segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Trabalho com Grávidas, pais/mães e bebés, e a primeira infância

Vai-se realizar, pela primeira vez em Portugal, uma acção de formação em primeiros socorros emocionais para grávidas, bebés e mães, dirigido a profissionais de áreas como psicologia, pediatria, enfermagem, educação infantil, etc.

A investigação sobre bebés tem dado ênfase à importância das experiências de vinculação bio-emocional (bonding) entre mãe e filho para o desenvolvimento do ser humano. Os distúrbios destas experiências de vinculação, nomeadamente durante o parto, situam-se também, e sobre tudo, a nível corporal.
Paula Diederichs, prestigiada terapeuta psico-corporal alemã estuda, há mais de 15 anos, o fenómeno dos bebés chorões, tendo desenvolvido um trabalho pioneiro nesta área com a criação dos quatro Centros de Serviço Ambulatório ao Bebé-Colérico. Nestes Centros é utilizado o seu método de intervenção de emergência - Primeiros Socorros Emocionais. Este método consiste numa forma de terapia breve que inclui os aspectos corporal, energético e relacional em simultâneo.
Esta formação decorrerá entre Dezembro de 2006 e Jan. 2008 em sete encontros de 2 a 4 dias, organizada pelo Centro de Formação Asas e Raízes. Para mais informações consulte www.asaseraizes.pt .

Paula Diederichs Formada em Pedagogia Social, frequentou vários cursos de Terapia psico-corporal: Biodinâmica de Gerda Boyesen, Rob Bennett, David Boadella, Myron Sharaf, Francesco Dragotto e, neste contexto, principalmente com Eva Reich. Criou os Centros de SOS BEBÉS para Pais e Bebés em Crise, avaliados cientificamente em três estudos da Universidade Livre de Berlim, que têm sido criados também noutras cidades dentro e fora da Alemanha. A par da intervenção na prática, é autora de um livro sobre Bebés chorões, lecciona no Instituto Superior em Darmstadt, e divulga o seu trabalho em Conferências e Workshops nacionais e internacionais.
É Presidente da Associação de Parteiras Humanizadas e da liga da Amamentação da Áustria.

sábado, 9 de setembro de 2006

Parabéns!

Muitíssimos parabéns à Sónia e ao Pedro Pintassilgo pelo nascimento da sua lindíssima filha Beatriz na Maternidade Alfredo da Costa no dia 7 de Setembro.

Fica aqui mais um beijinho de alegria e felicidades para a vossa família.

sábado, 26 de agosto de 2006

Primeiro Congresso Humanização do Parto

O I Congresso Internacional de Humanização do Nascimento vai-se realizar nos dias 3, 4 e 5 de Novembro de 2006 no Instituto Jean Piaget, em Almada.

Mais informações em www.humpar.org
A não perder!

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Yoga para grávidas no Algarve

O Yoga é um sistema filosófico de Crescimento Pessoal que compreende o Ser Humano como um Universo completo e perfeito. Através das Asanas (confortáveis posturas estáticas e suaves sequências de movimentos fluídos), do Pranayama (técnicas de respiração que facilitam o fortalecimento da nossa energia), o canto de Mantras (sons sagrados), o Relaxamento, a Meditação Criativa e a Contemplação do Silêncio interior, aprofundamos o conhecimento acerca de nós mesmas.

A gravidez e o parto são as experiências mais intensas das nossas vidas. Nós temos a capacidade de Dar a Vida, e a responsabilidade de nos prepararmos em aspectos fundamentais do nosso ser: físico, mental e espiritual, aprendendo a utilizar de maneira natural o nosso Pleno Potencial.
O Poder desta amorosa auto-observação reflecte-se no despertar de uma consciência superior, que permite à grávida entrar em contacto com o seu corpo e o bebé, de forma tranquila e enriquecedora. A comunicação e a construção do vínculo afectivo precoce, são imensamente favorecidas, e asseguram as bases para a construção da psique do “pequeno ser” ainda dentro de útero.

Com a prática do Yoga recuperamos as ferramentas para aceder à Sabedoria Interior e viver a experiência da gravidez como uma oportunidade única para crescer! Os seus benefícios são, tanto preventivos como terapêuticos, oferecendo-nos uma poderosa sensação de equilíbrio, calma e autocontrolo:

ƒ Melhora a circulação sanguínea, ajuda a prevenir varizes e diminuir a retenção de líquidos;
ƒ Ajuda a controlar o excesso de peso, estimulando hábitos diários mais saudáveis;
ƒ Facilita a consciência das emoções e os seus efeitos no nosso “universo de a dois”;
ƒ Melhora a qualidade do sono;
ƒ Favorece eficazmente a flexibilidade e o fortalecimento da pelvis, peito e coluna.
ƒ Promove o desenvolvimento de recursos internos para a compreensão e uma saudável adaptação às mudanças que vão surgindo;
ƒ Estimula novas visões acerca do processo de nascimento, da dor que o acompanha e a reconstrução interna da “nova mulher”, respeitando e honrando a sua natureza.

... porque cada uma de nós tem o direito de sentir-se saudável, feliz e sagrada!
com amor.

Um agradecimento à Inês, ao Filipe e à Violeta pela cedência das imagens.


Contactos:
Rita de Sousa
Instrutora de Yoga Integral e Lic. em Terapia Ocupacional, formada na Argentina.
Aulas em Faro e proximidades. Para saber mais, 91 470 6942.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Nova Formação para Doulas


O processo de formação para novas doulas vai-se iniciar em Setembro,
com a formação de três dias (18h), em Lisboa (15 a 17 de Setembro).

Para inscrições, devem enviar um mail com os dados pessoais, morada e profissão para doulasdeportugal@yahoo.com

As inscrições são limitadas.
Foto de Anabela Oliveira

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Amamentação e leite materno como analgesia do recém-nascido

Uma revisão da Cochrane de 11 estudos chegou à conclusão de que a amamentação e o leite materno são intervenções eficazes na redução da dor em recém-nascidos. Os autores recomedam que sempre que possível, a amamentação e o leite materno sejam dados como analgesia a recém-nascidos que passem por procedimentos dolorosos.

Procurar por:
Shah PS, Aliwalas LL, Shah V. Breastfeeding or breast milk for procedural pain in neonates. The Cochrane Database of Systematic Reviews 2006; Issue 3. [abstract]

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Desde o Nascimento até ao Renascimento (“Rebirthing”)

O Renascimento, ou “Rebirthing”, é uma técnica holística, que integra o físico, mental, emocional e espiritual, e que utiliza a respiração consciente como a fonte da consciência do indivíduo. Possibilita ao indivíduo a entrada no caminho para a cura e um profundo crescimento pessoal.

