terça-feira, 17 de maio de 2005
Notas baixas na escola?
domingo, 15 de maio de 2005
Entre aspas
Esta mãe indicou-me o blogue de onde foi retirado e aqui deixo o link para que possam ler mais se vos agradar.
" Não sei quantos de vocês possuem livros de cabeceira, mas eu possuo alguns, e tenho por costume abrir um deles aleatoriamente pela manhã, acredito que o universo me envia por meio do livro a mensagem na qual preciso refletir naquele dia. Tenho certa predileção por um deles, que é simples e directo, o Manual do Guerreiro da Luz, do Paulo Coelho. Por isso, escolhi uma mensagem dele para deixar aqui aqui hoje.
"O guerreiro sabe que as palavras mais importantes em todas as línguas são palavras pequenas.
Sim. Amor. Deus.
São palavras que saem com facilidade, e preenchem gigantescos espaços vazios.
Entretanto, existe uma palavra - também muito pequena - que muita gente tem dificuldade em dizer: não.
Quem jamais diz não, acha-se generoso, compreensivo, educado; porque o não tem fama de maldito, egoísta, pouco espiritual.
O guerreiro não cai nesta armadilha. Há momentos em que - ao dizer sim para os outros - ele pode estar dizendo não para si mesmo.
Por isso, jamais diz sim com os lábios, se o seu coração está dizendo não."
http://carolbottacin.zip.net/
domingo, 8 de maio de 2005
Atingimos o pico dos erros alimentares
Saliento apenas uma passagem, relativamente à amamentação:
(...)
"Pela amamentação?
Que é algo que se tem de promover muito mais. É errado começar a dar sopa e fruta aos quatro meses e depois as papas. O ideal seria amamentar a criança em regime exclusivo até aos seis, sete meses de idade. Quando se dá alimentos muito calóricos a uma criança pequena, ela aumenta de peso muito rapidamente, o que não é bom. Nós formamos adipósitos, que é o tecido gordo, até aos dois anos. Se deixarmos a criança engordar rapidamente, ela ficará sempre em desvantagem, porque passa a ter muito tecido adiposo. E terá sempre problemas para manter o peso. Durante toda a vida"
(...)
Fiquei bastante satisfeita com o artigo mas o mesmo já não posso dizer de um outro na mesma revista, escrito pela Jornalista Andreia Azevedo Soares, intitulado "Deficiência em ferro na gravidez pode prejudicar relação afectiva entre mãe e bebé"
Em primeiro lugar, esta chamada deficiência não é nada mais nem nada menos do que uma resposta natural da placenta ao diluir o sangue para que o bebé obtenha todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Esta hemodiluição é natural e desejada significando isto que todas as mulheres grávidas deveriam ter um nível de hemoglobina baixo. Isto não é uma deficiência mas sim uma resposta natural de uma placenta a funcionar bem. Existem estudos que relacionam níveis de hemoglobina entre os 9 e os 9.5 e resultados mais positivos de partos e de maior peso dos bebés.
Em segundo lugar, este "estudo" envolveu um número de 64 mulheres que apresentavam uma falta moderada em ferro (normal!) e outras 31 cuja falta era aceitável (?)...
Duvido que esta amostra seja sequer considerada um estudo! Onde estão as diferenças?
Para estudos sérios e conclusivos de que a maior parte das mulheres não necessitam de suplementos vitamícos queiram ver, por favor, a bibliografia recomendada no nosso blogue em A Guide to Effective Care in Pregnancy and Chilbirth.
Em terceiro lugar, isto é o que chamo de "artigo causador de ansiedade", isto porque acredito que neste momento haverá uma série considerável de pré-mamãs a considerarem tomar suplementos de ferro apenas por receio de que isso vá pertubar a sua relação afectiva com o seu bebé!!!!!
E para quem estás de graças, ansiedade e preocupações não são bem vindas!!! Ainda por cima infundadas!
Claro, nem tudo no artigo está incorrecto, a jornalista acompanha com algumas dicas de alimentos onde encontrar ferro, o que me lembra que a maior parte das mulheres não necessita de suplementos, mas sim de conselhos sobre nutrição.
sexta-feira, 6 de maio de 2005
Comunicação in utero
Quando as mulheres aprendem a comunicar com o seu interior, com o seu instinto, elas podem manter os seus bebés mais seguros e, possivelmente, até interromper um parto prematuro ou mesmo parar/impedir o avanço da toxemia (envenenamento do sangue).
Aprender como comunicar com o bebé pode até ajudar a que o bebé se vire, quando não se encontrar na posição de nascimento, se for seguro para o bebé e a mãe.
tradução de um texto da obstetra Christiane Northrup
versão integral aqui
quinta-feira, 5 de maio de 2005
Parabéns à Fátima
A Laura nasceu à 15h e 31 minutos de um dia de muito sol e luz!
Um abraço ao pai e um beijinho especial à doula Cristina Pincho pela ajuda prestada!
terça-feira, 3 de maio de 2005
Organização Mundial de Saúde alerta: os bebés estão a ser superalimentados
Dados recentes apurados pela organização mostram que as tabelas de crescimento superestimaram o peso que os bebés devem ganhar na fase de crescimento, o que terá levado ao uso excessivo do leite em pó.
Segundo a pesquisa da OMS, que analisou 8.440 crianças em seis países, as tabelas de crescimento usadas por profissionais da saúde estão erradas.
As tabelas sugerem que as crianças de um ano devem pesar entre 10,2 kg e 12,93 kg, quando na verdade deveriam pesar entre 9,53 kg e 11,79 kg, de acordo com a OMS.
Os investigadores dizem que a superalimentação das crianças pode explicar em parte o porquê da actual geração de adultos ser a mais obesa de todos os tempos.
=> texto integral aqui
segunda-feira, 2 de maio de 2005
Mimos
“Não temos emenda. Estamos fartos de saber as coisas mas precisamos sempre do parecer de um especialista para acreditarmos no que sentimos. Neste Dia da Mãe, os cientistas vêm dizer-nos que os mimos que damos aos nossos bebés influem directamente nos seus genes e os tornam mais capazes de lidar com o stress. Por isso, se hesitava em encher o seu bebé de beijos, deixe-se disso e dê-lhe todo o colo do mundo.”
(…)
“Como foi possível que nos tivéssemos achado tão diferentes dos outros animais que se aconchegam no ninho com os seus filhinhos e os lambem e aquecem com o calor do próprio corpo? Mas a verdade é que a lavagem ao cérebro estava feita, e estimulados por descobertas cientificas de vírus e bactérias que assustadoramente «estão em todo o lado», durante muito tempo demos-lhes um tratamento asséptico, colocando os recém-nascidos em cubas desinfectadas, impedidos de contactar com um mamilo que não tivesse sido previamente esterilizado, como alias devia ser tudo, até o toque materno.”
Partes do texto publicado na revista “noticias magazine” (Jornal de Noticias de 01/05/2005), escrito por Isabel Stilwell (Directora) com o título “As festinhas têm um efeito … genético! – Investigação”
Mercado de Trabalho: grávidas e mães são penalizadas
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Parabéns à Ana Sofia Baptista
Um lindo bebé com 2.835kg que deixou os seus pais muito felizes! E a nós também. Um abraço e beijinhos de felicidades para a nova família!
Revista Pais & Filhos
Queremos aqui deixar um muito obrigada à Jornalista Ana Esteves pela correcção e excelência do artigo!!! E agradecer também a todos quantos nos deram os parabéns pelo mesmo.
Este caminho só foi possível porque contamos com o vosso apoio!
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Somos mamíferos.
Para trazer ao mundo as suas crias, as fêmeas dos mamíferos devem segregar certo número de hormonas bem conhecidas. As mesmas hormonas se desencadeiam no momento do parto de um ser humano. São libertadas pelas estruturas primitivas do cérebro que temos em comum com todos os mamíferos, ponto de partida de qualquer intento de compreensão do processo de parto na nossa espécie.
(…) Todas as culturas que conhecemos encontraram meios para perturbar o período que rodeia o nascimento e para negar as necessidades fundamentais que compartilhamos com os demais mamíferos.
(…) Tem-se dado uma grande credibilidade às atitudes que se apoiam numa incompreensão fundamental dos processos fisiológicos. Os franceses são responsáveis pelos extravios mais significativos. Assim, Lamaze, obstetra francês, pai da psicoprofilaxia ocidental, dizia e escrevia que uma mulher deve aprender a dar à luz tal como aprende a andar, a ler ou a nadar. Estas indicações despistaram o mundo inteiro, e com o tempo, resultaram numa crise. (…) Foi assim que gerações de mulheres gestantes foram preparadas para o parto.
A interpretação do processo de parto como um processo involuntário que põe em marcha as estruturas ancestrais, primitivas, mamalianas do cérebro, pressupõe desfazer a ideia aceite de que uma mulher pode aprender a parir. Esta interpretação permite, inclusive, compreender que não se pode ajudar activamente uma mulher a parir. Não se pode ajudar num processo involuntário. Somente se pode evitar perturbá-lo demasiado.”
In Michel Odent “El bebé es un mamífero” 1990.
Traduzido e adaptado por Carla Guiomar.
terça-feira, 19 de abril de 2005
Que benefícios trazem as doulas?
Está comprovado cientificamente que o acompanhamento da mãe por uma doula contribui para uma diminuição significativa de intervenções como o uso de oxitocina, fórceps, ventosas e cesarianas, de pedidos de anestesia por parte da parturiente, da duração do trabalho de parto, do risco de complicações pós-parto como febre materna, infecções e hemorragia.
