quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Primeiro estudo sobre doulas em Portugal


Pede-se a todas as mulheres que fizeram formação de doula com a Associação Doulas de Portugal que verifiquem a sua caixa de correio eléctrónico e que respondam ao questionário enviado, para poderem participar do primeiro estudo sobre doulas em Portugal. Obrigada

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Muitos parabéns à Ana

Parabéns à Ana Teresa e ao Fernando, pelo nascimento da sua filha, ontem, domingo, dia 29 de Outubro, às 17h e 20.
Um abraço muito apertado aos três e também à parteira Dª Glória por um execlente trabalho.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Ser doula

Ser-se Doula é AMAR!
Amar o Universo, o Mundo, a Natureza, a Vida;
Amar o Próximo: os que já nos acompanham e os que hão-de chegar.
Porque quem ama Partilha: Informação, Disponibilidade, Carinho, Espaço e Tempo, Situações e Acontecimentos.
Quem ama Apoia, ouve, está presente ou ausente conforme necessário, consoante o momento.
Colmata sem mencionar, Encoraja e Ajuda a Crescer;
Ajuda, quantas vezes sem chegar a necessitar de ouvir um pedido.
Observa e lê o silêncio e o corpo do Outro, lê nas entrelinhas.
Tudo isto é ser-se Doula e tal será mais fácil, porque verdadeiro, se nos colocarmos no lugar do Outro e soubermos vestir a sua pele, de uma forma serena, mas alerta, com uma postura relaxadamente atenta
Ser Doula é, acima de tudo, SENTIR e agir em sintonia.
Sentir-se e ao Outro, Sentir momentos, Sentir desejos/necessidades e medos/receios, contribuindo para suprimir as primeiras e ajudando a minimizar ou mesmo anular os segundos.
Sentir e Responder, tantas vezes com silêncio ou ausência, outras tantas com uma palavra, um sorriso ou uma atitude;
Para tal, é necessário aliar o CONHECER.
Novamente, de si mesmo e do Outro, das relações, das histórias que fazem a vida de cada um, de experiências vividas, desejadas ou sofridas;
Da Realidade, visível… ou não!
Conhecer factos, dados, estudos, investigações e poder utilizar tudo isto (ou esquecer) em benefício da futura Mãe e do novo bebé: é INFORMAR.
Sem influenciar, opinar, sugerir, muito menos obrigar. A futura Mãe tem decisões a tomar e é bem informada que permite a si mesma (e ao seu companheiro) a total liberdade de escolha.
É ser MATERNAL de uma forma saudável. Transmitir confiança e deixar que a Futura Mãe o seja: não permitir que esta se esconda debaixo da asa da Doula, pois a Mãe é a outra mulher.
É contribuir somente no que for necessário, mas não deixar nunca a retaguarda. É certificar e garantir as necessidades básicas de PRIVACIDADE, SEGURANÇA, CONFIANÇA e CONFORTO.
É permanecer em silêncio, quantas vezes quando todos os outros falam ou querem falar, opinar ou mesmo decidir.
É ter em nós um pouco de Gato, de Freud, de Guarda-Costas e de Sábio…
Ser Doula é ser RESPONSÁVEL. Actualizar conhecimentos para estar informada e informar correctamente, não tomar decisões de ânimo leve, ter consciência que se é Doula e não obstetra, enfermeira ou parteira, não descuidando a necessidade da presença de Técnicos de Saúde em algum momento de todo o processo Gravidez – Parto – Pós-Parto. Mas não estar prisioneira de uma equipa técnica.
É saber o provável valor de um simples duche ou da água à temperatura do corpo.
Muitas vezes, é simplesmente esperar, quando não se está certa de nada.

É ajudar a ajudar. Contribuir para partos mais fáceis, mais simples, mais curtos, porque mais saudáveis, mais íntimos e em respeito de Mãe e Bebé mamíferos. Partos mais bonitos, porque completos e vividos em pleno por Mãe e Bebé. Sempre que possível, da forma mais natural, porque animal, e sem intervenção medicamentosa ou intrusiva.
Naturalmente!

Um abraço muito apertado à Teresa Chuva pelo texto inspirador!