É uma forma de liberação de stress, de lutas e de memórias e padrões antigos, de condicionamentos e bloqueios, um caminho para maior segurança e energia no corpo, clareza na mente, cura emocional e integridade espiritual. É uma terapia que ajuda a abrir o coração, a integrar o passado e a criar relacionamentos mais amorosos no tempo presente.

Utilizando o poder da respiração, você acede a memórias antigas, limitações e sensações, resolvendo-as e integrando-as, enquanto canaliza energia positiva rumo a uma nova forma de viver a vida. Com esta terapia, você aprende acerca do seu “tipo de nascimento”, e de que forma este o afecta nas suas tomadas de decisão, libertando-o a escolher mais profundamente aquilo que realmente nutre a sua alma. Pode-se tornar consciente de que forma você se limita e fica encurralado em lutas.

E porque a vida começa com o nascimento, ou mais precisamente no momento da concepção, quando estamos no ventre materno, iniciamos uma jornada mental, espiritual e física, ao mesmo tempo em que absorvemos uma quantidade de informação emocional do ambiente que nos rodeia. É nesta fase que tomamos as nossas primeiras decisões acerca da nossa personalidade, da nossa vida, e das nossas relações.

No momento do nascimento, entramos no mundo e vivemos as primeiras experiências que vão determinar o nosso comportamento na vida e as nossas expectativas em relacionamentos futuros. Assim, para que possamos encontrar a nossa paz interior, podemos aprender das nossas experiências passadas, uma vez que não as podemos mudar.

Catarina Serrano Tropa, terapeuta renascedora certificada, membro do “Projecto Internacional de Auto-Estima” e da Associação Internacional de Renascimento, é uma das líderes do movimento de Renascimento em Portugal que ensina e treina qualquer pessoa com interesse em sentir a alegria de viver e adquirir um pouco mais consciência de si mesma. Você pode marcar a sua primeira sessão de Renascimento a partir de Setembro deste ano em Lisboa, e informar-se através dos contactos: catarina.tropa@sapo.pt ou para o telemóvel 93 632 0504.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Muitos parabéns ao Michel Odent

Aqui ficam os nossos parabéns, hoje dia 7 de Julho, para o Michel, por mais um aniversário.
Que seja um dia muito agradável passado em família e que se repita por muitos mais anos!
Com um abraço de profunda amizade e agradecimento.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

"Sociedade Cívil" recebe ADP na 2

A Associação Doulas de Portugal foi chamada, mais uma vez, a participar num programa de televisão, desta feita no programa da 2 (RTP2) "Sociedade Cívil".
Apesar de curta, uma participação cujo objectivo é a divulgação, é sempre bem-vinda!!

Assim, podem ver mais este pequeno passo, na próxima 3ª (11/07/06), no referido programa das 14h às 15h.

Sónia Sousa

sexta-feira, 30 de junho de 2006

O puerpério

Vamos considerar o puerpério como o período transitado pela mulher entre o nascimento do bebé e os dois primeiros anos de vida, apesar de que emocionalmente haja uma progressão evidente, entre o caos dos primeiros dias - pelo meio de um choro desesperado - e a capacidade de sair ao mundo com um bebé ao colo.

Para tentar submergirmos nos atalhos energéticos, emocionais e psicológicos do puerpério, penso ser necessário reconsiderar a duração real desta fase. Refiro-me ao facto de que os famosos 40 dias estipulados – já nem sabemos por quem, nem para quem -- têm que ver apenas com uma história moral proibitiva, para salvar a parturiente da necessidade sexual do homem/companheiro. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente, um começo nem um final de nada.
A minha intenção – pela falta de um pensamento genuíno sobre o “eu” feminino na situação de parto, amamentação, criança e maternidade em geral - é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério baseando-nos em situações que às vezes não são nem tão físicas, nem tão visíveis, nem tão concretas, mas que nem por isso são menos reais.

Vamos falar em definitivo do invisível, do sub mundo feminino, do oculto. Do que está para além do nosso controlo, para além da razão para a mente lógica. Tentaremos chegar à essência do lugar onde não há fronteiras, onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e a superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgar-lhes um significado transcendental.

Para quem já passou por isso faz tempo, não dá vontade de recordar esse período tão desprestigiado, com reminiscências à tristeza, ao aperto e ao desencanto. Recordar o puerpério, equivale frequentemente a reordenar as imagens de um período confuso e sofredor, que engloba as ilusões, o parto tal como foi e não como tínhamos querido que fosse, dores e saudades, angústias e desesperos, o fim da inocência e o início de algo, que dói trazer outra vez à consciência.
Para começar a armar o puzzle do puerpério, é indispensável ter em conta que o ponto de partida é “o parto”, ou seja, a primeira grande “des-estruturação emocional”. Como descrevi no livro “La Maternidad y el encuentro con la propia sombra”, para que o mesmo aconteça, necessitamos que o corpo físico da mãe se abra, para deixar passar o corpo do bebé permitindo um certo “rompimento”. Este “rompimento” corporal também se realiza num plano mais subtil, que corresponde à nossa estrutura emocional. Há “algo” que se quebra, ou que se “des-estrutura” para alcançar a passagem de “um ser dois”.

É uma pena que atravessemos a maioria dos partos com muito pouca consciência relativamente a este “rompimento físico e emocional”. Já que o parto é sobretudo um corte, uma quebra, uma greta, uma abertura forçada, igual a uma erupção vulcânica que geme desde as entranhas e que ao soltar as suas partes profundas destrói necessariamente a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.

Depois da “erupção do vulcão” (o parto) as mulheres encontram-se com o tesouro escondido (um filho nos braços) e além disso com pedras insólitas que se desprendem como bolas de fogo ao infinito (os nossos “pedacinhos emocionais”, ou as nossas partes desconhecidas), e temendo destruir tudo aquilo que apenas tocamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram pelo seu caminho e nós olhamos aturdidas sem poder acreditar na potência de tudo o que vibra no nosso interior. Vão Incendiando e caindo no precipício, manifestando-se por vezes no corpo do bebé, como um prado de pasto húmido, aberto e receptivo.
São as nossas emoções ocultas, que abrem as suas asas sobre o seu fresco e suave corpo. Como um verdadeiro vulcão, o nosso fogo desliza pelos seus vales receptores. É a sombra, expulsada do corpo.

Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão devastadora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e de quem a pretende assistir.

Apesar disso, poucas vezes as mulheres encontram o acompanhamento necessário para se introduzir imediatamente nessa ferida sangrante, aproveitando esse momento, como ponto de partida para conhecer a nossa estrutura emocional renovada (geralmente bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.

O facto é que, com consciência ou sem ela, despertas ou adormecidas, bem acompanhadas ou sozinhas, incineradas ou a salvo - o nascimento acontece.

Infelizmente hoje em dia consideramos o parto e o pós-parto, como uma situação puramente física e de domínio médico. Submetemos-nos a um trâmite que, com alguma manipulação (anestesia para que a parturiente não seja um obstáculo, drogas que permitem decidir quando e como programar a operação), e uma equipa de profissionais que trabalhem coordenados, possam salvar o bebé corporalmente e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Esta modalidade está tão enraizada na nossa sociedade, que as mulheres nem sequer se questionam se foram actrizes do seu parto ou meras espectadoras. Se foi um acto íntimo, vivido desde a nossa mais profunda animalidade, ou se cumprimos aquilo que se esperava de nós. Se pudémos transpirar ao calor das nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes de tempo.

Na medida em que atravessamos situações essenciais de rompimento espiritual sem consciência, anestesiadas, adormecidas, infantilizadas e assustadas... ficaremos sem ferramentas emocionais para reordenar os nossos “pedacinhos em chamas”, sentindo e vivendo o parto como uma verdadeira passajem da alma. Frequentemente, iniciamos assim o puerpério: afastadas de nós mesmas.

Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão em chamas, abrindo e quebrando o seu corpo, deixando ao descoberto a lava e as pedras. Analogamente, do ventre materno, surge o bebé real, e também o interior desconhecido dessa mãe, que aproveita o rompimento, para deslizar-se entre as gretas que ficaram abertas. Estes aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra ( ou seja, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o medo), utiliza “esta quebra” para sair do seu esconderijo e apresentar-se triunfante à superfície.
O problema para a mãe recente, é que se encontra com o bebé real que chora, chama, mama, queixa-se e não dorme… e simultaneamente com a sua própria sombra, desconhecida, sem limites, nem definição.

Mas, com que aspectos da sua sombra se encontra ela mais concretamente?
Cada ser humano tem a sua história pessoal e os seus obstáculos a percorrer, pelo qual, só um trabalho profundo de introspecção, procura pessoal, encontro com dores antigas e coragem, poderá guiar-nos ao interior dessa mulher que sofre através do menino que chora.
O puerpério é uma abertura da alma. Um abismo. Uma iniciação, se estivermos dispostas a submergirmos nas águas do nosso “eu” desconhecido.

Laura Gutman
Autora Argentina de “La Maternidad y el encuentro con la propia sombra”, “Puerperios y exploraciones del alma femenina” e “Crianza, violencias invisibles y adicciones”.
Tradução e adaptação de Luísa Condeço, autorizado pela autora. Revisão de Rita de Sousa. Junho de 2006.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Feira Alternativa de Lisboa


No passado fim de semana a Associação Doulas de Portugal esteve representada na Primeira Mostra de Modos de Vida Alternativos na Cordoaria Nacional.
Os três dias de feira foram recheados de visitas de gente conhecida e de novas caras, muitos contactos e conversa animada. A todos quantos nos visitaram, um muito obrigada, e a todas as doulas cuja dedicação e empenho tornaram isto possível, um abraço de profundo agradecimento.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Artigo sobre as Doulas de Portugal


No próximo Domingo, dia 25 de Junho, sai mais uma peça sobre o papel das doulas na Humanização do Nascimento em Portugal, na Notícias Magazine, encarte do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Pela mão da Anabela Oliveira, a quem enviamos um abraço de profundo agradecimento pelo interesse na nossa causa!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Primeira mostra de modos de vida alternativo

A Associação Doulas de Portugal estará presente na Feira LISBOA ALTERNATIVA 2006 - que pretende ser um espaço que oferecerá ao visitante as melhores escolhas nas novas áreas de conhecimento e práticas no âmbito da Alimentação Natural, Saúde, Ecologia, Desenvolvimento Pessoal.

A Feira terá lugar na Cordoaria Nacional, em Lisboa.
A feira decorrerá de 23 a 25 de Junho de 2006.
Venham fazer-nos uma visita!

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Muitos parabéns

Muitos parabéns à Doula Ângela pelo nascimento da sua filha, omtem às 12h e 56m, de parto natural, depois de cesariana!
Um grande beijinho de felicidades para todos.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Palestra na Escola Superior de Saúde de Beja


No passado dia 7 de Junho a vice-presidente das Doulas de Portugal esteve na Escola Superior de Saúde de Beja para uma palestra sobre as Doulas na Humanização do Nascimento em Portugal.
A sala esteve repleta de gente, entre alunos, professores e profissionais de saúde, com um ambiente muito agradável de partilha e troca de experiências.
Fica aqui o agradecimento à Drª Lurdes Rodeia pelo convite e um abraço ao pessoal da escola e às parteiras do Hospital de Beja pelo interesse e entusiasmo!
endereço para contacto: doulasdeportugal@yahoo.com

sábado, 3 de junho de 2006

Muitos parabéns!!

Muitos parabéns à Isabel Cortes pelo nascimento da sua filha!
Fica um abraço muito apertado de admiração e felicidade!

Parir em Espanha...até quando?

Espanha teme uma invasão de alentejanas em Badajoz, na sequência da entrada das grávidas de Elvas e Campo Maior.

Em resultado da reacção dos políticos da Extremadura, as portuguesas, dentro de seis meses, poderão ficar impedidas de dar à luz em Espanha.


O conselheiro [membro do governo regional] da Saúde e Consumo, Guillermo Fernández Vara, comprometeu-se ontem, na Assembleia Regional de Mérida, a declarar sem efeito, a partir de 1 de Janeiro de 2007, o acordo para que as portuguesas dêem à luz em Badajoz, se nos próximos seis meses, ficar demonstrado que esta colaboração “pontual” prejudica os extremenhos. Ouvida pelo CM, fonte do Ministério da Saúde português lembra que “há um protocolo assinado e que Espanha tem de assumir os compromissos”.