As mães relatam uma experiência de parto mais satisfatória e gratificante, sentem-se mais fortalecidas, e apresentam níveis mais baixos de ansiedade, e níveis mais elevados de atenção e receptividade para com o seu bebé, o que favorece o vínculo precoce. O risco de depressão pós-parto é diminuído.
Para o bebé os benefícios também são evidentes: o risco de complicações e de internamento prolongado é diminuído e favorece-se o sucesso da amamentação.
As vantagens também ocorrem para o Sistema de Saúde, que além de oferecer um serviço de maior qualidade, tem uma significativa redução nos custos, dada a diminuição das intervenções médicas e do tempo de internamento de mães e bebés.
Um Estudo de 1993 por Kennel and Klaus demonstrou que as mulheres que têm uma doula no seu parto experimentam:
- Redução de 50% na realização de cesarianas
- Redução em 25% na duração do trabalho de parto
- Redução de 60% nos pedidos de anestesia epidural
- Redução de 30% nos pedidos de alívio da dor
- Redução de 40% no uso da oxitocina sintética
- Redução de 40% no uso de forceps.
Nas palavras do obstetra brasileiro Dr. Ricardo Jones:
“As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam a nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento”.
quarta-feira, 13 de abril de 2005
O valor do leite materno
O leite materno produzido anualmente pelas novas mães australianas tem um valor económico de 1,27 mil milhões de euros, de acordo com um estudo recentemente publicado pelo governo da Nova Gales do Sul.
O relatório, elaborado por peritos da Universidade Nacional Australiana, assinala que esse seria o valor de mercado dos 34 milhões de litros produzidos por ano pelas mães australianas. O estudo recomenda às mães que amamentem os filhos até aos seis meses e que alternem o leite materno com as papas e outros alimentos até aos 12 meses.
De referir que se estas recomendações fossem cumpridas, a produção total de leite materno chegaria aos 59,3 mil milhões de euros anuais, segundo o relatório, que indica ainda que o leite materno é mais barato do que os preparados farmacêuticos e que protege os bebés das infecções, diabetes e tendência para a obesidade.
No que diz respeito às mães, o relatório considera que amamentar os filhos reduz o risco de contrair determinados cancros e de fracturas da bacia.
Para Judie Smith, uma das autoras do estudo, amamentar os filhos é um acto de amor, mas "num mundo onde nada tem valor se não for avaliado em dólares ou euros, é necessário explicá-lo com dados económicos" e isso porque, sendo o valor económico do leite materno significativo para a economia nacional, em termos de dinheiro, mesmo assim é subestimado pelos decisores políticos e pelos profissionais de saúde.
FONTE: Agência Lusa, 31 março 2005
terça-feira, 12 de abril de 2005
Parabéns à Graça
Parabéns pela coragem em enfrentar os medos, as dúvidas e os receios. Um beijinho grande para vocês!
sexta-feira, 8 de abril de 2005
Encontro no Porto
Pretende-se com este encontro em terras do Norte uma troca de experiências sobre a gravidez, parto e pós-parto (já que são estes os principais assuntos que nos unem), dar uma cara aos imensos nomes que têm participado neste movimento de humanização e difundir o carinho, atenção e respeito a que todas as mulheres têm direito.
Este encontro está aberto a toda a gente, mães e pais, grávidas e grávidos, doulas e profissionais de saúde.
Mais detalhes aqui.
terça-feira, 5 de abril de 2005
E Se Eu Quiser Desmamar O Meu Bebé?
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE UNS DIAS ele receberá o seu colostro, ou primeiro leite. Ao fornecer os anticorpos e o alimento que o seu corpo novinho em folha espera, a amamentação dá ao bebé a sua primeira – e mais fácil – “imunização” e ajuda o seu sistema digestivo a começar a funcionar sem sobressaltos. O bebé espera começar pela amamentação, que também ajudará o corpo da mãe a recuperar do parto. Levando em consideração quanto o bebé tem a ganhar e o pouco que a mãe tem a perder faz sentido amamentar ao menos por um dia ou dois, nem que tencione usaro biberão depois disso.
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE QUATRO A SEIS SEMANAS ter-lhe-á facilitado a passagem pela parte mais crítica da sua infância. Os recém-nascidos que não são amamentados têm mais hipóteses de adoecerem ou de serem hospitalizados e têm muito mais problemas digestivos do que os bebés que são amamentados. Ao fim de um período de 4 a 6 semanas deverá, também, já ter ultrapassado as suas próprias dúvidas quanto à amamentação. Marque, como objectivo sério, amamentar durante um mês, contacte a LaLeche ou um consultor certificado de lactação se tiver dúvidas, e estará numa melhor posição para decidir se está disposta a continuar com a amamentação.
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 3 A 4 MESES o seu sistema digestivo terá amadurecido bastante e será bem mais capaz de tolerar as substâncias estranhas das fórmulas comerciais. No entanto, se existir um historial familiar de alergias, reduzirá fortemente o risco se esperar mais uns meses antes de adicionar seja o que for à sua dieta de leite materno. Dar apenas leite materno nos primeiros quatro meses dá uma protecção forte, durante um ano inteiro, contra infecções de ouvidos.
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 6 MESES sem adicionar qualquer outra comida ou bebida ele terá menos hipóteses de sofrer, mais tarde, uma reacção alérgica às fórmulas ou outros alimentos; a Academia Americana de Pediatria recomenda esperar até cerca dos 6 meses antes de oferecer alimentos sólidos. A amamentação durante pelo menos 6 meses garante uma saúde melhor durante o primeiro ano de vida do bebé, reduz o risco de infecções de ouvidos e de cancros infantis do pequerrucho e reduz o seu próprio risco de cancro da mama. E uma amamentação exclusiva e frequente durante os 6 primeiros meses, caso o seu período não tenha voltado,fornece uma contracepção 98% eficaz.
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE 9 MESES tê-lo-á feito atravessar o mais rápido e importante desenvolvimento da sua mente e do seu corpo com o alimento que foi planeado para ele – o seu leite. Uma amamentação de pelo menos esta duração ajudará a garantir um melhor desempenho durante todo o seu período escolar. O desmame é bastante fácil nestas idades... mas a amamentação também o é! Se quer evitar o desmame tão cedo então deverá estar disponível para amamentar não só para o alimentar mas também para o confortar.
SE AMAMENTAR O BEBÉ DURANTE UM ANO pode evitar a despesa e o incómodo da fórmula. O seu corpo de um ano poderá provavelmente lidar com os alimentos do resto da família. Muitos dos benefícios para a saúde obtidos pela criança com este ano de amamentação durarão para o resto da sua vida. Terá, por exemplo, um sistema imunitário mais forte e menos probabilidades de precisar de terapia de ortodontia ou de fala. A Academia Americana de Pediatria recomenda a amamentação durante pelo menos um ano porque ajuda a garantir a nutrição normal e a saúde do seu bebé.
SE AMAMENTAR O SEU BEBÉ DURANTE 18 MESES terá continuado a fornecer a nutrição, o consolo e a protecção contra doenças que o seu bebé espera e isto num período durante o qual são vulgares as doenças em bebés alimentados a biberão. É muito provável que o seu bebé já esteja bem avançado em alimentos normais. Teve tempo para criar uma ligação forte consigo – um ponto de partida saudável para a sua independência crescente. Tem idade suficiente para que possam trabalhar juntos no processo de desmame, a um ritmo com que ele possa lidar. Um ex-Cirurgião Geral dos EUA disse: “é sortudo o bebé que... é amamentado até aos dois anos.”
SE A SUA CRIANÇA SE DESMAMAR QUANDO ESTÁ PRONTA PARA ISSO poderá sentir-se confiante por ter satisfeito, de um modo muito normal e saudável, as necessidades físicas e emocionais do seu bebé. Nas culturas em que não há pressões para o desmame as crianças tendem a mamar durante pelo menos dois anos. A Organização Mundial de Saúde e a UNICEF encorajam, fortemente, a amamentação enquanto as crianças aprendem a andar: "O leite materno é uma fonte importante de energia e de proteínas e ajuda a proteger contra as doenças durante o segundo ano de vida da criança." A nossa biologia parece orientada para uma idade de desmame entre os 2 1/2 e os 7 anos e faz sentido construir os ossos das nossas crianças a partir do leite que foi planeado para elas. Enquanto continuar a amamentar, o seu leite fornecerá anticorpos e outras substâncias protectoras e as famílias de crianças mais velhas que ainda mamam descobrem, muitas vezes, que as suas contas médicas são menores do que as dos vizinhos, e isto durante muitos anos. Pesquisas indicam que quanto mais tempo uma criança mamar maior é a sua inteligência. As mães que amamentam durante muito tempo têm, ainda, um menor risco de contrair cancro da mama. As crianças que mamaram durante muito tempo tendem a ser muito seguras e têm menos hipóteses de chuchar no dedo ou de andar com um cobertor. A amamentação poderá ajudar ambos a ultrapassar as lágrimas, birras e trambolhões da primeira infância e ajuda a garantir que quaisquer doenças serão menos sérias e mais fáceis de tratar. É uma ferramenta materna para todos os fins que nunca quererá que lhe falte! Não tenha medo de que a sua criança mame eternamente. Todas as crianças param por si mesmas, faça o que fizer, e há por aí muito mais crianças crescidinhas que ainda mamam do que poderia imaginar.
