segunda-feira, 2 de maio de 2005

Mercado de Trabalho: grávidas e mães são penalizadas

Correio da Manhã, edição de 01/05/2005

"Hoje dão-se vivas à mãe e ao trabalhador, mas, nos dias normais, sem marcas no calendário, as trabalhadoras continuam a ser penalizadas quando têm filhos. Um sinal claro disso mesmo é a tentativa de despedimento de grávidas, mães recentes ou lactantes. Prática ainda mais comum é a não actualização do salário das mulheres que gozam licenças de maternidade.

Previamente à rescisão do contrato de uma grávida, mãe recente ou lactante, qualquer empregador é obrigado a solicitar um parecer à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), sem o qual o despedimento será considerado nulo."

=> ver notícia completa aqui

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Parabéns à Ana Sofia Baptista

Parabéns à Ana pelo nascimento do seu filho Afonso, hoje pelas oito e meia da manhã.
Um lindo bebé com 2.835kg que deixou os seus pais muito felizes! E a nós também. Um abraço e beijinhos de felicidades para a nova família!

Revista Pais & Filhos

Na última Pais & Filhos (Maio) saiu um excelente artigo sobre as Doulas de Portugal e o seu trabalho de humanização do parto.
Queremos aqui deixar um muito obrigada à Jornalista Ana Esteves pela correcção e excelência do artigo!!! E agradecer também a todos quantos nos deram os parabéns pelo mesmo.

Este caminho só foi possível porque contamos com o vosso apoio!

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Somos mamíferos.

“Todos os mamíferos se escondem, se isolam para trazer ao mundo a sua prole. Necessitam intimidade. Os seres humanos também. É imprescindível fazer referência constante a essa necessidade de intimidade. (…)
Para trazer ao mundo as suas crias, as fêmeas dos mamíferos devem segregar certo número de hormonas bem conhecidas. As mesmas hormonas se desencadeiam no momento do parto de um ser humano. São libertadas pelas estruturas primitivas do cérebro que temos em comum com todos os mamíferos, ponto de partida de qualquer intento de compreensão do processo de parto na nossa espécie.
(…) Todas as culturas que conhecemos encontraram meios para perturbar o período que rodeia o nascimento e para negar as necessidades fundamentais que compartilhamos com os demais mamíferos.
(…) Tem-se dado uma grande credibilidade às atitudes que se apoiam numa incompreensão fundamental dos processos fisiológicos. Os franceses são responsáveis pelos extravios mais significativos. Assim, Lamaze, obstetra francês, pai da psicoprofilaxia ocidental, dizia e escrevia que uma mulher deve aprender a dar à luz tal como aprende a andar, a ler ou a nadar. Estas indicações despistaram o mundo inteiro, e com o tempo, resultaram numa crise. (…) Foi assim que gerações de mulheres gestantes foram preparadas para o parto.
A interpretação do processo de parto como um processo involuntário que põe em marcha as estruturas ancestrais, primitivas, mamalianas do cérebro, pressupõe desfazer a ideia aceite de que uma mulher pode aprender a parir. Esta interpretação permite, inclusive, compreender que não se pode ajudar activamente uma mulher a parir. Não se pode ajudar num processo involuntário. Somente se pode evitar perturbá-lo demasiado.”

In Michel Odent “El bebé es un mamífero” 1990.
Traduzido e adaptado por Carla Guiomar.

terça-feira, 19 de abril de 2005

Que benefícios trazem as doulas?