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

PARTO SEM OXITOCINA


Carta da autora espanhola Lucia Etxbarria


Antes de parir me entrevisté con 17 obstetras, 15 que venían en la lista que me había facilitado mi seguro médico y dos de la Seguridad Social.
Dieciséis de ellos me dijeron que la episiotomía (un corte en el perineo para “facilitar” la salida del bebé). La oxitocina (la administración de una hormona sintética para”facilitar” las contracciones) y la monitorización (que impide moverse a la parturienta y, por tanto, realizar ejercicios para mitigar el dolor) se practicaban por protocolo en sus hospitales, y que no podían atenderme si me empeñaba en un parto natural. La mayoría adoptaron el mismo tono paternalista de algunas de las cartas de los lectores que protestaban por el artículo de Rosa Montero: “Aquí el médico soy yo, y usted no sabe nada”.
Por fin conseguí que el doctor Mirruan Yordi accediera a mi propuesta de parto. Pero a la llegada a la clínica una matrona se empeñaba en pincharme el gotero y conectarme al monitor. En plenas contracciones, yo intentaba explicarle que había pactado con mi médico un parto natural y no monitorizado. A los profesionales que aseguran que la oxitocina es absolutamente necesaria les diré que en mi parto no la hubo. A los que afirman que sin episiotomía siempre hay desgarro les puedo enseñar mi perineo intacto. De paso, les puedo presentar a tres amigas mías que sufrieron graves infecciones puerperales a causa de la episiotomía, una de ellas imposibilitada desde entonces para las relaciones sexuales con penetración.

Y a todos les pregunto: ¿por qué en Inglaterra, en Holanda y en Canadá no se recurre a goteos, puntos o máquinas? ¿Acaso vivimos en un país de mujeres con perineos extremadamente frágiles y pelvis inútiles? ¿Y por qué ninguno de los médicos que entrevisté accedió a facilitarme el índice de cesáreas practicadas en su hospital? ¿No será porque en las clínicas privadas españolas este índice oscila entre el 30% y 50%, cuando la OMS opina que un índice superior al 10% indica que las intervenciones se practican por conveniencia del profesional y no de la paciente? ¿Y tendrá algo que ver con el hecho de que en las clínicas privadas se practican muchas más cesáreas programadas el día anterior a un puente?

A los que aseguran que sin oxitocina una mujer se arriesga a pasar por el parto de la burra, con el consiguiente riesgo de sufrimiento fetal y fiebre materna, les diré que sí, que desde mis primeras contracciones hasta el expulsivo pasaron efectivamente dos días, y que, tal como aconsejan los profesionales británicos, esperé en mi casa hasta que dilaté los dos centímetros preceptivos, y que aquellas molestias eran perfectamente soportables. Sin embargo, sí hubiera acudido inmediatamente al hospital como recomiendan los médicos españoles, me habrían administrado oxitocina para acelerar el parto. Debido a las dolorosas contracciones provocadas por una hormona sintética, yo misma habría pedido la epidural e, imposibilitada de empujar, es más que probable que mi parto hubiera acabado en cesárea, como sucede con la gran mayoría de españolas mayores de 30 años que paren en clínica privada.
Pero la clínica, eso sí, se habría embolsado 6.000 euros del seguro, en lugar de los apenas 600 que le reportó mi parto.

Lucia Etxebarria Asteinza.
Por Correio electrónico
Agradecimentos à Susana pelo envio do texto

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Doulas de Portugal nas Jornadas de Agricultura Biológica, em Coimbra


Nos dias 22, 23 e 24 de Setembro vão ter lugar na Escola Superior Agrária de Coimbra as Jornadas de Agricultura Biológica. A Associação Doulas de Portugal estará representada, em parceria com a HumPar - Associação para a Humanização do Parto e a ANEP - Associação Nacional de Educação Pré-Natal. Durante o fim-de-semana decorrerá também uma feira de produtos de agricultura biológica e palestras sobre alimentação saudavel.
Saiba mais em: www.esac.pt/jab/

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Trabalho com Grávidas, pais/mães e bebés, e a primeira infância

Vai-se realizar, pela primeira vez em Portugal, uma acção de formação em primeiros socorros emocionais para grávidas, bebés e mães, dirigido a profissionais de áreas como psicologia, pediatria, enfermagem, educação infantil, etc.