QUER AMAMENTE POR UM DIA OU POR VÁRIOS ANOS a decisão de amamentar o seu filho é algo de que nunca se arrependerá. E quando chegar a altura do desmame lembre-se de que é um grande passo para ambos. Se escolher desmamar o seu filho antes de ele estar pronto faça-o gradualmente e com amor.
(Se precisar de conselhos de amamentação pode também contactar as Doulas de Portugal que a porão em contacto com as consutloras da La Leche em Portugal)
2000 Diane Wiessinger, MS, IBCLC 136 Ellis Hollow Creek Road Ithaca, NY14850
Agradecemos à futura doula Natália Fialho o envio deste belíssimo texto.
domingo, 3 de abril de 2005
Parabéns à Berta
quinta-feira, 24 de março de 2005
Formação para novas doulas
Qualquer questão ou dúvida, escrevam-nos, por favor, para doulasdeportugal@yahoo.com
quarta-feira, 16 de março de 2005
Carta de uma mãe sobre o trabalho das doulas
Só quando conheci a doula Luísa soube realmente o que era o trabalho de uma doula.
Iniciámos o acompanhamento por volta das 30 semanas de gravidez. Eu e o meu marido tínhamos encontros regulares com a doula onde expunhamos as nossas dúvidas e receios que ela prontamente esclarecia. Para além disso a doula Luísa esteve sempre disponível via e-mail e telemóvel a qualquer hora do dia ou da noite.
No decorrer do acompanhamento demonstrámos o nosso desejo de que o parto tivesse lugar em casa. Tal ideia já era anterior ao nosso encontro com as doulas no entanto só a começámos a materializar durante o acompanhamento precisamente porque sentimos o apoio da doula. Preparámo-nos então para que o parto acontecesse em casa mas este objectivo veio a ser abandonado já durante o trabalho de parto devido à ausência de uma parteira(o).
O trabalho de parto, que decorreu em casa durante 3 dias, foi sempre acompanhado pela doula que se deslocava até nossa casa, inclusive durante a noite, vigiando as várias fases do trabalho de parto e sossegando principalmente o meu marido. Ela falava baixinho e ajudava a sentir as contracções de forma muito positiva. Correu tudo lindamente.
A determinada altura, numa madrugada, a doula conversou connosco e disse-nos que achava melhor irmos para o hospital uma vez que o trabalho de parto já durava há alguns dias e em casa não tínhamos meios de ver se estava tudo bem com o bébé. Aceitei o facto com alguma tristeza pois não era isso que pretendia para o meu parto. Telefonei à minha médica para que ela avisasse o colega de serviço e fomos para o hospital. A própria doula conduziu-nos no carro dela até ao hospital.
E foi assim que no dia 23 de Novembro pelas 10h dei entrada no reino da tecnocracia, leia-se, Hospital Reynaldo dos Santos em Vila Franca de Xira.
Embora com bastantes contracções fui para a fila (extensa fila), fiz a ficha, esperei, fui à triagem, da triagem indicaram-me que me dirigisse ao piso de obstetrícia. Só estes procedimentos já estavam a atrapalhar e muito um trabalho de parto fantástico que eu trazia de casa. Mas isto era só o início...
Quando cheguei à obstetrícia uma enfermeira minha conhecida veio falar comigo e por volta das 10h40 entrei para a consulta. O médico era uma pessoa sem qualquer vislumbre de humanidade. Disse-me: "Dispa-se", observou-me e depois disse "Vista-se, mas não muito porque vai ficar internada". Mais tarde, na sala de dilatação e na sala de partos o comportamento do médico manteve-se, fui sempre tratada como uma doente que não o era e dentro deste falso estatuto fui tratada não como um ser humano, mulher e mãe no seu momento sagrado mas como um objecto do seu trabalho. Senti-me humilhada.
Entretanto fui sujeita a uma série de procedimentos, alguns deles degradantes para uma mulher em trabalho de parto, e principalmente, todos completamente desnecessários e desaconselhados pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Ninguém me pediu autorização para a realização dos procedimentos que envolviam a minha pessoa e o meu corpo, nem tão pouco fui informada de que iam ser realizados. Chegaram mesmo a injectarem-me substâncias sem me informarem do que se tratava e do porquê da injecção mesmo depois de eu questionar.
O Alexandre nasceu às 15h55 no meio de mais três procedimentos desnecessários: episiotomia, uso de ventosa e de fórceps. Isto porque o médico estava com muita pressa, o seu turno terminava às 18h e ainda tinha duas cesarianas para fazer e como o hospital não paga horas extraordinárias...
Nem durante a dilatação nem durante o parto permitiram a presença da doula nem do meu marido. Estive sempre sozinha. Aliás a solidão foi a dor maior e não tenho dúvidas que a presença da doula atenuaria a dor psicológica imensa que tenho do trabalho de parto (realizado no hospital) e do parto.
Logo depois do nascimento não me deixaram sequer ver o meu filho e só o vi duas horas depois quando mo trouxeram para mamar, como ele não mamou logo (porque não tinha vontade) levaram-no novamente e deram-lhe um biberão que ele vomitou. Devido a mais este procedimento inconsequente o meu filho passou mais de 48h numa incubadora com sonda gástrica, soro, monitorizado e longe de mim.
Sei que o seu trabalho não se centra no atendimento hospital mas sim no trabalho das doulas mas creio que os dados que lhe transmito no parágrafo anterior são importantes para vermos que o que a doula fez o ambiente hospitalar desfez. Depois de uma gravidez fantástica sem qualquer tipo de problema ou preocupação, uma preparação para o parto acompanhada pela doula Luísa e o trabalho de parto também acompanhado pela doula onde sempre fui tratada com respeito e carinho, chego ao hospital e toda a preparação anterior cai por terra e no seu lugar aparece a dor e a revolta de um tratamento indigno.
O acompanhamento pela doula durante a gravidez foi essencial para que eu pudesse viver a minha gravidez de uma forma bastante saudável e informada. Creio que se não fosse a assistência da doula Luísa durante a gravidez o meu filho não teria nascido no dia 23, como a natureza determinou mas no dia 9 de Novembro, data em que a minha médica queria que eu fizesse um parto induzido. Opção que nós recusámos precisamente porque estávamos informados dos riscos e consequências inerentes a uma indução de parto.
Já no pós-parto o acompanhamento pela doula continuou e posso dizer-lhe que foi determinante no sucesso da amamentação e no facto de eu não ter “caído” em depressão pós-parto. Assim que regressei do hospital a doula Luísa veio visitar-nos, trouxe-nos uns bolinhos e uma prendinha para o Alexandre, conversámos e estas visitas repetiram-se nos momentos mais críticos sempre que precisei.
O trabalho das doulas é fantástico!
Lídia Matos
Formação para novas doulas
O local da formação será na Quinta do Marquês, a escassos 2 minutos da saída da A5/Alcabideche, e tem 26 hectares de terreno de uma beleza extraordinária, mesmo no meio do Parque Natural Sintra-Cascais.
A sala de formação tem uma kitchinette e espaço para 20 pessoas.
Tem um grande relvado a frente da sala por exemplo para as crianças brincarem.
O horário da formação é das 9h 30m até às 12h 30 e das 14h até às 17h 30m, isto de sexta a domingo.
sexta-feira, 11 de março de 2005
Formação para novas doulas
Obrigada!
Carla Guiomar e Luisa condeço
quinta-feira, 10 de março de 2005
Ser Protagonista
O que é ser protagonista da própria vida?
É poder escolher. Ter liberdade para escolher.
Usando quais critérios?
Aqueles que vêm do que se pensa, sabe, acredita e sente.
Por isso é importante estimular as mulheres:
- a buscarem informações de qualidade (cientificamente embasadas e sensatas)
- a tomarem consciência do sentido e do valor simbólico do parto
- a valorizarem suas necessidades físicas, emocionais e afetivas
Na era da informação, tem de tudo, lê-se de tudo, ouve-se de tudo.
Não é suficiente, porém, ter um título para ser um bom profissional.
Que tipo de saber precisamos na gestação e no parto?
Precisamos de um tipo de saber que não esteja vinculado somente ao conhecimento acadêmico ou à prática estabelecida e habitual. É necessário o bom senso e o conhecimento comprometido com o humano e que valorize o saber vivencial (de todos os agentes).
A função de discernimento que pode ter uma parturiente se manifesta plenamente quando ela se coloca estas perguntas:
- Sinto-me confortável com esses profissionais?
- Sinto-me bem nesse ambiente?
- Estou na melhor posição?
- Sinto-me confortável?
- Sinto-me livre para fazer o que desejo?
- Sinto-me respeitada?
- Dei meu consenso às intervenções que estão sendo feitas?
- Sinto-me amparada e apoiada?
- Sinto-me segura?
Colocar-se estas perguntas é um sinal de amor próprio e autovalorização.
Ser protagonista é sentir-se livre e ter coragem para dizer o que se sente, quer e necessita.
Uma relação profissional humanizada é aquela que é receptiva ao saber inerente àquela mulher, às suas necessidades, anseios, preferências e modo de ser.
Por Adriana Tanese Nogueira, coordenadora ONG Amigas do Parto, Brasil
in http://www.amigasdoparto.org.br/ce_obstetricia_03_11.asp
quarta-feira, 2 de março de 2005
Reportagem Revista Sábado
I ENCONTRO DE HUMANIZAÇÃO DO NASCIMENTO EM PORTUGAL
Deste encontro saíu a decisão, por unanimidade, de se constituir a Associação Doulas de Portugal como a organização dinamizadora do Movimento pela Humanização do Parto em Portugal. Dessa associação farão parte os sócios efectivos (as doulas) e os sócios amigos das doulas.