A presença da doula produz um clima de intimidade, carinho, afecto e acima de tudo segurança. No que toca à equipa médica, contribui também para a diminuição da sua ansiedade, da pressa, dos receios, e de todas as intervenções médicas daí decorrentes.
Está comprovado cientificamente que o acompanhamento da mãe por uma doula contribui para uma diminuição significativa de intervenções como o uso de oxitocina, fórceps, ventosas e cesarianas, de pedidos de anestesia por parte da parturiente, da duração do trabalho de parto, do risco de complicações pós-parto como febre materna, infecções e hemorragia.
As mães relatam uma experiência de parto mais satisfatória e gratificante, sentem-se mais fortalecidas, e apresentam níveis mais baixos de ansiedade, e níveis mais elevados de atenção e receptividade para com o seu bebé, o que favorece o vínculo precoce. O risco de depressão pós-parto é diminuído.
Para o bebé os benefícios também são evidentes: o risco de complicações e de internamento prolongado é diminuído e favorece-se o sucesso da amamentação.
As vantagens também ocorrem para o Sistema de Saúde, que além de oferecer um serviço de maior qualidade, tem uma significativa redução nos custos, dada a diminuição das intervenções médicas e do tempo de internamento de mães e bebés.

Um Estudo de 1993 por Kennel and Klaus demonstrou que as mulheres que têm uma doula no seu parto experimentam:
  • Redução de 50% na realização de cesarianas
  • Redução em 25% na duração do trabalho de parto
  • Redução de 60% nos pedidos de anestesia epidural
  • Redução de 30% nos pedidos de alívio da dor
  • Redução de 40% no uso da oxitocina sintética
  • Redução de 40% no uso de forceps.

Nas palavras do obstetra brasileiro Dr. Ricardo Jones:

“As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam a nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento”.

quarta-feira, 13 de abril de 2005

O valor do leite materno

VALOR DO LEITE MATERNO ESTIMADO EM CERCA DE 1,2 MIL MILHÕES DE EUROSPOR ANO

O leite materno produzido anualmente pelas novas mães australianas tem um valor económico de 1,27 mil milhões de euros, de acordo com um estudo recentemente publicado pelo governo da Nova Gales do Sul.

O relatório, elaborado por peritos da Universidade Nacional Australiana, assinala que esse seria o valor de mercado dos 34 milhões de litros produzidos por ano pelas mães australianas. O estudo recomenda às mães que amamentem os filhos até aos seis meses e que alternem o leite materno com as papas e outros alimentos até aos 12 meses.

De referir que se estas recomendações fossem cumpridas, a produção total de leite materno chegaria aos 59,3 mil milhões de euros anuais, segundo o relatório, que indica ainda que o leite materno é mais barato do que os preparados farmacêuticos e que protege os bebés das infecções, diabetes e tendência para a obesidade.
No que diz respeito às mães, o relatório considera que amamentar os filhos reduz o risco de contrair determinados cancros e de fracturas da bacia.

Para Judie Smith, uma das autoras do estudo, amamentar os filhos é um acto de amor, mas "num mundo onde nada tem valor se não for avaliado em dólares ou euros, é necessário explicá-lo com dados económicos" e isso porque, sendo o valor económico do leite materno significativo para a economia nacional, em termos de dinheiro, mesmo assim é subestimado pelos decisores políticos e pelos profissionais de saúde.

FONTE: Agência Lusa, 31 março 2005

terça-feira, 12 de abril de 2005

Parabéns à Graça

Parabéns à Graça pelo nascimento do seu filho Diogo, aqui no Hospital Espírito Santo em Évora.
Parabéns pela coragem em enfrentar os medos, as dúvidas e os receios. Um beijinho grande para vocês!

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Encontro no Porto

Este encontro vai decorrer no Porto no próximo dia 16 de Abril, sábado a partir das 15h’s.

Pretende-se com este encontro em terras do Norte uma troca de experiências sobre a gravidez, parto e pós-parto (já que são estes os principais assuntos que nos unem), dar uma cara aos imensos nomes que têm participado neste movimento de humanização e difundir o carinho, atenção e respeito a que todas as mulheres têm direito.

Este encontro está aberto a toda a gente, mães e pais, grávidas e grávidos, doulas e profissionais de saúde.

Mais detalhes aqui.

terça-feira, 5 de abril de 2005

E Se Eu Quiser Desmamar O Meu Bebé?