A investigação sobre bebés tem dado ênfase à importância das experiências de vinculação bio-emocional (bonding) entre mãe e filho para o desenvolvimento do ser humano. Os distúrbios destas experiências de vinculação, nomeadamente durante o parto, situam-se também, e sobre tudo, a nível corporal.
Paula Diederichs, prestigiada terapeuta psico-corporal alemã estuda, há mais de 15 anos, o fenómeno dos bebés chorões, tendo desenvolvido um trabalho pioneiro nesta área com a criação dos quatro Centros de Serviço Ambulatório ao Bebé-Colérico. Nestes Centros é utilizado o seu método de intervenção de emergência - Primeiros Socorros Emocionais. Este método consiste numa forma de terapia breve que inclui os aspectos corporal, energético e relacional em simultâneo.
Esta formação decorrerá entre Dezembro de 2006 e Jan. 2008 em sete encontros de 2 a 4 dias, organizada pelo Centro de Formação Asas e Raízes. Para mais informações consulte www.asaseraizes.pt .

Paula Diederichs Formada em Pedagogia Social, frequentou vários cursos de Terapia psico-corporal: Biodinâmica de Gerda Boyesen, Rob Bennett, David Boadella, Myron Sharaf, Francesco Dragotto e, neste contexto, principalmente com Eva Reich. Criou os Centros de SOS BEBÉS para Pais e Bebés em Crise, avaliados cientificamente em três estudos da Universidade Livre de Berlim, que têm sido criados também noutras cidades dentro e fora da Alemanha. A par da intervenção na prática, é autora de um livro sobre Bebés chorões, lecciona no Instituto Superior em Darmstadt, e divulga o seu trabalho em Conferências e Workshops nacionais e internacionais.
É Presidente da Associação de Parteiras Humanizadas e da liga da Amamentação da Áustria.

sábado, 9 de setembro de 2006

Parabéns!

Muitíssimos parabéns à Sónia e ao Pedro Pintassilgo pelo nascimento da sua lindíssima filha Beatriz na Maternidade Alfredo da Costa no dia 7 de Setembro.

Fica aqui mais um beijinho de alegria e felicidades para a vossa família.

sábado, 26 de agosto de 2006

Primeiro Congresso Humanização do Parto

O I Congresso Internacional de Humanização do Nascimento vai-se realizar nos dias 3, 4 e 5 de Novembro de 2006 no Instituto Jean Piaget, em Almada.

Mais informações em www.humpar.org
A não perder!

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Yoga para grávidas no Algarve

O Yoga é um sistema filosófico de Crescimento Pessoal que compreende o Ser Humano como um Universo completo e perfeito. Através das Asanas (confortáveis posturas estáticas e suaves sequências de movimentos fluídos), do Pranayama (técnicas de respiração que facilitam o fortalecimento da nossa energia), o canto de Mantras (sons sagrados), o Relaxamento, a Meditação Criativa e a Contemplação do Silêncio interior, aprofundamos o conhecimento acerca de nós mesmas.

A gravidez e o parto são as experiências mais intensas das nossas vidas. Nós temos a capacidade de Dar a Vida, e a responsabilidade de nos prepararmos em aspectos fundamentais do nosso ser: físico, mental e espiritual, aprendendo a utilizar de maneira natural o nosso Pleno Potencial.
O Poder desta amorosa auto-observação reflecte-se no despertar de uma consciência superior, que permite à grávida entrar em contacto com o seu corpo e o bebé, de forma tranquila e enriquecedora. A comunicação e a construção do vínculo afectivo precoce, são imensamente favorecidas, e asseguram as bases para a construção da psique do “pequeno ser” ainda dentro de útero.

Com a prática do Yoga recuperamos as ferramentas para aceder à Sabedoria Interior e viver a experiência da gravidez como uma oportunidade única para crescer! Os seus benefícios são, tanto preventivos como terapêuticos, oferecendo-nos uma poderosa sensação de equilíbrio, calma e autocontrolo:

ƒ Melhora a circulação sanguínea, ajuda a prevenir varizes e diminuir a retenção de líquidos;
ƒ Ajuda a controlar o excesso de peso, estimulando hábitos diários mais saudáveis;
ƒ Facilita a consciência das emoções e os seus efeitos no nosso “universo de a dois”;
ƒ Melhora a qualidade do sono;
ƒ Favorece eficazmente a flexibilidade e o fortalecimento da pelvis, peito e coluna.
ƒ Promove o desenvolvimento de recursos internos para a compreensão e uma saudável adaptação às mudanças que vão surgindo;
ƒ Estimula novas visões acerca do processo de nascimento, da dor que o acompanha e a reconstrução interna da “nova mulher”, respeitando e honrando a sua natureza.

... porque cada uma de nós tem o direito de sentir-se saudável, feliz e sagrada!
com amor.