A assistência às portuguesas é contestada na Extremadura. A deputada popular Leonor Nogales considera este serviço “preocupante” porque se abrirá a porta a “meio milhão de portugueses” [sic].Fernández Vara sustenta que a deslocação de portuguesas ocorrerá só em situações pontuais. E advertiu que “tem a obrigação de atender os vizinhos lusos por razões de urgência”.A Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA) reconhece que o acordo poderá ficar sem efeito. Contudo, as datas para o eventual fim do protocolo divergem: Fernández Vara diz que este “poderá ficar sem efeito a 1 de Janeiro”. Mário Simões, porta-voz da ARSA, precisa que “o protocolo tem a validade de um ano, sendo renovado automaticamente”.A ARSA desmente que o protocolo estabelecido com o Serviço Extremenho de Saúde abranja apenas situações pontuais e de urgência. “Ficou estabelecido que a parturiente poderá escolher ao mesmo nível entre Badajoz, Évora e Portalegre”.

Odete Neves, do Movimento Pró-Maternidade, diz que as declarações do conselheiro espanhol “só aumentam o clima de insegurança nas mulheres de Elvas”. No último ano nasceram em Elvas 262 crianças. Em Badajoz cerca de 2900, das quais 60 portuguesas. Apesar do bloco de partos ainda não ter encerrado, dentro de uma semana as grávidas de Elvas já terão de decidir entre Badajoz, Évora ou Portalegre.

Retirado do Correio da Manhã, 2 de Junho de 2006

Foto de Anabela Oliveira

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Muitos Parabéns

Parabéns à Marta, pelo nascimento da sua filha Beatriz, na quarta-feira no HES de Évora.
Um beijinho da Luísa

terça-feira, 23 de maio de 2006

A amamentação selvagem

A maioria das mães que nos procura fá-lo por motivos de dificuldade na amamentação e estão preocupadas em saber como se fazem as coisas correctamente, em vez de procurar o silêncio interior, as raízes profundas, os vestígios de feminilidade e um apoio no marido/companheiro, na família ou na comunidade que favoreçam o encontro com a sua essência pessoal.

A amamentação genuína é manifestação dos nossos aspectos mais terrenos, selvagens, filogenéticos. Para dar de mamar deveríamos passar quase todo o tempo nuas, sem largar a nossa cria, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de nos defendermos de nada nem de ninguém, mas apenas e unicamente desaparecidas num espaço imaginário e invisível para os outros.

Isto é dar de mamar. É deixar aflorar os nossos recantos ancestralmente esquecidos ou negados, os nossos instintos animais que surgem, sem imaginar que habitavam no nosso interior. É deixar-se levar pela surpresa de vermos lamber os nossos bebés, de cheirar a frescura do seu sangue, de alternar entre um corpo e o outro, de converter-se em corpo e fluido dançantes.

Dar de mamar é despojar-se das mentiras que contámos a nós mesmas toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estar descontraídas, poderosas, famintas, como lobas, como leoas, como tigres, como canguruas, como gatas. Muito relacionadas com as outras mamíferas de outras espécies no seu total apego à cria, descuidando o resto da comunidade, mas milimetricamente atentas às necessidades do recém-nascido.

Deleitadas com o milagre, tratando de reconhecer que fomos nós mesmas que o fizémos possível, e reencontrarmo-nos com o que há de sublime. É uma experiência mística se premitirmos que assim seja.

Isto é tudo o que necessita para poder dar de mamar a um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Mas sim apoio, contenção e confiança dos outros (marido, rede de mulheres, sociedade, âmbito social) para ser uma mesma mais que nunca. Apenas a permissão para ser o que queremos ser, fazer o que queremos, e deixarmo-nos levar pela loucura do selvajem.

Isto é possível se se comprender que a psicologia feminina inclui este profundo apego à terra-mãe, que ser una com a natureza é intrínseco ao ser esencial da mulher, e que se este aspecto não se revela, a amamentação simplemente não fluie. Não somos assim tão diferentes dos rios, dos vulcões, dos bosques. Só é necessário preservá-los de ataques.

As mulheres que desejam amamentar têm o desafio de não se afastarem desmedidamente dos seus instintos selvagens. Sabemos racicionar, ler livros de puericultura e desta maneira perdemos o objectivo entre tantos conselhos supostamente “professionais”.

Há uma ideia que atravessa e desactiva a animalidade da amamentação, e é a insistência para que a mãe se separe do corpo do bebé. Contrariamente ao que se supõe, o bebé deveria ser carregado pela mãe todo o tempo, incluindo e sobretudo quando dorme. A separação física a que nos submetemos como díade entorpece a fluidez da amamentação. Os bebés ocidentais dormem no berço, no carrinho ou nas suas camas demasiadas horas. Esta conduta é simplesmente um atentado à amamentação. Porque dar de mamar é uma actividade corporal e energética constante. É como um rio que não pode parar de fluir: se é bloqueado, o seu caudal é desviado.

Dar de mamar é ter o bebé nos nossos braços, sempre que seja possível. É corpo, é silêncio, é conexão com o sub mundo invisível, é fusão emocional, é loucura.

Sim, há que ser um pouco louca para se conseguir ser mãe.

Laura Gutman
Autora Argentina de “La Maternidad y el encuentro con la propia sombra”, “Puerperios y exploraciones del alma femenina” e “Crianza, violencias invisibles y adicciones”.
Tradução e adaptação de Luísa Condeço, autorizado pela autora.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Parto domiciliário


No próximo Domingo, dia 21 de Maio, sairá uma reportagem sobre o parto domiciliário no Diário de Notícias.
Contará com a participação, entre outros, da HumPar e das Doulas de Portugal.

O artigo é da autoria da jornalista Maria João Caetano a quem enviamos um abraço daqui.
A não perder!

(Foto de Anabela Oliveira)

terça-feira, 16 de maio de 2006

Tony Blair apoia o parto em casa!

O primeiro ministro da Grâ-Bretanha, Tony Blair, está a promover uma "mudança estratégica" na política de nascimentos fora do hospital, tendo delegado uma comissão para o estudo que suporte os partos domiciliários e que desafie o princípio de que os partos tenham que acontecer no hospital.

Aqui ficam os links para ler mais:

A Mother's Birthright
http://comment.independent.co.uk/leading_articles/article431957.ece
Home vs hospital: Where would you rather give birth to your baby?
http://news.independent.co.uk/uk/health_medical/article447772.ece
Childbirth Revolution: Mummy State
http://news.independent.co.uk/uk/health_medical/article448999.ece
http://www.nzherald.co.nz/section/story.cfm?c_id=2&ObjectID=10381854

terça-feira, 9 de maio de 2006

As Doulas em Portugal...

Sairam nestes dias mais uns artigos sobre as Doulas em Portugal.