Amamentar o seu filho nem que seja por um dia é a melhor prenda que poderá dar ao bebé. A amamentação é quase sempre a melhor escolha para o bebé. Mesmo se para já não parece ser a melhor solução para si, estas directrizes poderão ajudar.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE UNS DIAS ele receberá o seu colostro, ou primeiro leite. Ao fornecer os anticorpos e o alimento que o seu corpo novinho em folha espera, a amamentação dá ao bebé a sua primeira – e mais fácil – “imunização” e ajuda o seu sistema digestivo a começar a funcionar sem sobressaltos. O bebé espera começar pela amamentação, que também ajudará o corpo da mãe a recuperar do parto. Levando em consideração quanto o bebé tem a ganhar e o pouco que a mãe tem a perder faz sentido amamentar ao menos por um dia ou dois, nem que tencione usaro biberão depois disso.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE QUATRO A SEIS SEMANAS ter-lhe-á facilitado a passagem pela parte mais crítica da sua infância. Os recém-nascidos que não são amamentados têm mais hipóteses de adoecerem ou de serem hospitalizados e têm muito mais problemas digestivos do que os bebés que são amamentados. Ao fim de um período de 4 a 6 semanas deverá, também, já ter ultrapassado as suas próprias dúvidas quanto à amamentação. Marque, como objectivo sério, amamentar durante um mês, contacte a LaLeche ou um consultor certificado de lactação se tiver dúvidas, e estará numa melhor posição para decidir se está disposta a continuar com a amamentação.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 3 A 4 MESES o seu sistema digestivo terá amadurecido bastante e será bem mais capaz de tolerar as substâncias estranhas das fórmulas comerciais. No entanto, se existir um historial familiar de alergias, reduzirá fortemente o risco se esperar mais uns meses antes de adicionar seja o que for à sua dieta de leite materno. Dar apenas leite materno nos primeiros quatro meses dá uma protecção forte, durante um ano inteiro, contra infecções de ouvidos.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 6 MESES sem adicionar qualquer outra comida ou bebida ele terá menos hipóteses de sofrer, mais tarde, uma reacção alérgica às fórmulas ou outros alimentos; a Academia Americana de Pediatria recomenda esperar até cerca dos 6 meses antes de oferecer alimentos sólidos. A amamentação durante pelo menos 6 meses garante uma saúde melhor durante o primeiro ano de vida do bebé, reduz o risco de infecções de ouvidos e de cancros infantis do pequerrucho e reduz o seu próprio risco de cancro da mama. E uma amamentação exclusiva e frequente durante os 6 primeiros meses, caso o seu período não tenha voltado,fornece uma contracepção 98% eficaz.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 9 MESES tê-lo-á feito atravessar o mais rápido e importante desenvolvimento da sua mente e do seu corpo com o alimento que foi planeado para ele – o seu leite. Uma amamentação de pelo menos esta duração ajudará a garantir um melhor desempenho durante todo o seu período escolar. O desmame é bastante fácil nestas idades... mas a amamentação também o é! Se quer evitar o desmame tão cedo então deverá estar disponível para amamentar não só para o alimentar mas também para o confortar.

SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE UM ANO pode evitar a despesa e o incómodo da fórmula. O seu corpo de um ano poderá provavelmente lidar com os alimentos do resto da família. Muitos dos benefícios para a saúde obtidos pela criança com este ano de amamentação durarão para o resto da sua vida. Terá, por exemplo, um sistema imunitário mais forte e menos probabilidades de precisar de terapia de ortodontia ou de fala. A Academia Americana de Pediatria recomenda a amamentação durante pelo menos um ano porque ajuda a garantir a nutrição normal e a saúde do seu bebé.