Todos juntos queremos devolver o protagonismo do parto às mulheres, aos seus filhos e às suas famílias. Queremos informar e inspirar uma nova geração de pessoas sobre o que realmente significa dar à luz e como esse momento é importante para o bem estar integral desse ser que nasce, dessa mulher que renasce e que reescreve a história da sua família. De mãos dadas com a sabedoria intuitiva e ancestral e com as modernas evidências científicas.
Um bom trabalho para todos nós!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Primeiro Encontro de Doulas em Portugal
Doulas, amigas e outras pessoas interessadas na humanização do parto são todas bem vindas.
O encontro será nas escadas de madeira á saida do centro comercial Vasco da Gama, para o Parque Expo.
Informações através de doulasdeportugal@yahoo.com
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Parabéns à Susana Pinho
A Susana chegou à Maternidade do Hospital Amadora-Sintra (onde foi muito bem recebida pela equipa de serviço) já com 10cm de dilatação.
Foi muito bem acompanhada pela Doula Cristina Pincho, a quem as Doulas de Portugal dão os parabéns merecidos!
Abraços a todos!
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Amamentação
Ciente destes factos, a maioria das mães quer amamentar os seus bebés. Infelizmente muitas desistem da ideia ou desmamam cedo os seus filhos ao depararem-se com problemas para os quais não encontram o auxílio de que necessitam. Aquilo que acontece durante o parto, o nascimento e as primeiras refeições pode influenciar em larga medida o sucesso ou o fracasso da amamentação.
(…)
O que poderá ajudar as mães e os bebés a começarem a amamentação da melhor maneira possível?
Manter mães e bebés juntos após o parto é bastante útil.
Os recém-nascidos que começam a mamar num espaço de duas horas a seguir ao parto têm menos probabilidade de virem a ser desmamados cedo do que bebés que só começam a mamar quatro ou mais horas a seguir ao nascimento. Isto não quer dizer que nos casos em que o bebé necessite de escudos especiais (ou não possa mamar por qualquer outra razão), a amamentação esteja condenada ao fracasso, mas indica que estas mães e estes bebés precisam de auxílio adicional para conseguirem estabelece-la.
(…)
O sucesso da amamentação depende em larga medida do posicionamento correcto do bebé e da sua forma de tomar o seio. A melhor forma de aprender as posições mais favoráveis à amamentação consiste em observar várias mães a amamentar os seus bebés, mas na nossa sociedade, poucas mulheres têm essa oportunidade. Se tiver a oportunidade de assistir a reuniões da La Leche League durante a gravidez, aprenderá bastante sobre a amamentação.A posição mais comum para a primeira amamentação é aquela em que a mãe se mantém sentada com as costas apoiadas e uma almofada no colo para segurar o bebé ao nível dos seios. Utiliza o antebraço, junto à articulação do cotovelo, para apoiar a cabeça do bebé, coloca o braço da criança à volta da cintura e, com a outra mão, segura o seio junto à cabeça do bebé. Deve ter o polegar na parte superior do seio e todos os outros dedos na parte inferior e bem afastados da auréola (área escura que rodeia o mamilo).
A mãe toca então suavemente com o mamilo nos lábios do bebé e, quando este reage dirigindo-se ao seio e abrindo a boca, usa o braço para o aconchegar contra o seio. Deve «fazer pontaria» à parte superior da boca do bebé, para que o lábio inferior fique bastante abaixo do mamilo.
Se todos estes passos forem correctos, não haverá dor."
"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman
La Leche League em Portugal
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
Cesariana Anterior
(…)
A incisão uterina «clássica», mais antiga, é vertical e percorre a parte superior do útero, mais rica em tecido muscular e que se contrai durante o parto. Ocasionalmente, pode efectuar-se uma incisão em forma de «T invertido», constituída por um primeiro corte transversal, na parte inferior do útero, e por um segundo corte vertical, que vai da parte inferior à parte superior e musculatura do útero; este corte é efectuado pelo médico para criar mais espaço quando existem dificuldades em tirar o bebé. O aspecto da incisão cutânea – transversal ou vertical – nada tem a ver com a incisão uterina.
Com uma incisão transversal na parte inferior do útero, as hipóteses de ruptura são bastante reduzidas: o risco vai de 0,09 a 0,22%.
Os dados sobre o trabalho de parto nas mulheres com uma incisão clássica na parte superior do útero são muito escassos. As estimativas mais fiáveis relativas ao risco de ruptura vão dos 2,2 aos 14%. Os dados sobre o trabalho de parto em mulheres com uma incisão em forma de T invertido também são limitados: actualmente, a melhor estimativa sugere um risco de ruptura de cerca de 1,3%.
(…)
Quando as mães decidem ter um parto vaginal após cesariana deverá a assistência ao trabalho de parto ser diferente da assistência a um «parto normal»? A combinação das conclusões de várias pesquisas indicam que a mulher que entra em trabalho de parto após uma cesariana deve ser tratada exactamente da mesma forma que qualquer outra parturiente.”
“Gravidez e Parto - As Melhores Provas” de Joyce Barrett e Teresa Pitman
terça-feira, 8 de fevereiro de 2005
Tomar Decisões
Têm sido realizados estudos e pesquisas consideráveis sobre a gravidez e o parto, mas estes nem sempre dão origem a respostas claras. As pesquisas demonstram que algumas das rotinas outrora comuns são inúteis. É o caso da monitorização fetal electrónica, as episiotomias e a raspagem dos pelos púbicos da mãe. Algumas pesquisas descobriram tratamentos que podem salvar vidas, como por exemplo a administração de gamaglobulina às mães com factor Rh-. Outras, limitaram-se a confirmar aquilo em que as mulheres sempre acreditaram: caminhar e efectuar movimentos durante o parto é útil, ter um apoiante é algo inestimável e as mulheres sabem quando e como fazer força para expelir os bebés.
No entanto, a pesquisa é apenas uma base de apoio. Cabe-lhe a si decidir como aplicar os resultados dessas pesquisas à sua situação individual. Trata-se do seu bebé, do seu corpo, da sua família e é você que vai conviver com as consequências das decisões que tomar. Sabe o que é importante para si e pode fazer as opções certas para a sua gravidez encarando os resultados das pesquisas como apenas um factor (sem duvida, importante) da tomada de decisão."
"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
Monitorização Contínua
Elizabeth recorda: «Sempre que me mexia, o sinal sonoro que indicava o ritmo cardíaco no monitor tornava-se extremamente ténue. Eu entrava em pânico, o meu marido entrava em pânico e eu tentava não me mexer mais. Depois a enfermeira reajustava calmamente os cintos e ficava tudo bem… até eu me mexer outra vez. Passado algum tempo o meu marido pediu-lhe para desligarem a máquina e isso ajudou».
Noor achou o monitor limitativo. «Eles queriam que eu me mantivesse sempre na mesma posição mas isso era desconfortável. Queria liberdade para me movimentar. A certa altura a enfermeira entrou e disse: "Deixou de ter contracções?" Tinha voltado a mover a correia e a maquina não estava a registar nenhuma contracção. Ela ficou bastante irritada comigo por causa disso».
Quando se usa a monitorização interna, existe o risco de a pinça se soltar do crânio do bebé. Isto pode dar origem a um pânico momentâneo, pois dá a sensação de que o coração do bebé deixou de bater.
(…)
Grandes experiências clínicas (que incluíram 17 000 mulheres) compararam os resultados entre partos em que a mãe e o bebé haviam sido examinados intermitentemente através de um fetoscópio e partos em que tinha sido usado um monitor electrónico fetal.
Para aqueles que depositavam grandes esperanças no monitor electrónico fetal, os resultados foram decepcionantes: o número de cesarianas e de extracção por fórceps ou ventosas era significativamente mais elevado no grupo de monitorização continua. No entanto, para os bebés, os resultados foram exactamente os mesmos em ambos os grupos.
(…)
A conclusão inescapável é que a monitorização continua provoca um aumento das intervenções – cesarianas, fórceps e ventosas – sem qualquer vantagem para o bebé.”
"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005
Humanização do parto: Qual o seu verdadeiro significado?
(...) Neste artigo ele tenta demonstrar o perigo de se criar Casas de Parto porque "nunca se pode ter certeza de que um nascimento seja isento de risco", terminando com uma acusação ao Ministério da Saúde afirmando que este tipo de "experiência" só serve para fazer economia às custas da segurança dos pacientes. Citava lugares do mundo onde os partos são exclusivamente hospitalares e "esquecia-se" de citar locais como a Holanda onde mais de 30% dos partos se situam fora dos hospitais e sob o cuidado de parteiras.
Quando fui aluno deste professor sempre me chamou a atenção a sua postura intervencionista, tecnológica, seu posicionamento claramente favorável às abordagens científicas e técnicas do parto e sua especial simpatia pela obstetrícia americana. Alguns anos antes, ao candidatar-se a cargo eletivo na Cooperativa Médica local, calcou sua plataforma médica na questão do combate aos "profissionais alheios à medicina" que estariam exercendo atividades na obstetrícia, numa alusão clara à atividade das enfermeiras obstétricas. Colegas me relatavam que no seu plantão no Hospital da Universidade ele proibira que enfermeiras da graduação realizassem qualquer tipo de atendimento obstétrico.