Um deles no Portugal Diário e o o outro no site da RTP.

Aqui ficam os links respectivos.

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=678317

http://www.rtp.pt/index.php?article=237260&visual=16

E também um abraço à jornalista Ana Clotilde Correia pelo seu profissionalismo e simpatia!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Dia Internacional da Parteira

Parteiras Em vias de extinção

Nas maternidades ainda há bebés que nascem às mãos de uma parteira. A sua actividade, legal, é valiosa porque há grande carência de enfermeiras-obstetras. Para dar visibilidade à actividade, o País assinala hoje, pela primeira vez, o Dia Internacional da Parteira, com um encontro de profissionais na Póvoa de Varzim.

Artigo de Hoje no Correio da Manhã:http://www.correiomanha.pt/noticiaImprimir.asp?idCanal=9&id=200571 2006-05-05

E vai daqui um abraço muito apertado a todas as parteiras com quem temos trabalhado. Só com a vossa preciosa ajuda, é possível a Humanização do Nascimento em Portugal!

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Da ecologia do útero

Um site muito interessante e com dados relevantes sobre a vida intra-uterina,
pela mão do Dr. Michel Odent.

http://www.wombecology.com/

terça-feira, 2 de maio de 2006

Parabéns!!

Parabéns à doula Catarina Pardal pelo nascimento do seu filho Rodrigo, dia 30 de Abril, no Amadora Sintra às 15.25.

Um abraço muito grande à doula Susana Pinho por todo o apoio e carinho nestas horas tão importantes!

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Parabéns!!!

À Catarina e ao Luís pelo nascimento da sua filha neste Domingo, 23 de Abril, às 14h54. Um beijinho especial da doula Luísa com amizade e admiração.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

O mundo começa a compreender...


... que não existe uma política de promoção do desenvolvimento da saúde e da educação mais eficaz do que o empoderamento das mulheres e raparigas. É crucial para o desenvolvimento de toda a humanidade.

Kofi Annan, Secretário Geral da ONU (no Dia da Mulher 2006)

quinta-feira, 23 de março de 2006

Estudo em Portugal sobre parto

Anabela Nunes frequenta o Mestrado na Área de Psicologia, Especialização em Psicologia da Gravidez e Maternidade, no Instituto Superior Dom Afonso III, com a tese de mestrado sobre “A Satisfação em Mulheres que vivenciaram um Parto Hospitalar vs Mulheres que vivenciaram um Parto Domiciliar”.

A partir da importância da experiência do parto e nascimento na mulher, este estudo pretende identificar os factores associados à satisfação das mulheres, na situação de trabalho de parto, parto e pós-parto, no âmbito do parto hospitalar e no âmbito do parto domiciliar e perceber se existem diferenças significativas entre estes dois grupos.

Identificar os componentes da satisfação das mulheres em relação à experiência parto poderá ser uma etapa fundamental para a organização de serviços voltados para as suas necessidades, visando a pretendida humanização da atenção ao parto e nascimento.

Vimos por este meio solicitar a vossacolaboração na recolha da amostra que a Anabela Nunes está a iniciar. Os critérios que as participantes deverão reunir são os seguintes:

· Idades compreendidas entre os 18 e 45 anos;
· Nacionalidade portuguesa;
· Parto vaginal;
· Primíparas ou multíparas;
· Gravidez que tenha decorrido com ausência de condições consideradas de risco e com termo a partir das 38 semanas inclusive;
· Que o parto tenha ocorrido até há um ano atrás;
· Que saibam ler e escrever.

Os dados dos participantes serão recolhidos através de questionários anónimos. É garantida a confidencialidade da informação recolhida.

Escrevam, por favor para:
anabela.nunes@zmail.pt

Obrigada!

terça-feira, 21 de março de 2006

Parabéns à Ana e família!

Muitos parabéns à Ana e ao Pepe pelo nascimento do seu Lisandro, um rapagão lindo com 3,825 Kg e 52 cm.

Foi um parto vaginal, na Maternidade da Estefânia, onde a mamã chegou com meia dilatação. O bebé nasceu duas horas depois.

Felicidades!

sábado, 18 de março de 2006

Vai ter o seu bebé numa ambulância?

"Em Odemira, que fica a cerca de 100 quilómetros de Beja, há um bombeiro que já fez 65 partos em ambulância.

A história é ressuscitada pelo presidente da Liga Portuguesa de Bombeiros (LPB), Duarte Caldeira, para ilustrar um dos problemas colocados pelo encerramento dos blocos de partos.

No caso do transporte das parturientes - "garantido em 70 por cento pelos bombeiros" - a Comissão de Saúde Materna e Neonatal não explica no seu relatório como e quando a questão vai ser resolvida.

O presidente da LPB não entende por que razão não foi ainda contactado pelo Ministério da Saúde e adianta que na próxima semana vai colocar uma série de questões a Correia de Campos. É que, mesmo que não haja problemas com os meios dos bombeiros nas localidades onde estão decididos os encerramentos (à excepção do que acontece em Lamego), não haverá enfermeiros suficientes para garantir o transporte preconizado pelos especialistas.

Actualmente há 102 enfermeiros inseridos nas 411 corporações de bombeiros do país. Sublinhando que concorda com a medida, o presidente da Associação dos Enfermeiros Obstetras, Vitor Varela, nota igualmente que tudo tem que ser bem organizado e planeado e que a questão do risco deve ser avaliada no local, sendo responsabilidade também do médico".

In Público, sábado, 18 de Março 2006
http://www.publico.pt

quinta-feira, 16 de março de 2006

As doulas na Revista Flash!

Saiu um artigo na Revista Flash! nº 45, sobre as doulas e a Associação Doulas de Portugal, escrito pela jornalista Patrícia Araújo, a quem enviamos daqui um abraço e um muito obrigada!

Posições verticais para dar à luz

http://www.msnbc.msn.com/id/11717020/

As primíparas que dão à luz os seus filhos numa posição de quatro, experimentam menos dor do que as que dão à luz sentadas, revela um estudo sueco, publicado no BJOG: International Journal of Obstetrics and Gynecology.


Contudo, a duração da fase activa do trabalho de parto é similar nas duas situações, de acordo com o estudo.