SE AMAMENTAR O SEU BEBÉ DURANTE 18 MESES terá continuado a fornecer a nutrição, o consolo e a protecção contra doenças que o seu bebé espera e isto num período durante o qual são vulgares as doenças em bebés alimentados a biberão. É muito provável que o seu bebé já esteja bem avançado em alimentos normais. Teve tempo para criar uma ligação forte consigo – um ponto de partida saudável para a sua independência crescente. Tem idade suficiente para que possam trabalhar juntos no processo de desmame, a um ritmo com que ele possa lidar. Um ex-Cirurgião Geral dos EUA disse: “é sortudo o bebé que... é amamentado até aos dois anos.”

SE A SUA CRIANÇA SE DESMAMAR QUANDO ESTÁ PRONTA PARA ISSO poderá sentir-se confiante por ter satisfeito, de um modo muito normal e saudável, as necessidades físicas e emocionais do seu bebé. Nas culturas em que não há pressões para o desmame as crianças tendem a mamar durante pelo menos dois anos. A Organização Mundial de Saúde e a UNICEF encorajam, fortemente, a amamentação enquanto as crianças aprendem a andar: "O leite materno é uma fonte importante de energia e de proteínas e ajuda a proteger contra as doenças durante o segundo ano de vida da criança." A nossa biologia parece orientada para uma idade de desmame entre os 2 1/2 e os 7 anos e faz sentido construir os ossos das nossas crianças a partir do leite que foi planeado para elas. Enquanto continuar a amamentar, o seu leite fornecerá anticorpos e outras substâncias protectoras e as famílias de crianças mais velhas que ainda mamam descobrem, muitas vezes, que as suas contas médicas são menores do que as dos vizinhos, e isto durante muitos anos. Pesquisas indicam que quanto mais tempo uma criança mamar maior é a sua inteligência. As mães que amamentam durante muito tempo têm, ainda, um menor risco de contrair cancro da mama. As crianças que mamaram durante muito tempo tendem a ser muito seguras e têm menos hipóteses de chuchar no dedo ou de andar com um cobertor. A amamentação poderá ajudar ambos a ultrapassar as lágrimas, birras e trambolhões da primeira infância e ajuda a garantir que quaisquer doenças serão menos sérias e mais fáceis de tratar. É uma ferramenta materna para todos os fins que nunca quererá que lhe falte! Não tenha medo de que a sua criança mame eternamente. Todas as crianças param por si mesmas, faça o que fizer, e há por aí muito mais crianças crescidinhas que ainda mamam do que poderia imaginar.

QUER AMAMENTE POR UM DIA OU POR VÁRIOS ANOS a decisão de amamentar o seu filho é algo de que nunca se arrependerá. E quando chegar a altura do desmame lembre-se de que é um grande passo para ambos. Se escolher desmamar o seu filho antes de ele estar pronto faça-o gradualmente e com amor.
(Se precisar de conselhos de amamentação pode também contactar as Doulas de Portugal que a porão em contacto com as consutloras da La Leche em Portugal)

2000 Diane Wiessinger, MS, IBCLC 136 Ellis Hollow Creek Road Ithaca, NY14850

Agradecemos à futura doula Natália Fialho o envio deste belíssimo texto.

domingo, 3 de abril de 2005

Parabéns à Berta

Muitos parabéns à Berta e ao Carlos pelo nascimento do seu filho Daniel, hoje, domingo, por volta das 4 da madrugada. Um belíssimo trabalho de parto e parto fisiológico, sem intervenções desnecessárias e antes da parteira chegar. Os parabéns merecidos à Doula Ângela Coelho pela sua serenidade e apoio a esta nova família. Que maravilha poder ver bebés nascerem sem procedimentos pertubadores de um processo que é tão natural! Parabéns a todos!