Bem, nada disso é surpreendente. Estas coisas todas eram do meu conhecimento. Sabia que ele como professor de obstetrícia reproduzia todo um arcabouço filosófico que sustenta e embasa o proceder ritualístico da obstetrícia contemporânea. Entretanto o que me deixou espantado é que nossa conversa iniciou-se com a seguinte frase por ele pronunciada: "- Dr, as coisas que aqui serão discutidas nada tem a ver com sua posição em relação à Humanização do Nascimento, até porque sou claramente favorável a ela."
Quando o meu honorável professor proferiu esta sentença eu fiquei pensando: existe alguma coisa que não está bem explicada a respeito da humanização do nascimento. Se este professor considera-se um defensor do Parto Humanizado, sendo que ele é o responsável técnico de uma maternidade que tem 80% de cesarianas, que trabalha como professor de obstetrícia e forma os obstetras que vão trabalhar posteriormente nesta mesma maternidade (e o faz há mais de 20 anos), escreve e discursa contra as Casas de Parto e não aceita o atendimento de obstetrizes em partos de baixo risco, o que sou eu então? Percebi que existe muita confusão conceitual nesta área, e que se quisermos realmente modificar estas questões temos que definir claramente qual a nossa proposta de modelo, o que queremos dizer com humanização, quais os nossos objetivos e as nossas metas. Assim como a discussão do "normal e natural", a discussão do "humanizar" faz-se necessária, sob pena de colocarmos em um mesmo saco gatos, cães, lebres, coelhos. Não é admissível que "humanização" torne-se um chavão vazio, como tantos outros que conhecemos, em que todos o utilizem sem a menor responsabilidade e sem ter consciência exata do que estão tratando.
(...) percebo que ainda não possuímos uma definição concreta e precisa do que entendemos por humanização, a ponto de um médico que me parece claramente um "intervencionista" tradicional auto-proclamar-se "humanista". Porquê?
(...) O equívoco que a mim parece evidente nas palavras do meu professor é que ele não tem conhecimento do que seja o projeto de humanização no seu sentido amplo e profundo.
Quando ele fala em humanizar está se referindo a tratar com mais gentileza e "humanidade" as pacientes nos Centros Obstétricos; refere-se a uma abordagem menos agressiva e mais racional do manejo das internações. Porém eu considero humanização do nascimento algo muito mais profundo do que isso. Vai além de fazer um centro obstétrico mais arejado, enfermeiras e atendentes sorridentes ou colocar vasos de flores nos quartos.
Humanização do Nascimento tem a ver com a posição em que a cliente/parturiente ocupa neste cenário. Neste sentido humanizar tem a ver com feminilizar. Enquanto o nascimento for manejado de forma masculina ele nunca será verdadeiramente humanizado. É inadmissível que um fenômeno tão intrinsecamente feminino seja gerenciado por pressupostos tão marcadamente masculinos! Se a paciente se mantém como objeto, como indivíduo passivo, como alguém sobre a qual recaem as forças cegas e desorganizadas da natureza, necessitando por isso um cuidado intensivo no sentido de salvá-la do seu destino cruel, então nem 1 milhão de flores, rosas, jasmins, cravos, orquídeas e nem milhares de sorrisos benevolentes tornarão este parto um parto humanizado.
O que torna um parto humanizado, ao contrário do manejo alienante que encontramos nas nossas maternidades, é o protagonismo conquistado por esta mulher. A posição de cócoras, a presença do marido/acompanhante, a diminuição de algumas intervenções sabidamente desnecessárias, o local do nascimento, etc. não são suficientes para tornar um nascimento "feminino e humanizado". É necessário muito mais do que isso.
Não existe humanização do nascimento com mulheres sem voz. É preciso que esta mulher, consciente da sua posição como figura central no processo, faça valer seus direitos, sua autonomia e seu valor. O que torna um obstetra (ou profissional do parto) humanista ou não, é a capacidade de estimular a participação, o envolvimento efetivo e a condução deste processo a quem de direito: a mãe. Sem estes requisitos de nada adiantam maternidades lindas, belas, arejadas, limpas, assépticas, com enfermeiras gentis e sorridentes.
(...) muito mais importante que a humanização da forma, é necessário instituir a humanização dos conceitos. É fundamental construir uma visão nova, que resgate este protagonismo perdido pela tecnocracia dogmática e fechada do cientificismo religioso.
(...) Enfim, o projeto de humanização do Parto e Nascimento inicia-se por uma definição clara do que entendemos por "humanizar", para que a partir de conceitos firmes e sólidos possamos construir um modelo mais justo e adequado para as mulheres, sua família e seus filhos."
por Ricardo Jones, obstetra brasileiro, ver artigo completo em http://www.amigasdoparto.com.br/ac015.html
terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
Chegar ao hospital
Quais são as rotinas que pode encontrar? E que medidas poderá tomar no caso de desejar evita-las? Lembre-se que o facto de algo ser rotina no seu hospital, não o torna obrigatório.
Na maioria dos hospitais, terá de fazer uma paragem na recepção e registar-se antes de entrar na ala da maternidade.
(…)
Quando chegar à ala da maternidade, a enfermeira começará a fazer a sua ficha. Vai querer saber quando foi que as contracções começaram e qual o intervalo entre cada uma. Vai perguntar-lhe se já houve sinal de parto ou se a bolsa das águas já se rompeu. Fará também algumas perguntas sobre o seu historial clínico, as suas gravidezes anteriores e sobre o decurso da actual gravidez, especialmente no que diz respeito a quaisquer testes especiais que possa ter feito.
(…)
Em seguida, a enfermeira medir-lhe-á a tensão, a temperatura e as pulsações e pedir-lhe-á para urinar para um recipiente….”
"Gravidez e Parto - As Melhores Provas" de Joyce Barrett e Teresa Pitman
Parabéns à Madalena
Não tenho palavras para vos contar a maravilha de ver bebés nascerem desta forma, tão natural, tão humana, tão segura.
Alegria, felicidade e saúde! Um beijinho grande para o Lucas também! Parabéns!
Luisa
segunda-feira, 31 de janeiro de 2005
Parabéns à Claudia!
Que muitos sorrisos e alegrias vos acompanhem nesta vida a três!
Um abraço especial para Mértola!
Luisa
quarta-feira, 26 de janeiro de 2005
Rolhão Mucoso
Quanto tempo depois da saída do rolhão mucoso começa o trabalho de parto?
A saída do rolhão mucoso é o sinal de que o seu cervix está a dilatar e que o corpo se está a preparar para o parto. O trabalho de parto podem estar a horas, dias ou até mesmo semanas de distância enquanto o cervix se abre gradualmente.
Qual é o aspecto do rolhão mucoso?
O rolhão mucoso pode ser claro, ligeiramente rosado ou raiado de sangue. Pode ser de consistência mucosa ou viscoso tipo corrimento. Algumas mulheres nem se apercebem da sua perda já que durante a gravidez há muito corrimento.
Quando devo telefonar ao médico?
Deve telefonar ao médico imediatamente se o corrimento passa a ser vermelho vivo e a quantidade for superior a duas colheres da sopa. Pode estar com placenta prévia ou placenta abrupta.
Placenta prévia é quando a placenta está baixa, podendo cobrir parte ou totalmente o cervix o que causa sangramento vaginal. Placenta prévia ocorre numa em cada 200 mulheres.
A placenta pode descolar do útero antes ou durante o trabalho de parto, a isto chama-se placenta abrupta e normalmente só 1% das mulheres grávidas têm este problema.
Retirado do site - http://www.pregnancy.org/
Traduzido por Rosa Macedo
domingo, 23 de janeiro de 2005
Episiotomia
“A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
(...)
A episiotomia, um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia é, no entanto, um dos únicos que é realizado sem qualquer consentimento específico da doente. Foi introduzido há mais de 250 anos na prática clínica, sem uma evidência científica que fundamentasse o seu benefício, tendo como justificação a prevenção de lacerações perineais severas, uma melhor preservação da função sexual posterior, uma redução da incidência de incontinência urinária e fecal e a protecção do recém nascido. Mas, na verdade, para muitos autores o seu uso rotineiro não é aconselhável e deve ser abandonado, sendo recomendada uma filosofia mais selectiva.
(...)
Isto levou a que, nos últimos 20 anos, múltiplos trabalhos tenham tentado definir melhor as indicações e sequelas associadas à episiotomia; a maioria conclui não haver suporte para acreditar que a sua prática generalizada diminua, por exemplo, o risco de lesão grave do períneo, melhore a sua cicatrização, previna a lesão fetal ou reduza o risco de incontinência urinária.
(...)
Quadro I - Complicações da episiotomia
- Infecção
- Hematoma
- Roturas do períneo grau III e IV
- Celulite
- Deiscência
- Abcesso
- Incontinência de gases
- Incontinência de fezes
- Fístula rectovaginal
- Lesão do nervo pudendo
- Fasceíte necrosante
- Morte
Os riscos associados são, entre outros, a extensão da lesão, hemorragia significativa, dor no pós-parto, edema, infecções, hematoma, dispareunia, fístulas rectovaginais e, embora raro, a endometriose da episiorrafia.
A relação da episiotomia e a perda de sangue tem sido amplamente analisada, chegando a existir um trabalho (…) que defende que a hemorragia durante um trabalho de parto vaginal com episiotomia é maior do que durante uma cesariana... Uma revisão (…) conclui que a episiotomia está associada a uma importante perda de sangue intraparto e hemorragia pós-parto, em especial na mediolateral, e que evitando-a pode ser uma das maneiras mais eficazes de diminuir a perda de sangue excessiva observada em alguns TP.