Variados estudos já tinham revelado a importância e eficácia das posições vericais em trabalho de parto em detrimento da posição deitada, tal como menos dor e contracções mais eficientes.
Mas esta é a primeira vez que se comparam estas duas posições, sentada e de quatro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Filosofia das Doulas de Portugal


A Associação Doulas de Portugal é uma organização de doulas portuguesas com o objectivo de promover e divulgar o papel da doula no acompanhamento perinatal em Portugal, como uma frente de acção na humanização do parto e nascimento em Portugal. As doulas ajudam as mulheres e seus companheiros a viverem experiências de parto e pós-parto saudáveis, seguras, satisfatórias e enriquecedoras.

Acreditamos na capacidade inata de parir das mulheres e reconhecemos o parto como um evento natural e fisiológico, que faz parte da sexualidade feminina e cujo impacto na identidade e bem-estar integral da mulher não pode ser negligenciado. O parto e o nascimento são um ritual de passagem, uma celebração, e a mulher deve ser especialmente honrada e acarinhada nesse momento sagrado.

Acreditamos que todas as mulheres devem ter a oportunidade de ter os serviços de uma doula, independentemente da região onde vivem e do seu estrato sócio-cultural-económico.

Desde tempos remotos, o parto sempre foi um evento do universo feminino, acompanhado por mulheres mais velhas, familiares ou amigas, que embora sem treino profissional, possuíam experiência de vida, e que ofereciam apoio e encorajamento no período à volta do nascimento. Do mesmo modo, o apoio da doula vem antes de mais do coração e sabedoria individual de cada mulher.

Acreditamos que a mulher deve ser a protagonista do seu próprio parto e que nesse princípio assenta a humanização do nascimento.

O apoio da doula é essencialmente emocional, visando o bem-estar e o conforto das mães e suas famílias. Antes, durante e após o parto, é sobretudo a presença tranquila e confiante da doula que fará a mãe sentir-se segura. A doula ajuda a mulher a encontrar dentro de si o poder de conduzir o nascimento dos seus filhos, promovendo a confiança na sua sabedoria interior e visando a protecção da memória emocional da experiência do parto e pós-parto.

Potencialmente, qualquer mulher, com treino específico ou não, pode dar apoio durante a gravidez, o parto e período pós-natal. O seu desempenho depende da sua maturidade pessoal, conhecimentos e visão única da gravidez, parto e maternidade. A principal ferramenta que a doula tem é ela própria!

Reconhecemos que ser doula será mais fácil para as mulheres que têm experiência de maternidade, amamentação e cuidados com bebés, mas sabemos também que existem mulheres que, não tendo essa experiência, podem ser excelentes doulas. Defendemos que a mãe possa sempre escolher a doula com quem se sente mais confortável.

Acreditamos que o papel da doula é um modo de “estar” e não de “fazer”. A formação enquanto doula é sobretudo um percurso pessoal e não se pode pensar que a frequência de um curso de alguns dias transforme uma mulher numa doula. As doulas estão num processo permanente de aprendizagem, descoberta e partilha. Só com uma postura aberta ao desenvolvimento pessoal e crescimento humano é possível estar disponível para ajudar os outros. No processo de formação de uma doula tem que existir uma profunda concentração na consciência de si própria e hábitos de reflexão.

A doula é uma figura maternal de protecção que está ao lado de outra mãe para a ouvir, proteger, apoiar e responder às suas necessidades. Por isso se diz que a doula é uma “mãe para a mãe”. A doula não vem substituir o pai, parceiro ou qualquer outro familiar ou profissional do cenário de parto. As acções da doula nunca são conduzidas pelo seu ego mas sim pela sua sensibilidade e amor incondicional.

As doulas não executam qualquer acto médico nem fazem aconselhamento médico, mas deverão ter bons conhecimentos da fisiologia do parto e do período pós-natal de forma a que possam oferecer apoio e orientação no sentido de ajudar a mulher a encontrar as melhores soluções para o seu caso.

Ser doula é um trabalho de paixão. Não pretendemos ser apenas mais um “profissional” a sobrecarregar o cenário de parto já de si muito profissionalizado. Existem tantas doulas diferentes quanto existem mulheres. Esperamos que cada mulher possa encontrar a sua doula como quem encontra uma grande amiga. Para a doula será sempre um privilégio poder partilhar com ela o milagre de mais um nascimento.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Formação para novas doulas


O processo de formação para novas doulas vai-se iniciar em Março, com a formação de três dias (18h), em Lisboa (24 a 26 de Março).

Para inscrições, devem enviar um mail com os dados pessoais para doulasdeportugal@yahoo.com

As inscrições são limitadas.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Anti depressivos na gravidez


Anti depressivos chegam ao feto através do líquido amniótico
Fonte: American Journal of Psychiatry 2006; 163: 145-7

Avaliação da concentração de anti depressivos no líquido amniótico de mulheres grávidas que estão a receber tratamento para depressão
As concentrações de anti depressivos no líquido amniótico são semelhantes às encontradas na passagem pela placenta, indicando outro meio de exposição fetal a medicamentos administrados à mãe, dizem os investigadores.

Preocupados com o facto de que o líquido amniótico possa tornar os antidepressivos acessíveis ao feto, Zachary Stowe (Emory Women's Mental Health Program, Atlanta, Georgia, USA) e colegas investigaram as concentrações de anti depressivos no líquido amniótico em 27 mulheres a receber tratamento com anti depressivos que tinham indicação para realização de amniocentese.

A concentração de anti depressivos nas amostras de líquido amniótico obtidas, mostraram um grau elevado de variabilidade.
Componentes associados de quatro em sete anti depressivos foram encontrados em todas as amostras de líquido amniótico — citalopram, escitalopram, fluvoxamina, and venlafaxina.
A fluoxetina foi detectável em 11 de 12 amostras, a paroxetina em uma de duas amostras, e a sertralina em duas de 6 amostras de líquido amniótico.
As concentrações de líquido amniótico para os componentes de origem variaram de 1.4% a 267.2% das concentrações de serum materno. A taxa média foi de 11.6% para os inibidores de recuperação de serotonina, mas 172% para a venlafaxina.

No entanto, não existiu correlação significativa entre as concentrações dos componentes de origem e as concentrações dos metabolitos de antidepressivos.