quinta-feira, 24 de março de 2005

Formação para novas doulas

A nova formação para doulas terá lugar em Cascais nos dias 29, 30 de Abril e 1 de Maio. Pedimos às potenciais candidatas que verifiquem a sua caixa de correio (electrónico e postal) e se certifiquem que nenhuma ficou por contactar.
Qualquer questão ou dúvida, escrevam-nos, por favor, para doulasdeportugal@yahoo.com

quarta-feira, 16 de março de 2005

Carta de uma mãe sobre o trabalho das doulas

Tive conhecimento da existência das doulas enquanto procurava uma preparação para o parto.
Só quando conheci a doula Luísa soube realmente o que era o trabalho de uma doula.
Iniciámos o acompanhamento por volta das 30 semanas de gravidez. Eu e o meu marido tínhamos encontros regulares com a doula onde expunhamos as nossas dúvidas e receios que ela prontamente esclarecia. Para além disso a doula Luísa esteve sempre disponível via e-mail e telemóvel a qualquer hora do dia ou da noite.

No decorrer do acompanhamento demonstrámos o nosso desejo de que o parto tivesse lugar em casa. Tal ideia já era anterior ao nosso encontro com as doulas no entanto só a começámos a materializar durante o acompanhamento precisamente porque sentimos o apoio da doula. Preparámo-nos então para que o parto acontecesse em casa mas este objectivo veio a ser abandonado já durante o trabalho de parto devido à ausência de uma parteira(o).

O trabalho de parto, que decorreu em casa durante 3 dias, foi sempre acompanhado pela doula que se deslocava até nossa casa, inclusive durante a noite, vigiando as várias fases do trabalho de parto e sossegando principalmente o meu marido. Ela falava baixinho e ajudava a sentir as contracções de forma muito positiva. Correu tudo lindamente.

A determinada altura, numa madrugada, a doula conversou connosco e disse-nos que achava melhor irmos para o hospital uma vez que o trabalho de parto já durava há alguns dias e em casa não tínhamos meios de ver se estava tudo bem com o bébé. Aceitei o facto com alguma tristeza pois não era isso que pretendia para o meu parto. Telefonei à minha médica para que ela avisasse o colega de serviço e fomos para o hospital. A própria doula conduziu-nos no carro dela até ao hospital.

E foi assim que no dia 23 de Novembro pelas 10h dei entrada no reino da tecnocracia, leia-se, Hospital Reynaldo dos Santos em Vila Franca de Xira.
Embora com bastantes contracções fui para a fila (extensa fila), fiz a ficha, esperei, fui à triagem, da triagem indicaram-me que me dirigisse ao piso de obstetrícia. Só estes procedimentos já estavam a atrapalhar e muito um trabalho de parto fantástico que eu trazia de casa. Mas isto era só o início...
Quando cheguei à obstetrícia uma enfermeira minha conhecida veio falar comigo e por volta das 10h40 entrei para a consulta. O médico era uma pessoa sem qualquer vislumbre de humanidade. Disse-me: "Dispa-se", observou-me e depois disse "Vista-se, mas não muito porque vai ficar internada". Mais tarde, na sala de dilatação e na sala de partos o comportamento do médico manteve-se, fui sempre tratada como uma doente que não o era e dentro deste falso estatuto fui tratada não como um ser humano, mulher e mãe no seu momento sagrado mas como um objecto do seu trabalho. Senti-me humilhada.
Entretanto fui sujeita a uma série de procedimentos, alguns deles degradantes para uma mulher em trabalho de parto, e principalmente, todos completamente desnecessários e desaconselhados pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Ninguém me pediu autorização para a realização dos procedimentos que envolviam a minha pessoa e o meu corpo, nem tão pouco fui informada de que iam ser realizados. Chegaram mesmo a injectarem-me substâncias sem me informarem do que se tratava e do porquê da injecção mesmo depois de eu questionar.
O Alexandre nasceu às 15h55 no meio de mais três procedimentos desnecessários: episiotomia, uso de ventosa e de fórceps. Isto porque o médico estava com muita pressa, o seu turno terminava às 18h e ainda tinha duas cesarianas para fazer e como o hospital não paga horas extraordinárias...
Nem durante a dilatação nem durante o parto permitiram a presença da doula nem do meu marido. Estive sempre sozinha. Aliás a solidão foi a dor maior e não tenho dúvidas que a presença da doula atenuaria a dor psicológica imensa que tenho do trabalho de parto (realizado no hospital) e do parto.