Outra controvérsia surge relativamente à ideia de que com a episiotomia a dor no pós-parto é menor, quando comparada com as roturas espontâneas. Para além de serem necessários mais trabalhos que nos elucidem neste ponto, os que estão publicados parecem revelar que, pelo contrário, após uma episiotomia (independentemente do tipo realizado), a dor intraparto é maior, tornando-se mais incómoda no pós-parto imediato, sem existir, contudo, evidência condicionar sequelas a longo prazo relacionadas com dispareunia e duração do retorno à vida sexual.
(...)
Conclusão
O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.
Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”
Estudo Completo no Site da Ordem dos Médicos
sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Dar à Luz Hoje
(...) As mulheres geralmente não são informadas sobre o que está acontecendo com elas, nem nos hospitais públicos, nem nos particulares. O que é do âmbito médico permanece em “segredo”. A parturiente é “paciente”, um corpo sujeito à intervenção médica. Uma vez que ela está lá e está pagando ao profissional, fica subentendido que ele recebeu a autoridade para fazer tudo (ou quase) o que ele (com sua formação, cultura, hábitos e crenças) julgar necessário. Nenhum procedimento de rotina é comunicado às parturientes. Muito menos é perguntado a elas se os aceitam. Não só. Durante o pré-natal, inclusive dos “obstetras cinco estrelas” (porque, repito, essa não é uma questão que muda com a classe social da parturiente, uma vez que frente ao médico são todas “pacientes”), não é explicado à mulher como é o parto normal hospitalar, nem como é que acontece uma cesárea. As mulheres vão ao hospital vedadas. Não sabem o que as espera. Muitas delas podem até, sob sugestão do próprio profissional, ter visitado a maternidade, para se “ambientar”, para conhecer o quarto, o berçário e a sala de parto. Mas ninguém lhes diz o que passarão lá dentro, quais são suas opções e quais seus direitos. Dar à luz hoje se tornou uma façanha para a mulher que quer estar consciente e ser activa durante o nascimento de seu filho. O movimento pela humanização do parto nasceu para contribuir para uma mudança efectiva nesta direcção: oferecer o suporte físico, psicológico com informações de qualidade e orientações para que ela possa viver seu parto com segurança, satisfação e plenitude."
Adriana Tanese Nogueira (adaptado)
Texto integral em http://www.amigasdoparto.org.br/ce_parto.asp
terça-feira, 18 de janeiro de 2005
Doulas de Portugal na TV
Doulas na Sic!
Digo muito provavelmente pois ainda não tenho a confirmação da jornalista Andreia Vale, que foi muito simpática em avisar-me a esta hora.
Ficam todos e todas avisados também!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Nova Lista de Discussão
Se desejar conversar, trocar ideias com outras mães e pais ou esclarecer dúvidas sobre a sua gravidez ou parto, junte-se a nós!
Clique em http://br.groups.yahoo.com/group/doulasdeportugal/
Sejam todos bem vindos!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2005
Leite materno, como é?
O leite materno é tão complexo e impossível de ser imitado, que a sua composição muda até mesmo durante a mamada!
Leite do Começo:
O leite do começo surge no início da mamada. Parece acinzentado e aguado. É rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.
Leite do Fim:
O leite que surge no final da mamada parece mais branco do que o leite do começo porque contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais ricoem energia.
Fornece mais da metade da energia do leite materno. A criança precisa tanto do leite do começo quanto do fim para crescer e sedesenvolver. É importante deixar que ela pare espontaneamente de mamar. A interrupção da mamada pode fazer com que receba uma pequena quantidade de leite do fim (e, consequentemente, menos gordura).
Sites com dicas:
http://www.orientacoesmedicas.com.br/aleitamentomaterno.asp
http://correcotia.com/mamae/
http://www.aliancapelainfancia.org.br/paginas/vitalidade.htm
http://www.aleitamento.org.br/manual/composi.htm
quarta-feira, 5 de janeiro de 2005
Humanização do Parto
Eu, por outro lado, não concordo com esta afirmação de que "não importa a maneira do nascimento(normal/cesariana), mas sim o resultado final". Lutamoscontra esse tipo de conceito há muitos anos. Se eu fosse jogar futebol e voltasse sem uma perna, não aceitaria que me dissessem: "ok, o importante é que vc está vivo, e vc não é menos homem por não ter uma perna, certo?"
Se eu soubesse que perdi minha perna porque foram negligentes com as minhas necessidades e minhas vontades, eu ficaria muuuuito bravo. Achou demasiado comparar com uma amputação? Pois se vc ler alguns depoimentos de cesariadas vai perceber o quanto a cirurgia amputou uma parte importante da sua feminilidade. E o quanto isso ainda dói em muitas delas. Eu também acho que uma mulher não se define por seu parto, assim como acho que um homem não se define por suas pernas ou por sua capacidade de engravidar e ser pai.
Mas experimente dizer a um homem: "vc não pode engravidar uma mulher, mas não tem problema, basta ir a um banco de sêmem e vocês podem ter filhos sem problema. Vc não vai se sentir menos homem por isso, né?"Assim, não acho cabível que se desconsidere o processo; porque a mulher É o processo. Quando dizemos "o final é que importa" estamos considerando apenas os produtos: uma mulher viva (como se a única coisa importante num parto fosse sobreviver a ele) e um bebê saudável (o produto "social" - nãomaterno). Este posicionamento (é bom quando todos sobrevivem), por mais honesto e correcto que possa parecer, é a antiga ladainha dos cesaristas. É assim que se explicam todas as cirurgias desnecessárias, os procedimentos impensados, as intevenções extemporâneas, porque sempre sobra essa frase para ser dita no final. Depois de uma invasão da integridade de uma mulher, sempre há um obstetra que virá dizer: "Mas porque você está chorando? Você está se recuperando bem da inflamação nos pontos, e seu bebê até que está engordando na pediatria. Viu? Eu não falei que no final ia tudo dar certo?
Mais de 99% dos residentesde boas intenções desistem de um caminho humanista pelos obstáculos que encontram, mas aqueles que sobram acabam se tornando o "melhor da raça",porque resistiram à avalanche de críticas e à violência da eclésia médica, pois tinham suficiente paixão pelas mulheres para sobreviver aos ataques.Apenas quis apontar um discurso que conheço há 22 anos, que é a fala dos que apenas apontam o resultado como significativo.
As mulheres mutiladas neste país sabem que isso não é verdade; elas sabem da importância do caminho, muitas vezes mais digno e relevante do que a chegada. Espero que você tenha força de continuar em sua jornada transformativa, e que comprenda que existem diferenças entre um verdadeiro humanista do nascimentoe um médico carinhoso e gentil. Humanismo não se relaciona (diretamente, ao menos) com "humano" ou "humanidade".
Relaciona-se com uma corrente filosófica chamada "humanismo", que situa-se doutrinariamente numa posição antropocêntrica, e que se baseia na defesa dos valores humanos como preponderantes.
O humanismo contrapõe-se à tecnocracia, por ser esta um sistema de poder que oferece supremacia àqueles que controlam as máquinas, deixando o humano em plano secundário.
Ser humanista do nascimento é fazer a mulher protagonista de sua história, devolvendo-lhe a capacidade de gerir seu futuro e seu destino. "Humanizaçãodo nascimento é devolver protagonismo à mulher. O resto é sofisticação de tutela", já me soprava o Max desde os tempos em que eu tinha a sua idade. (...)
Carta de Dr. Ricardo Jones a Érica, em Lista do Parto Nosso
domingo, 2 de janeiro de 2005
A Doula no Parto
Os benefícios para a sociedade incluem a redução de custos com os cuidados obstétricos e a obtenção de forma mais natural de bebés e mulheres mais saudáveis.
Acredito que se almejamos um mundo mais pacífico e menos violento, devemos rever o modo como recebemos novas vidas neste mundo. Quando as mulheres e suas famílias são apoiadas, respeitadas e cuidadas continuamente pelas doulas de maneira agradável e humana durante o parto, as mães sentir-se-ão mais capazes de criar laços e cuidar de seus bebés com carinho e amor nestes importantes primeiros momentos.
Texto (adaptado) de apresentação do livro de Fadynha - "A doula no parto" - por Debra Pascalli-Bonaro, conhecida doula norte americana.
Novo endereço electrónico das Doulas
Assim, e quando desejarem entrar em contacto connosco podem escrever-nos para doulasdeportugal@yahoo.com
Um muito obrigada pela vossa compreensão!
terça-feira, 28 de dezembro de 2004
Formação para novas doulas
quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
Dignificar as Parteiras
O lugar do obstetra é, sem dúvida, no hospital, para os partos distócicos-patológicos. O lugar da parteira é, dentro e fora das instituições, para os partos eutócicos-normais. Todo o treino que as parteiras tiveram foi para serem as grandes especialistas do parto normal. A evolução da obstetrícia, a ultra tecnologia, levou à degradação do papel das parteiras, que passaram a ser profissionais dependentes, serviçais dos obstetras. Vamos ter que fazer os impossíveis para sair desta posição. No estrangeiro, as parteiras reúnem-se para encontrar o seu lugar perdido na nossa sociedade.
Pedem para:
nunca perderem a sua humanidade;
terem a sua sabedoria sempre em dia;
que sejam as suas mãos o melhor de todos os instrumentos.