Um agradecimento à Inês, ao Filipe e à Violeta pela cedência das imagens.


Contactos:
Rita de Sousa
Instrutora de Yoga Integral e Lic. em Terapia Ocupacional, formada na Argentina.
Aulas em Faro e proximidades. Para saber mais, 91 470 6942.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Nova Formação para Doulas


O processo de formação para novas doulas vai-se iniciar em Setembro,
com a formação de três dias (18h), em Lisboa (15 a 17 de Setembro).

Para inscrições, devem enviar um mail com os dados pessoais, morada e profissão para doulasdeportugal@yahoo.com

As inscrições são limitadas.
Foto de Anabela Oliveira

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Amamentação e leite materno como analgesia do recém-nascido

Uma revisão da Cochrane de 11 estudos chegou à conclusão de que a amamentação e o leite materno são intervenções eficazes na redução da dor em recém-nascidos. Os autores recomedam que sempre que possível, a amamentação e o leite materno sejam dados como analgesia a recém-nascidos que passem por procedimentos dolorosos.

Procurar por:
Shah PS, Aliwalas LL, Shah V. Breastfeeding or breast milk for procedural pain in neonates. The Cochrane Database of Systematic Reviews 2006; Issue 3. [abstract]

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Desde o Nascimento até ao Renascimento (“Rebirthing”)

O Renascimento, ou “Rebirthing”, é uma técnica holística, que integra o físico, mental, emocional e espiritual, e que utiliza a respiração consciente como a fonte da consciência do indivíduo. Possibilita ao indivíduo a entrada no caminho para a cura e um profundo crescimento pessoal.

É uma forma de liberação de stress, de lutas e de memórias e padrões antigos, de condicionamentos e bloqueios, um caminho para maior segurança e energia no corpo, clareza na mente, cura emocional e integridade espiritual. É uma terapia que ajuda a abrir o coração, a integrar o passado e a criar relacionamentos mais amorosos no tempo presente.

Utilizando o poder da respiração, você acede a memórias antigas, limitações e sensações, resolvendo-as e integrando-as, enquanto canaliza energia positiva rumo a uma nova forma de viver a vida. Com esta terapia, você aprende acerca do seu “tipo de nascimento”, e de que forma este o afecta nas suas tomadas de decisão, libertando-o a escolher mais profundamente aquilo que realmente nutre a sua alma. Pode-se tornar consciente de que forma você se limita e fica encurralado em lutas.

E porque a vida começa com o nascimento, ou mais precisamente no momento da concepção, quando estamos no ventre materno, iniciamos uma jornada mental, espiritual e física, ao mesmo tempo em que absorvemos uma quantidade de informação emocional do ambiente que nos rodeia. É nesta fase que tomamos as nossas primeiras decisões acerca da nossa personalidade, da nossa vida, e das nossas relações.

No momento do nascimento, entramos no mundo e vivemos as primeiras experiências que vão determinar o nosso comportamento na vida e as nossas expectativas em relacionamentos futuros. Assim, para que possamos encontrar a nossa paz interior, podemos aprender das nossas experiências passadas, uma vez que não as podemos mudar.

Catarina Serrano Tropa, terapeuta renascedora certificada, membro do “Projecto Internacional de Auto-Estima” e da Associação Internacional de Renascimento, é uma das líderes do movimento de Renascimento em Portugal que ensina e treina qualquer pessoa com interesse em sentir a alegria de viver e adquirir um pouco mais consciência de si mesma. Você pode marcar a sua primeira sessão de Renascimento a partir de Setembro deste ano em Lisboa, e informar-se através dos contactos: catarina.tropa@sapo.pt ou para o telemóvel 93 632 0504.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Muitos parabéns ao Michel Odent

Aqui ficam os nossos parabéns, hoje dia 7 de Julho, para o Michel, por mais um aniversário.
Que seja um dia muito agradável passado em família e que se repita por muitos mais anos!
Com um abraço de profunda amizade e agradecimento.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

"Sociedade Cívil" recebe ADP na 2

A Associação Doulas de Portugal foi chamada, mais uma vez, a participar num programa de televisão, desta feita no programa da 2 (RTP2) "Sociedade Cívil".
Apesar de curta, uma participação cujo objectivo é a divulgação, é sempre bem-vinda!!

Assim, podem ver mais este pequeno passo, na próxima 3ª (11/07/06), no referido programa das 14h às 15h.