Logo depois do nascimento não me deixaram sequer ver o meu filho e só o vi duas horas depois quando mo trouxeram para mamar, como ele não mamou logo (porque não tinha vontade) levaram-no novamente e deram-lhe um biberão que ele vomitou. Devido a mais este procedimento inconsequente o meu filho passou mais de 48h numa incubadora com sonda gástrica, soro, monitorizado e longe de mim.

Sei que o seu trabalho não se centra no atendimento hospital mas sim no trabalho das doulas mas creio que os dados que lhe transmito no parágrafo anterior são importantes para vermos que o que a doula fez o ambiente hospitalar desfez. Depois de uma gravidez fantástica sem qualquer tipo de problema ou preocupação, uma preparação para o parto acompanhada pela doula Luísa e o trabalho de parto também acompanhado pela doula onde sempre fui tratada com respeito e carinho, chego ao hospital e toda a preparação anterior cai por terra e no seu lugar aparece a dor e a revolta de um tratamento indigno.

O acompanhamento pela doula durante a gravidez foi essencial para que eu pudesse viver a minha gravidez de uma forma bastante saudável e informada. Creio que se não fosse a assistência da doula Luísa durante a gravidez o meu filho não teria nascido no dia 23, como a natureza determinou mas no dia 9 de Novembro, data em que a minha médica queria que eu fizesse um parto induzido. Opção que nós recusámos precisamente porque estávamos informados dos riscos e consequências inerentes a uma indução de parto.


Já no pós-parto o acompanhamento pela doula continuou e posso dizer-lhe que foi determinante no sucesso da amamentação e no facto de eu não ter “caído” em depressão pós-parto. Assim que regressei do hospital a doula Luísa veio visitar-nos, trouxe-nos uns bolinhos e uma prendinha para o Alexandre, conversámos e estas visitas repetiram-se nos momentos mais críticos sempre que precisei.

O trabalho das doulas é fantástico!
Lídia Matos

Formação para novas doulas

Faltou apenas acrescentar uma parte da informação relativa ao local em Cascais, se a formação se efectuar nessa zona.
O local da formação será na Quinta do Marquês, a escassos 2 minutos da saída da A5/Alcabideche, e tem 26 hectares de terreno de uma beleza extraordinária, mesmo no meio do Parque Natural Sintra-Cascais.

A sala de formação tem uma kitchinette e espaço para 20 pessoas.
Tem um grande relvado a frente da sala por exemplo para as crianças brincarem.
O horário da formação é das 9h 30m até às 12h 30 e das 14h até às 17h 30m, isto de sexta a domingo.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Formação para novas doulas

O próximo curso de doulas, nos dias 29 e 30 de Abril e 1 de Maio, terá lugar ou em Lisboa (zona de Cascais) ou no Monte do Paio - Quinta de Educação e Ambiente, um centro de acolhimento integrado na Reserva Natural das Lagoas de SantoAndré e da Sancha, situado na Costa Alentejana junto à Lagoa de Santo André, concelho de Santiago do Cacém. Fica a cerca de 1h30 deLisboa. É um local com instalações de grande qualidade, e uma envolvente muito agradável, que com certeza nos trará ainda mais inspiração. Tem alojamento para todas, cozinha disponível para as refeições e uma sala ampla para a formação, com TV e vídeo. A escolha deste local permite-nos dar a formação a todas as pessoas que se inscreveram, que de outra forma ficariam de fora para já. Poderemos ter assim um grupo de 15 ou 16 formandas, por exemplo, e o facto de estarmos todas reunidas num espaço durante três dias permite um convívio e uma aprendizagem mais proveitosos, com mais tempo e mais calma, que favorece a troca de experiências e informação. Existem duas camaratas, uma com 12 camas outra com 4, e dois quartos com duas camas cada (total de 20 camas). O custo da estadia é de 10€por cama nas camaratas ou 30€ por um quarto com duas camas (por noite). O curso são três dias o que corresponde a duas noites de estadia, para quem quiser ficar. As mães que quiserem trazer crianças podem naturalmente fazê-lo. Pedimos às pessoas que fizeram a pré-inscrição neste curso, que digam se estão interessadas em fazer a formação neste local, ou se preferem que seja em Lisboa. Podem enviar as vossas preferências para doulasdeportugal@yahoo.com ou na nossa lista de discussão, http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/
Obrigada!

