocortex
2- Luz fraca - as luzes fortes dos hospitais são um outro estimulante
3- Privacidade - é importante não se sentir observada ou monitorizada constantemente
4- Segurança - Se a mãe se sente insegura por desconhecer o ambiente ou as pessoas que a rodeiam, o parto tem tendência a demorar-se
5- Conforto térmico -Devem evitar-se extremos de temperaturas, sobretudo o frio, que estimula a produção de adrenalina

Facilmente se constata que estas cinco necessidades básicas não são respeitadas no ambiente hospitalar. Aliás, muitas das práticas de rotina dos hospitais não se baseiam em evidências cientificas e só podem ser compreendidas num contexto histórico. Isto aplica-se ao uso rotineiro do CTG (ver artigo cesarianas - sabia que...), ao uso rotineiro das episiotomias e á posição deitada em que a maioria das mulheres é sujeita durante a dilatação.
Num parto em casa, habitualmente , estas necessidades básicas são respeitadas, resultando num melhor progresso do parto e numa maior satisfação da mãe e saúde do bebé.
Mais informação em "The Farmer and the Obstetrician" Michel Odent, Free Association Books http://www.michelodent.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2004

Cesarianas - Sabia que...

Sabia que existe um estudo científico (de Thacker, Stroup e Chang) que demonstrou que o único (!) efeito da utilização contínua do CTG durante a fase da dilatação, é o aumento da taxa de cesarianas? Vá a http://www.update-software.com/abstracts/AB000063.htm

Também quero ser uma doula!

As Doulas de Portugal vão iniciar cursos de formação intensivos em 2005 com base nos ensinamentos do Dr. Michel Odent (http://www.michelodent.com) e da doula LilianaLammers (http://www.paramanadoula.com). Mais informações através de doulasdeportugal@yahoo.com ou de doulasdeportugal@hotmail.com

No curso abordamos a fisiologia do parto, nutrição, práticas hospitalares, o trabalho da doula, primeiros socorros em obstetrícia e muitos mais.

Que serviços oferecem?

Oferecemos a preparação para o parto (apenas em Évora por enquanto) com acompanhamento personalizado, visitas ao domicílio no pós-parto e apoio durante todo o trabalho de parto.
Se desejar um parto em casa estamos disponíveis para encontrar uma parteira que agrade aos pais sem encargos adicionais da nossa parte.
Em caso de parto hospitalar ajudamos a mãe a tomar a decisão de quando se dirigir para o hospital de forma a que não vá cedo demais (o que acontece a maior parte das vezes, sem a presença de uma doula), ou que não chegue tarde demais (quando não existem complicações, é o ideal, dadas as condições que temos no nosso país). A última decisão é sempre da mãe. Temos também uma linha de atendimento a funcionar 24h por dia, para responder a questões ou paraesclarecer a mãe em qualquer dúvida.

Moradas em português

http://amigasdoparto.com.br
http://doulas.com.br
http://ongbemnascer.blogger.com.br
http://maternidadeativa.com.br
http://partohumanizado.blogger.com.br
http://partonatural.com.br
E obrigada a Alexdoula do Brasil!

Moradas úteis na net

http://www.michelodent.com
http://paramanadoula.com
http://birthworks.org/primalhealth e tens acesso a estudos sobre gravidez, parto e primeiro ano de vida do bebé
http://update-software.com/cochrane e clica em pregnancy and chilbirth para estudos recentes
http://bmj.com e clica em pubmed-medline para mais estudos

A doula e a mãe

É muito importante que a doula estabeleça uma relação de confiança com a mãe, antes do parto, que pode ser construída em alguns encontros consoante o desejo da grávida.
Uma doula faz-se de três aspectos assenciais. A experiência da maternidade, uma vocação, e a procura contínua de de informação fidedigna.
A doula está ao lado da mãe, promovendo a sua auto-confiança, defendendo as suas decisões informadas e conscientes. A doula também presta serviços no pós-parto.
Vários estudos comprovam os benefícios da presença de uma doula durante o trabalho de parto, diminuindo significativamente o número de intervenções médicas desnecessárias e aumentando a satisfação das mulheres relativamente à sua experiência de parto.

Neste momento existem duas doulas com formação feita com o obstetra Michel Odent e a doula Liliana Lammers e que estão disponíveis para prestar serviços e dar formação em Portugal para outras mulheres interessadas nesta maravilhosa profissão.