Sónia Sousa

sexta-feira, 30 de junho de 2006

O puerpério

Vamos considerar o puerpério como o período transitado pela mulher entre o nascimento do bebé e os dois primeiros anos de vida, apesar de que emocionalmente haja uma progressão evidente, entre o caos dos primeiros dias - pelo meio de um choro desesperado - e a capacidade de sair ao mundo com um bebé ao colo.

Para tentar submergirmos nos atalhos energéticos, emocionais e psicológicos do puerpério, penso ser necessário reconsiderar a duração real desta fase. Refiro-me ao facto de que os famosos 40 dias estipulados – já nem sabemos por quem, nem para quem -- têm que ver apenas com uma história moral proibitiva, para salvar a parturiente da necessidade sexual do homem/companheiro. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente, um começo nem um final de nada.
A minha intenção – pela falta de um pensamento genuíno sobre o “eu” feminino na situação de parto, amamentação, criança e maternidade em geral - é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério baseando-nos em situações que às vezes não são nem tão físicas, nem tão visíveis, nem tão concretas, mas que nem por isso são menos reais.

Vamos falar em definitivo do invisível, do sub mundo feminino, do oculto. Do que está para além do nosso controlo, para além da razão para a mente lógica. Tentaremos chegar à essência do lugar onde não há fronteiras, onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e a superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgar-lhes um significado transcendental.

Para quem já passou por isso faz tempo, não dá vontade de recordar esse período tão desprestigiado, com reminiscências à tristeza, ao aperto e ao desencanto. Recordar o puerpério, equivale frequentemente a reordenar as imagens de um período confuso e sofredor, que engloba as ilusões, o parto tal como foi e não como tínhamos querido que fosse, dores e saudades, angústias e desesperos, o fim da inocência e o início de algo, que dói trazer outra vez à consciência.
Para começar a armar o puzzle do puerpério, é indispensável ter em conta que o ponto de partida é “o parto”, ou seja, a primeira grande “des-estruturação emocional”. Como descrevi no livro “La Maternidad y el encuentro con la propia sombra”, para que o mesmo aconteça, necessitamos que o corpo físico da mãe se abra, para deixar passar o corpo do bebé permitindo um certo “rompimento”. Este “rompimento” corporal também se realiza num plano mais subtil, que corresponde à nossa estrutura emocional. Há “algo” que se quebra, ou que se “des-estrutura” para alcançar a passagem de “um ser dois”.

É uma pena que atravessemos a maioria dos partos com muito pouca consciência relativamente a este “rompimento físico e emocional”. Já que o parto é sobretudo um corte, uma quebra, uma greta, uma abertura forçada, igual a uma erupção vulcânica que geme desde as entranhas e que ao soltar as suas partes profundas destrói necessariamente a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.

Depois da “erupção do vulcão” (o parto) as mulheres encontram-se com o tesouro escondido (um filho nos braços) e além disso com pedras insólitas que se desprendem como bolas de fogo ao infinito (os nossos “pedacinhos emocionais”, ou as nossas partes desconhecidas), e temendo destruir tudo aquilo que apenas tocamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram pelo seu caminho e nós olhamos aturdidas sem poder acreditar na potência de tudo o que vibra no nosso interior. Vão Incendiando e caindo no precipício, manifestando-se por vezes no corpo do bebé, como um prado de pasto húmido, aberto e receptivo.
São as nossas emoções ocultas, que abrem as suas asas sobre o seu fresco e suave corpo. Como um verdadeiro vulcão, o nosso fogo desliza pelos seus vales receptores. É a sombra, expulsada do corpo.

Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão devastadora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e de quem a pretende assistir.

Apesar disso, poucas vezes as mulheres encontram o acompanhamento necessário para se introduzir imediatamente nessa ferida sangrante, aproveitando esse momento, como ponto de partida para conhecer a nossa estrutura emocional renovada (geralmente bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.

O facto é que, com consciência ou sem ela, despertas ou adormecidas, bem acompanhadas ou sozinhas, incineradas ou a salvo - o nascimento acontece.