Carla Guiomar e Luisa condeço

quinta-feira, 10 de março de 2005

Ser Protagonista

O que é ser protagonista na hora do parto?
O que é ser protagonista da própria vida?

É poder escolher. Ter liberdade para escolher.

Usando quais critérios?
Aqueles que vêm do que se pensa, sabe, acredita e sente.

Por isso é importante estimular as mulheres:
- a buscarem informações de qualidade (cientificamente embasadas e sensatas)
- a tomarem consciência do sentido e do valor simbólico do parto
- a valorizarem suas necessidades físicas, emocionais e afetivas

Na era da informação, tem de tudo, lê-se de tudo, ouve-se de tudo.
Não é suficiente, porém, ter um título para ser um bom profissional.
Que tipo de saber precisamos na gestação e no parto?
Precisamos de um tipo de saber que não esteja vinculado somente ao conhecimento acadêmico ou à prática estabelecida e habitual. É necessário o bom senso e o conhecimento comprometido com o humano e que valorize o saber vivencial (de todos os agentes).

A função de discernimento que pode ter uma parturiente se manifesta plenamente quando ela se coloca estas perguntas:
- Sinto-me confortável com esses profissionais?
- Sinto-me bem nesse ambiente?
- Estou na melhor posição?
- Sinto-me confortável?
- Sinto-me livre para fazer o que desejo?
- Sinto-me respeitada?
- Dei meu consenso às intervenções que estão sendo feitas?
- Sinto-me amparada e apoiada?
- Sinto-me segura?

Colocar-se estas perguntas é um sinal de amor próprio e autovalorização.
Ser protagonista é sentir-se livre e ter coragem para dizer o que se sente, quer e necessita.
Uma relação profissional humanizada é aquela que é receptiva ao saber inerente àquela mulher, às suas necessidades, anseios, preferências e modo de ser.

Por Adriana Tanese Nogueira, coordenadora ONG Amigas do Parto, Brasil
in http://www.amigasdoparto.org.br/ce_obstetricia_03_11.asp

quarta-feira, 2 de março de 2005

Reportagem Revista Sábado

Na próxima Sexta-feira, 4 de Março, sai uma reportagem sobre as Doulas de Portugal na Revista "Sábado". Foram entrevistadas as doulas Carla Guiomar e Luísa Condeço, bem como mães que por elas foram acompanhadas. Aguardamos com expectativa!

I ENCONTRO DE HUMANIZAÇÃO DO NASCIMENTO EM PORTUGAL

No passado Domingo, 27 de Fevereiro de 2005, deu-se um passo histórico neste cantinho da Europa. O primeiro encontro de Humanização do Nascimento em Portugal foi um sucesso! Mais de 20 pessoas de vários pontos do país, entre doulas, mães e pais e profissionais ligados à maternidade, reuniram-se no Parque das Nações com o objectivo comum de tornar o nascimento humano num momento digno para as famílias, pleno de significado, amor e verdadeira segurança.
Deste encontro saíu a decisão, por unanimidade, de se constituir a Associação Doulas de Portugal como a organização dinamizadora do Movimento pela Humanização do Parto em Portugal. Dessa associação farão parte os sócios efectivos (as doulas) e os sócios amigos das doulas.
Todos juntos queremos devolver o protagonismo do parto às mulheres, aos seus filhos e às suas famílias. Queremos informar e inspirar uma nova geração de pessoas sobre o que realmente significa dar à luz e como esse momento é importante para o bem estar integral desse ser que nasce, dessa mulher que renasce e que reescreve a história da sua família. De mãos dadas com a sabedoria intuitiva e ancestral e com as modernas evidências científicas.
Um bom trabalho para todos nós!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Primeiro Encontro de Doulas em Portugal