Stowe e a sua equipa concluíram que uma maior investigação sobre os determinantes farmacológicos e fisiológicos da exposição fetal a anti depressivos “poderá estimular o desenvolvimento de novos agentes farmacológicos que penetrem mais lentamente no líquido amniótico, na circulação fetal e no leite materno, sendo portanto preferencial a sua utilização em mulheres em idade fértil."
Enviado: 27 Janeiro 2006

Com um especial agradecimento à doula Ângela Coelho pela tradução.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Humanização do Parto na Televisão Portuguesa


A HumPar - Associação para a Humanização do Parto em Portugal foi convidada do programa Tudo em Família na RTP2, na passada Segunda-feira, 23 de Janeiro, numa emissão exclusivamente dedicada à humanização do parto no nosso país. A representar a HumPar estiveram a sua Presidente Cristina Torres, o Enfermeiro António Ferreira e a doula Carla Guiomar, Presidente da Associação Doulas de Portugal que também é sócia fundadora da HumPar. Contámos com a magnífica participação em directo telefónico do Brasil, do Dr. Ricardo Jones, Médico Obstetra e Coordenador da ReHuNa - Rede de Humanização do Parto e Nascimento no Brasil que nos lembrou a famosa frase de Michel Odent: "Para mudar o mundo é preciso mudar primeiro a forma de nascer".
Muito ficou por dizer mas mais oportunidades haverá para levar a mensagem da humanização a todos em Portugal!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Os perigos de dormir com um bebé no sofá

Uma nova pesquisa publicada no The Lancet (http://www.thelancet.com)
indicou um aumento considerável na percentagem de morte súbita em bebés que dormem com os pais em sofás.

Este estudo com a duração de 20 anos e um dos mais intensisvos alguma vez efectuados nesta área, concluiu que a morte súbita em bebés que dormem com os pais diminuiu para metade nos últimos anos, mas em contrapartida, aumentou 4 vezes mais em bebés que dormem com os pais em sofás.

A UNICEF continua a recomendar aos profissionais de saúde a disponibilização aos pais de informações baseadas em evidências científicas sobre os benefícios, alternativas e riscos de partilhar uma cama com os pais de forma a que estes possam fazer escolhas informadas!


Mais informação em:
http://society.guardian.co.uk/health/news/0,,1689055,00.html


Detalhes sobre como dormir com o seu bebé de uma forma segura em:
http://www.babyfriendly.org.uk/bedshare.asp

domingo, 15 de janeiro de 2006

Parabéns à Mariana

Muitos parabéns à Mariana e ao Nuno pelo nascimento da sua filha, na Dª Estefânia esta noite.

Um parto de cócoras muito bom para a mãe e para a bebé Matilde!

Um beijinho grande para a nossa doula Susana e um abraço também à equipa médica.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

O Bebé Chora: Como os Pais Devem Reagir

Por Jan Hunt, Psicóloga Directora do "The Natural Child Project"

Imagine por um instante que você foi levado por uma nave espacial para um planeta distante, onde está cercado de gigantes estranhos cuja língua você não entende. Dois desses estranhos decidem cuidar de si. Você é totalmente dependente deles para a satisfação de todas as suas necessidades - fome, sede, conforto e - principalmente - para assegurá-lo de que não corre perigo nesse lugar estranho. Imagine então que alguma coisa vai mal - você está com dor, ou com muita sede ou a precisar de afecto. Mas os responsáveis ignoram seus gritos de desespero e você não consegue fazê-los compreender do que você precisa. Agora você tem um problema a mais, pior que o primeiro: sente-se totalmente desamparado e sozinho num mundo estranho.
Com toda a inocência, o bebé parte do pressuposto de que nós, seus pais, estamos certos - e que fazemos tudo o que deveríamos fazer. Se não fizermos nada, o bebé só pode concluir que não é amado porque não merece o nosso amor. Ele não é capaz de entender que nós estamos ocupados, distraídos, preocupados, mal orientados por "especialistas", ou que simplesmente somos pais inexperientes. Não importa o quanto amamos nosso bebé, o que ele entende são as manifestações externas desse amor.

Ninguém gosta que sua comunicação seja ignorada. Ser ignorado desperta sentimentos de desamparo e raiva que inevitavelmente prejudicam o relacionamento. Todos os adultos sentem isso e não há porquê imaginar que seja diferente com bebés e crianças. Pouca gente ignoraria um adulto que repetisse: "Você poderia me ajudar? Não me estou a sentir bem." Ignorar esse pedido seria considerado muito pouco gentil. Mas um bebé não pode falar assim; ele só pode chorar e chorar até que alguém o atenda - ou até desistir, desesperado.

A reação imediata ao choro de uma criança não foi questionada durante milénios, até aos nossos dias. Na nossa cultura, assumimos que o choro do bebé é normal e inevitável. Mas em sociedades naturais onde os bebés são transportados junto aos adultos na maior parte do dia e da noite durante seus primeiros meses de vida, o choro é incomum. Ao contrário do que se acredita na nossa sociedade, bebés tratados assim tornam-se auto-suficientes mais cedo do que os bebés que não recebem esses cuidados. Na verdade as pesquisas sobre as primeiras experiências da infância mostram que as crianças que receberam cuidados mais amorosos nos primeiros anos de vida tornam-se adultos mais amorosos e confiantes. Os bebés obrigados a ser submissos desenvolvem ressentimentos e raiva que podem ser manifestados de forma nociva mais tarde. Apesar dessas pesquisas, a maioria dos argumentos para se ignorar o choro baseiam-se no receio de "estragar com mimos" o bebé. Um livro clássico de cuidados ao bebé adverte os pais a "deixar o bebé lidar com seu problema". Embora a primeira infância seja uma época de desafios para os pais, um bebé é muito novo e inexperiente para "lidar" com a causa de seu choro, seja ela qual for. Ele não se pode alimentar, trocar de roupa ou confortar-se do modo que a natureza pede. É evidente que é responsabilidade dos pais preencher as necessidades de alimento, segurança e amor do bebé, e não responsabilidade do bebé preencher as necessidades de paz e sossego dos pais. A publicação insinua que se os pais derem ao bebé a oportunidade de ser auto-confiante, estão a contribuir para seu amadurecimento. Mas um bebé simplesmente não é capaz dessa maturidade. A maturidade verdadeira reflecte uma base sólida de segurança emocional que só se pode desenvolver com amor e apoio dos adultos próximos, nos primeiros anos de vida. Uma pessoa imatura só pode reagir ao stress de modo imaturo. Um bebé a quem se nega o seu direito nato de ser reconfortado pelos pais pode voltar-se para o recurso ineficaz da auto-estimulação (bater com a cabeça, embalar-se de um lado para o outro, chuchar no dedo, etc) e o distanciamento emocional das pessoas. Se as suas necessidades forem sempre ignoradas, ele pode decidir que a solidão e o desespero são preferíveis a arriscar-se a sofrer mais frustração e rejeição. Infelizmente, uma vez que ele toma essa decisão ela pode se tornar uma visão definitiva da vida, que leva a uma vida emocional muito pobre.