Infelizmente hoje em dia consideramos o parto e o pós-parto, como uma situação puramente física e de domínio médico. Submetemos-nos a um trâmite que, com alguma manipulação (anestesia para que a parturiente não seja um obstáculo, drogas que permitem decidir quando e como programar a operação), e uma equipa de profissionais que trabalhem coordenados, possam salvar o bebé corporalmente e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Esta modalidade está tão enraizada na nossa sociedade, que as mulheres nem sequer se questionam se foram actrizes do seu parto ou meras espectadoras. Se foi um acto íntimo, vivido desde a nossa mais profunda animalidade, ou se cumprimos aquilo que se esperava de nós. Se pudémos transpirar ao calor das nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes de tempo.

Na medida em que atravessamos situações essenciais de rompimento espiritual sem consciência, anestesiadas, adormecidas, infantilizadas e assustadas... ficaremos sem ferramentas emocionais para reordenar os nossos “pedacinhos em chamas”, sentindo e vivendo o parto como uma verdadeira passajem da alma. Frequentemente, iniciamos assim o puerpério: afastadas de nós mesmas.

Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão em chamas, abrindo e quebrando o seu corpo, deixando ao descoberto a lava e as pedras. Analogamente, do ventre materno, surge o bebé real, e também o interior desconhecido dessa mãe, que aproveita o rompimento, para deslizar-se entre as gretas que ficaram abertas. Estes aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra ( ou seja, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o medo), utiliza “esta quebra” para sair do seu esconderijo e apresentar-se triunfante à superfície.
O problema para a mãe recente, é que se encontra com o bebé real que chora, chama, mama, queixa-se e não dorme… e simultaneamente com a sua própria sombra, desconhecida, sem limites, nem definição.

Mas, com que aspectos da sua sombra se encontra ela mais concretamente?
Cada ser humano tem a sua história pessoal e os seus obstáculos a percorrer, pelo qual, só um trabalho profundo de introspecção, procura pessoal, encontro com dores antigas e coragem, poderá guiar-nos ao interior dessa mulher que sofre através do menino que chora.
O puerpério é uma abertura da alma. Um abismo. Uma iniciação, se estivermos dispostas a submergirmos nas águas do nosso “eu” desconhecido.

Laura Gutman
Autora Argentina de “La Maternidad y el encuentro con la propia sombra”, “Puerperios y exploraciones del alma femenina” e “Crianza, violencias invisibles y adicciones”.
Tradução e adaptação de Luísa Condeço, autorizado pela autora. Revisão de Rita de Sousa. Junho de 2006.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Feira Alternativa de Lisboa


No passado fim de semana a Associação Doulas de Portugal esteve representada na Primeira Mostra de Modos de Vida Alternativos na Cordoaria Nacional.
Os três dias de feira foram recheados de visitas de gente conhecida e de novas caras, muitos contactos e conversa animada. A todos quantos nos visitaram, um muito obrigada, e a todas as doulas cuja dedicação e empenho tornaram isto possível, um abraço de profundo agradecimento.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Artigo sobre as Doulas de Portugal


No próximo Domingo, dia 25 de Junho, sai mais uma peça sobre o papel das doulas na Humanização do Nascimento em Portugal, na Notícias Magazine, encarte do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Pela mão da Anabela Oliveira, a quem enviamos um abraço de profundo agradecimento pelo interesse na nossa causa!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Primeira mostra de modos de vida alternativo

A Associação Doulas de Portugal estará presente na Feira LISBOA ALTERNATIVA 2006 - que pretende ser um espaço que oferecerá ao visitante as melhores escolhas nas novas áreas de conhecimento e práticas no âmbito da Alimentação Natural, Saúde, Ecologia, Desenvolvimento Pessoal.

A Feira terá lugar na Cordoaria Nacional, em Lisboa.
A feira decorrerá de 23 a 25 de Junho de 2006.
Venham fazer-nos uma visita!

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Muitos parabéns

Muitos parabéns à Doula Ângela pelo nascimento da sua filha, omtem às 12h e 56m, de parto natural, depois de cesariana!
Um grande beijinho de felicidades para todos.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Palestra na Escola Superior de Saúde de Beja


No passado dia 7 de Junho a vice-presidente das Doulas de Portugal esteve na Escola Superior de Saúde de Beja para uma palestra sobre as Doulas na Humanização do Nascimento em Portugal.
A sala esteve repleta de gente, entre alunos, professores e profissionais de saúde, com um ambiente muito agradável de partilha e troca de experiências.
Fica aqui o agradecimento à Drª Lurdes Rodeia pelo convite e um abraço ao pessoal da escola e às parteiras do Hospital de Beja pelo interesse e entusiasmo!
endereço para contacto: doulasdeportugal@yahoo.com