O Primeiro Encontro de Doulas em Portugal vai realizar-se dia 27 de Fevereiro, domingo, pelas 15horas na Expo.
Doulas, amigas e outras pessoas interessadas na humanização do parto são todas bem vindas.
O encontro será nas escadas de madeira á saida do centro comercial Vasco da Gama, para o Parque Expo.

Informações através de doulasdeportugal@yahoo.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Parabéns à Susana Pinho

Muitos parabéns à Susana Pinho e ao Jorge pelo nascimento do seu filho Miguel, ontem dia 15 de Fevereiro às 20h53m.

A Susana chegou à Maternidade do Hospital Amadora-Sintra (onde foi muito bem recebida pela equipa de serviço) já com 10cm de dilatação.

Foi muito bem acompanhada pela Doula Cristina Pincho, a quem as Doulas de Portugal dão os parabéns merecidos!

Abraços a todos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

Amamentação

"As vantagens da amamentação já foram irrefutavelmente demonstradas e as pesquisas actuais continuam a encontrar novos benefícios.

Ciente destes factos, a maioria das mães quer amamentar os seus bebés. Infelizmente muitas desistem da ideia ou desmamam cedo os seus filhos ao depararem-se com problemas para os quais não encontram o auxílio de que necessitam. Aquilo que acontece durante o parto, o nascimento e as primeiras refeições pode influenciar em larga medida o sucesso ou o fracasso da amamentação.
(…)
O que poderá ajudar as mães e os bebés a começarem a amamentação da melhor maneira possível?
Manter mães e bebés juntos após o parto é bastante útil.
Os recém-nascidos que começam a mamar num espaço de duas horas a seguir ao parto têm menos probabilidade de virem a ser desmamados cedo do que bebés que só começam a mamar quatro ou mais horas a seguir ao nascimento. Isto não quer dizer que nos casos em que o bebé necessite de escudos especiais (ou não possa mamar por qualquer outra razão), a amamentação esteja condenada ao fracasso, mas indica que estas mães e estes bebés precisam de auxílio adicional para conseguirem estabelece-la.
(…)
O sucesso da amamentação depende em larga medida do posicionamento correcto do bebé e da sua forma de tomar o seio. A melhor forma de aprender as posições mais favoráveis à amamentação consiste em observar várias mães a amamentar os seus bebés, mas na nossa sociedade, poucas mulheres têm essa oportunidade. Se tiver a oportunidade de assistir a reuniões da La Leche League durante a gravidez, aprenderá bastante sobre a amamentação.

A posição mais comum para a primeira amamentação é aquela em que a mãe se mantém sentada com as costas apoiadas e uma almofada no colo para segurar o bebé ao nível dos seios. Utiliza o antebraço, junto à articulação do cotovelo, para apoiar a cabeça do bebé, coloca o braço da criança à volta da cintura e, com a outra mão, segura o seio junto à cabeça do bebé. Deve ter o polegar na parte superior do seio e todos os outros dedos na parte inferior e bem afastados da auréola (área escura que rodeia o mamilo).
A mãe toca então suavemente com o mamilo nos lábios do bebé e, quando este reage dirigindo-se ao seio e abrindo a boca, usa o braço para o aconchegar contra o seio. Deve «fazer pontaria» à parte superior da boca do bebé, para que o lábio inferior fique bastante abaixo do mamilo.

Se todos estes passos forem correctos, não haverá dor."

"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman

La Leche League em Portugal