Dantes, dizia-se de uma mulher grávida que " estava de esperanças".
Temos que ter esperanças num nascimento diferente".
In Beija Flor Natural, nº21
Artigo da parteira Maria Inácia Chaves, a quem enviamos daqui um abraço.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Portugal não promove o aleitamento materno
(...) Portugal é apontado como um dos países sem qualquer unidade de saúde exclusivamente dedicada à infância, num universo de 60 hospitais com maternidade.(...)
Notícia publicada no Jornal Público de 14 de Dezembro de 2004
Texto integral em http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/14/Sociedade/S06.html
quarta-feira, 15 de dezembro de 2004
Mutilação Genital Feminina
Para saberem mais:
http://www.stopfgm.org O site de uma organização internacional que luta contra esta prática e onde vocês podem assinar uma petição.
http://www.dossiers.publico.pt/dossier.asp?id=967 Os excelentes dossiers do Jornal Público on line.
http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/05/Publica/TM10.html Link para a entrevista ao cirugião francês Dr. Pierre Foldès, que faz reconstrução genital a mulheres que sofreram este horror. Link deixado pela Rosa. Muito obrigada!
terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Lista de discussão
A lista encontra-se neste endereço: http://groups-beta.google.com/group/DoulasdePortugal
segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
Teste o seu médico...
http://www.amigasdoparto.com.br/teste.html
quinta-feira, 2 de dezembro de 2004
Parabéns à Lídia...finalmente!
Digo finalmente pois é costume nosso darmos estas notícias no próprio dia. Mas este parto foi um parto doloroso para todos e para mim como amiga e doula também o foi. Mas não é para falar disso que estou aqui.
Hoje vi a mãe e o bebé numa simbiose perfeita, num equilíbrio de amores que salta à vista. Temia por este enamoramento mas afinal estava errada... há ali um amor à primeiríssima vista, duma mãe lutadora como poucas e dum bebé que nos olha como se desejasse contar uma história. Que pena tenho que ele ainda não fale!
Ao pai, fica aqui um abraço especial, pela honra e sensibilidade mostrada ao longo de todo este processo. Vocês os três estão no meu coração.
Obrigada por me deixarem participar destes momentos tão especiais na vossa vida. Luisa
BabyFeiraMix
Quanto à nossa conferência, mais do que esse acontecimento formal, foi um verdadeiro encontro de mães e futuras mães e também alguns papás... e que lindos estavam os bebés aconchegados junto aos seus corpos, envoltos em panos coloridos. Tanta gente bonita reunida e em sintonia. Que bem que se estava ali. Foi uma tarde cheia, mas tranquila e doce... Como dizia o Sérgio Godinho, soube a tanto e portanto, soube a pouco... Fica a vontade de muitos mais encontros, de conhecer melhor todas e todos que naquele dia nos ouviram atentamente e que enriqueceram o encontro com a sua presença e as suas experiências de maternidade. Tanto havia para dizer e ouvir que as conversas se prolongaram nos corredores, nas escadas, eu e a Luisa dividindo-nos para atender a todas as solicitações, anotar contactos, combinar encontros. Muito obrigada a todas pelas mensagens de felicitação e apoio ao nosso trabalho que tão bem sabem e nos lembram todo o sentido da nossa caminhada.
segunda-feira, 22 de novembro de 2004
Benvinda Íris!
Parabéns à Lia
Felicidades e dias ensolarados para vocês os três!
quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Entrevista com Ricardo Jones
Doulas do Brasil: Qual o maior benefício da presença de uma doula para a mulher que está sendo atendida?
RHJ: O contato da feminilidade produz um clima de intimidade, carinho, afeto e acima de tudo segurança. As mulheres estabelecem entre si um vínculo poderoso e mágico, que a minha masculinidade não pode atingir. A intimidade psicológica, a sintonia e a confiança que uma parturiente estabelece com uma doula é algo maravilhoso, e os resultados catalogados no mundo inteiro reforçam nossa convicção de que este é um caminho frutífero para o estabelecimento de uma nova postura diante do parto e do nascimento.
DB: Que benefícios você, como médico, tem quando a sua cliente contrata uma doula para acompanhá-la no parto?
RHJ: A diminuição da minha ansiedade, da pressa, da angústia, do medo e de todas as intervenções médicas decorrentes secundariamente destes sentimentos. Hoje em dia minha taxa de episiotomia, fórceps, indução com ocitocina ou mesmo ruptura artificial de bolsa de águas é praticamente zero. Minha taxa de cesarianas está num nível dentro dos parâmetros da OMS (abaixo de 15%) e muito desse resultado devo à parceria que estabeleci com a doula e a parteira que me acompanham.
DB: E antes?
RHJ: Quando eu fazia o mesmo trabalho, e sob os mesmos pressupostos ideológicos (parto verticalizado, sem episiotomia, uso restrito de drogas e intervenções, presença de uma pessoa de livre escolha da mãe, etc...), meus resultados não eram tão bons como são hoje com o auxílio prestimoso das doulas. Certamente que a ajuda destas profissionais pode produzir uma modificação vigorosa nas práticas hospitalares, aproximando nossos índices daqueles preconizados pela OMS e outras entidades que tratam da questão do parto. A entrada das doulas no cenário do parto produziu um "plus" de qualidade, ao incorporar um toque de feminilidade e intimidade, arrancando o nascimento da sua vinculação com o tecnicismo e a alienação.
DB: Pela sua experiência, de que forma a doula interfere na participação do pai durante o parto? RHJ: Diminuindo a tensão e a angústia dele. O pai pode ser um elemento desestabilizador do processo do nascimento, desde que esteja mal preparado psicologicamente para enfrentar este desafio. A doula, com sua afetividade, carinho, presença e suporte, pode oferecer ao pai a tranquilidade de que ele tanto necessita para se tornar um facilitador do parto para a sua esposa. Estando ele tranquilo, sereno e confiante, vai envolver sua companheira num campo vibracional de positividade e reasseguramento (ao invés de ser um "emissor de adrenalina", como diz Dr Michel Odent) interferindo, assim, positivamente no sucesso do evento.
DB: Como as suas clientes costumam avaliar a influência da doula em seus partos, nas consultas de retorno? RHJ: É muito interessante. Várias vezes eu fiquei morrendo de ciúme do que elas falam das doulas. O encantamento, a vinculação e a gratidão são impressionantes. Existe uma cumplicidade verdadeiramente feminina, algo que soa como "Você me ajudou naquele momento. Você estava lá o tempo todo ao meu lado. Você presenciou meu choro, meu riso, meu medo e minhas lágrimas de alegria. Você me viu parindo meu filho, e este foi um dos momentos mais belos da minha vida. Estamos juntas, num elo de sangue e amor, para sempre." Fico emocionado quando elas me relatam isso, porque vejo uma coisa feminina, bela, amorosa. É algo que jamais esquecemos, e tenho certeza que estas pacientes jamais vão perder estas lembranças.
Vejam a entrevista completa dada às Doulas do Brasil em:
http://www.doulas.com.br/art12.html
O "Big-Bang" de Cada Um de Nós II
- E o seu também já nasceu.- diz-me. Que não, respondo confiante, o meu só virá a este mundo lá para as cinco da tarde, e se tudo correr bem.
- Não, o seu já nasceu. - Começo ali um balbuceio que vai da incredibilidade aos olhos rasos, aquoso. Preparei-me tanto eu para isto e ele veio assim sem avisar, não pode ser, estou inconsolável, bato à porta, demoram a abrir,algo se passa, aparece uma enfermeira,
o seu filho já nasceu, é um rapagão com 3,750 kg,
senti-me estranho, porque é que ela me fala assim? , porque é que falamos uns assim com os outros?, neste momento estou-me borrifando para o peso dele, tenho tempo para entrar - e sair - neste vai de roda dos percentis, só quero saber quem sou, que família tenho, se a mãe e ele estão bem, por esta ordem, estão todos bem, já lhe disse, é um rapagão e pesa 3,750 Kg, responde-me a enfermeira.
Nos próximos cinco minutos, até que novamente a porta se abra e eu possa entrar por breves momentos para pegar no meu filho ao colo, fico ali com o meu companheiro de infortúnio.
- A gente não gosta menos deles por isto. É mais uma questão de que quando nos perguntam ficarmos assim um bocado... - Aquela bondade, ali, é enternecedora. Sorrio.
Abre-se a porta. A enfermeira chama-me. Acabei de entrar e ela pela primeira vez olha para o outro pai expectante:
-O que é que está a fazer aí? Para o pé da sua mulher, já! Ela precisa de si.
Um pequeno milagre. A filha dele não tinha nascido. Fora o meu que nascera e ele assumira-o - era a carga que tinha a esse respeito, talvez - como se tivesse sido a sua. Não era. Lá foi contente para dentro da sala como se se tivesse livrado de uma maldição.
A enfermeira traz-me um volume envolto em panos, num cobertor. A minha mulher tinha sido escrupulosa nesse domínio. Havia uns trapinhos para quando ele acordasse, depois outros para vestir enquanto fosse beijado, admirado e presenteado por todos os reis magos deste nosso "Big-Bang". Era nesses primeiros panos que vinha envolto o Menino de Todos os Meus Dias.
Era tão bonito. Aquela pele vermelha, macerada ainda pela força da expulsão, os olhos abertos, já a olhar para mim. Ele já olhava para mim. As mãos de pequenissimo polegar. Não o conseguia ver. Entre mim e ele havia uma cortina literal de água. Eu dizia o hit de todas as frases pimba que podem estar disponíveis a um batráquio, quer dizer, a um homem. Ai meu rico menino, meu rico filho, era a menor delas.
Imagine-se. A parteira e a enfermeira, a dois metros de mim, riam-se, gozando.
-Chora tanto. - Dizia uma.
-Quem, o bébé? - perguntava a outra.
- Não, o pai. - Retorquia a primeira.
terça-feira, 16 de novembro de 2004
O "Big-Bang" de cada um de nós I
Lembro-me de acordar e ver a cara dela, muito calma, sorrindo, dizendo:
-Rebentaram-me as águas, Quim.
Voltei-me e fechei os olhos durante meia dúzia de segundos, era a sério, desta vez era a sério, há três semanas tinhamos tido um ameaço exactamente à mesma hora, depois de cinco horas passadas numa maca de hospital voltarámos para casa, desta vez a cama molhada, não há falsas águas, era a sério. Durante esses breves segundos, que a ela lhe pareceram uma eternidade, revi mentalmente todo aquele preciso e milimétrico check list que já tinhamos feito em conjunto. Vi cinco ou seis pontos, todos eles em branco. Abri os olhos, haveríamos de saber o que fazer. Dou um salto da cama e logo ali tenho o meu instante histérico, de excitação, alegria e histeria. Senti-me verdadeiramente incapaz para a tarefa que a Natureza me tinha destinado.
Ela, extraordinariamente calma, dirigiu-se para a casa de banho, ía tomar um duche e comer alguma coisa. Contra todas as indicações que tinhamos recebido. E aí eu percebi que ela sabia algo que não estava em nenhum livro de ilustrações sobre a arte de bem parir: que o momento da gravidez é um momento todo ele consagrado à mulher e que tudo o que ela faz para se sentir bem e capaz para o desafio que vai enfrentar pode fazer. De nada me valia recitar-lhe as encíclicas dos nossos livros santos destas últimas semanas, como os vários exemplares da Pais e Filhos espalhados pela casa, ela dizia-me invariavelmente:
- Não vou estar ali horas e horas e horas sem...
Ia chamar o taxi. Ela olhou para mim abanando a cabeça, ía cumprir a ameaça, que vergonha!, ía telefonar ao pai. "Se não tirares a carta, chamo o meu pai!". Não se pode discutir com uma mulher que tem de estar nas suas melhores condições para a festa, pensei, assumindo com tristeza a minha primeira ferida no meu orgulho de pai.
Veio o pai e a mãe, claro. Lembro-me de todos os momentos, das corridas hospital acima, hospital abaixo, do cheiro das paredes, do chão, das cores tristes, aquele recanto onde passamos as primeiras horas deste mistério é lúgubre, quase sinistro.
Eram umas sete horas quando ela subiu, eu só pude ir ter com ela já eram quase nove horas, estas duas horas estão-me gravadas na pele, entraria na mudança de turno, nunca percebi bem porquê, naqueles momentos estamos predispostos para nos concentrarmos totalmente no essencial, é por isso que eu sinto que os hospitais deveriam cuidar mais de perceberem isto, que quando os procuramos estamos tão frágeis como se fossemos chamados a dialogar directamente com a vida e a morte, sendo que em cada uma delas há a outra que espreita.
Das 9h às 14h estive continuamente ligado a ela. Limpando-a. Com uns panos horrorosos, porque não absorviam aquela langonha feita de água, excreções e sangue, uma matéria viscosa que escorregava dos trapos luzidios, tudo isso pode ser belo, disseram-me, confesso que me custou muito, entre isso e o resto agarrar na sua mão e respirar fundo, fazer os exercícios respiratórios adequados a cada momento, observar o ctg, observá-la a ela cada vez com mais dores e ainda com uma dilatação mínima.
Não sei como passou o tempo, só sei com que é que se passou. A minha vida era aquela cama, um aparelho onde tinha de observar os valores, os seus olhos que tinha de acarinhar e incentivar, estavam mortiços, doridos, a mão segura pela minha mão, e a respiração. Volta e meia as dores, as guinadas eram tão fortes que desistia de respirar. Era eu que lhe voltava a pegar no sopro e retomávamos as respirações, de acordo com aquilo que tinhamos aprendido para o período expulsório.
Olhei para o lado. Outra cama, outro homem, outra mulher. Havia de facto uma diferença, e a diferença vim a comprová-lo mais tarde, a partir da conversa com ele, tinha sido mesmo os sete meses anteriores, o tempo que tinhamos vivido nesse período.
Eu estava de rastos. As pernas tremiam-me. Tinha fome. Estava sem comer nada, rigorosamente nada, desde as cinco da manhã, só me lembrara disso já tinha a bata verde vestida. Curioso isso. Tantas e tantas vezes tinha de andar com uma bolacha no bolso porque a partir das três horas sem comer começava a sentir-me mal e agora, estava há nove horas sem comer nada, ali, pensei várias vezes que desfalecia, mas depois olhava para ela, ausentava-me de mim, era importante permanecer.
Às duas horas um concílio de sábios, ou de médicos, passou pela nossa cama e disse com nariz altivo perante os pedidos dela para que lhe fizessem a epidural. Antes de passarem umas duas ou três horas não será, não tem a dilatação necessária. Foi então tempo de sair para comer alguma coisa e fazer uma ronda telefónica pelas nossas principais capitais do nosso mundo. "está tudo bem, estou só a comer algo e vou voltar para dentro, quando houver fumo branco volto a telefonar".
Quando cheguei, passados vinte minutos, ao bloco onde ela estava, nem queria acreditar no que se tinha passado.
(Continua no próximo capitulo)
domingo, 14 de novembro de 2004
A vida que está dentro do tempo em que (realmente) vivemos
Fui pai tardio, tinha 38 anos. O que tem consequências complicadas, não irei sair com o meu filho como tantas vezes, aos vinte anos, imaginei, tem outras, benignas, como a da própria experiência nos encaminhar para uma valorização natural de todos os momentos que rodeiam o nascimento de um filho.
Comecei a ser pai numa noite de Santo António em que a mãe do meu filho me ofereceu um manjerico em cujo verso estava escrita a notícia feliz, mas só um mês e pouco mais tarde, na primeira ecografia vaginal, ouvi pela primeira vez o bater do coração do meu filho.
Começou aí um percurso que me levou a diferentes sessões de preparação para o parto, que muitas vezes amigos me diziam ser um excesso porque nada disso era preciso, que os filhos sempre tiveram sem nada dessas modernices, que era só uma forma de gastar tempo e dinheiro.
É certo que toda a Natureza nos acompanha e nos ajuda no nascimento de uma criança. Vai-nos moldando o corpo, adaptando o espirito, leva-nos pela mão até ao grande momento. Não menos certo: valorizar a preparação e o acompanhamento do período pré-parto é não só, ao contrário do que à primeira vista muitas vezes pode parecer, uma desdramatização do momento do nascimento, e consequentemente da tensão que ele pode induzir, como é permitirmo-nos crescer enquanto pessoas. Só não digo que os sete meses de preparação para o nascimento do meu filho foram o tempo mais importante da minha vida porque quando se tem um filho em idade de crescer esse tempo está sempre por vir, mas foram seguramente o tempo onde eu aprendi a viver de uma forma que eu não conhecia. Que eu interiorizei o que é a vida de um modo que nunca me tinha sido revelado. Ainda hoje sinto em algumas reacções dele consequências dos longos tempos em que ouvimos música, poesia, que lhe toquei.
E a riqueza desse tempo chega-nos mais facilmente quando o partilhamos. É um tempo de um excesso de turbulência na comunicação. Abundam os inputs mágicos e não imediatamente decifráveis, nomeadamente os sinais que nos chegam do corpo do bébé, é também prolixa a nossa necessidade de falar àcerca daquilo que sentimos. É para mim positivo tudo o que reforce a nossa atenção para esse momento muito especial em que nos damos a uma das nossas funções vitais, aquela em que, sem o percebermos, voltamos a participar, e agora de uma forma activa, responsável, no mistério da vida que nos trouxe.
E isto é um pai a falar, claro, alguém que não tem senão a sua própria experiência para o guiar neste mundo delicioso do nascimento.
quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Problemas inerentes ao parto induzido e cesariana
http://www.motherfriendly.org
Artigo revista Xis
http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis1.jpg
http://pwp.netcabo.pt/rosamacedo/xis2.jpg
domingo, 7 de novembro de 2004
A nossa missão...
Marsden Wagner, MD (tradução de Carla Guiomar)
Artigo completo disponível em:
http://www.acegraphics.com.au/articles/wagner03.html
Doulas de Portugal na RTP2
O programa será emitido dia 2 de Dezembro às 14h na RTP2.
domingo, 31 de outubro de 2004
Revista Xis

Ontem, sábado, dia 30 deOutubro, saiu na revista Xis, uma reportagem sobre as doulas em Portugal. A reportagem feita pela jornalista Ana Gomes teve efeitos imediatos e fomos já contactadas por médicas e médicos querendo fazer parte do Movimento pela Humanização do Parto.
Queremos deixar aqui também o nosso agradecimento a todos os amigos, amigas, mulheres-mães que nos deram os parabéns pela reportagem...
Um muito obrigado em especial à jornalista Ana Gomes pela excelente peça que resultou da nossa conversa.
O Movimento pela Humanização do Parto caminha a passos largos, do sonho para a realidade.
Bem hajam todas vocês!