Muitos profissionais que lidam com crianças percebem que o incentivo dos pais à auto-satisfação, além da substituição abusiva por objectos materiais - ursinhos que substituem os pais, carrinhos em vez de braços, grades em vez de dormir junto, chupetas em vez de mamar no peito, brinquedos em vez de atenção, caixinhas de música no lugar de vozes, leite em pó em vez de leite materno, cadeira de balanço em lugar do colo - determinaram uma época de consumismo, isolamento pessoal e insatisfação emocional. Ignorar o choro de uma criança é como usar protector de ouvidos para evitar o ruído desagradável de um detector de incêndio. O som de um detector de incêndio serve para nos alertar sobre um assunto sério que exige uma atitude - o mesmo acontece com o choro do bebé. Como Jean Liedloff escreveu em 'The Continuum Concept', "o choro do bebé é um problema tão sério quanto o seu ruído sugere". Por mais stressante que seja, o choro da criança não deve ser visto como uma medição de forças entre o pai ou a mãe e o filho, mas como um presente da natureza para assegurar que todos os bebés cresçam com uma capacidade generosa de amor e confiança.
Adaptado por Cristina Carvalho

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Muitos Parabéns!

Muitos Parabéns à Isabel e ao Berto pelo nascimento do seu filho Tomás, hoje, dia 28 de Dezembro, às 13h e 08 minutos, no Hospital Garcia da Orta com a ajuda especial da nossa doula Lia!
Muitos beijinhos de felicidades para todos!

sábado, 24 de dezembro de 2005

Boas Festas!



As Doulas de Portugal desejam a todos os seus amigos e colaboradores um Santo Natal, muito tranquilo e feliz.
Um abraço de todas nós.

domingo, 18 de dezembro de 2005

Parto e dor, ontem e hoje

"Aqueles que viveram entre tribos primitivas relatam-nos que eles tendem a não responder da mesma forma que nós ao desconforto físico e à dor da vida. Isto poderá dever-se em parte a uma visão do mundo, partilhada por todos na tribo, que não vê a natureza separada das pessoas, a mente separada do corpo, ou a dor separada do prazer.
Nós pagamos o preço pelo nosso vício do conforto pessoal. Nas sociedades tribais, as pessoas aceitam as experiências desagradáveis e o desconforto como parte da vida. Em vez de responderem à dor do parto com medo e negação, as mulheres são criadas para aceitá-la como uma parte integral e essencial da experiência do nascimento.
Para a maioria das mulheres, dar à luz um filho, requer uma descida abrupta a um lugar onde elas nunca estiveram na sua memória consciente. Hoje em dia, esta jornada é frequentemente feita com relutância, com pouca ou nenhuma visão do que está a acontecer e com pouca preparação real ou orientação. Poucas mulheres encontram no parto aquilo que esperavam. Uma parte ou outra, ou mesmo tudo, é sentido como arrebatador. Muitas mulheres nas sociedades modernas ficam chocadas com a dor do parto. As gerações passadas disseram que as mulheres precisam de sentir a dor do parto. Foi dito que apenas através desta dor uma mulher poderia aprender a amar o seu filho e ser uma boa mãe. Considerando a fonte de tais pronunciamentos – homens do clero, homens filósofos e médicos e homens legisladores, todos aliados contra o direito da mulher receber anestesia no parto, no final do Séc. XIX, não admira que as mulheres tenham tido, nos anos seguintes, desprezo por tais crenças. No entanto muitas mulheres que passaram pelo parto sem drogas mas beneficiando de um apoio carinhoso, afirmam que a experiência as mudou para sempre, pela positiva.
Porque é que as mulheres escolhem usar drogas no trabalho de parto?
Desde que há registo, os humanos sempre deram à luz sem recorrer ao uso de substâncias externas para alívio da intensidade e dor do parto. Excepto em raras e extremas circunstâncias, o senso comum ditava que qualquer coisa que a mãe tomasse poderia prejudicá-la ou ao bebé, ou inibir o processo de parto. Foi apenas nos últimos 75 anos que as mulheres passaram a ser rotineiramente drogadas ou anestesiadas para o parto. Este é um período de tempo muito curto, mas o suficiente para imprimir na nossa cultura a crença de que o parto requer o uso de drogas.
A maioria das sociedades tradicionais compreendeu que o parto produz um estado alterado de consciência que traz à mulher força e resistência extraordinárias e torna possível mesmo para uma mulher bastante frágil parir o seu filho sem assistência e sem uso de drogas mais fortes do que plantas. A maioria das culturas encontrou formas de ajudar uma mulher a manter a confiança e força interior durante o trabalho de parto e lidar com a dor das contracções. Apenas a cultura ocidental moderna construiu um sistema de atendimento baseado na crença patriarcal de que a mulher não é capaz de parir por si só e de que o corpo humano feminino não está desenhado para lidar com a dor do parto.
A principal razão pela qual as mulheres foram rotineiramente hospitalizadas para parir, no princípio do século XX, foi criar um ambiente controlado onde mais facilmente os médicos poderiam administrar drogas às mulheres em trabalho de parto. Actualmente a grande maioria das mulheres espera vir a precisar de drogas e acredita que deverá poder tê-las a pedido. Os médicos, na sua maioria, concordam com elas e encorajam o uso de drogas.
A principal diferença entre as mulheres que estão a parir nos dias de hoje e as suas avós é que estas acharam o processo de parto tão perturbador que nem queriam estar acordadas durante o mesmo, enquanto que hoje as mulheres querem estar acordadas, só não querem sentir dor.

Tradicionalmente, as mulheres têm cantado ou repetido orações para afastarem a sua mente da dor das contracções, ou para mudar o seu estado de consciência de forma a que a dor se torne apenas um elemento da experiência. Frequentemente, as mulheres hoje fazem o oposto: elas focam tanta atenção na dor, desde cedo na gravidez, durante as aulas de preparação para o parto, até ao dia do parto que acabam por se auto-programar para uma dor insuportável. Existe uma cultura inteira à volta de evitar a dor. Não apenas no parto mas em todos os aspectos da vida moderna. E muitas pessoas isolam a dor do parto como sendo de alguma forma diferente e particularmente insuportável. Perderam a visão da imagem como um todo e focam-se compulsivamente num único aspecto: o quanto o parto dói.
Qualquer pessoa que pratique exercício aeróbico, aprecie longos passeios ou jogging sabe quão fácil é tornar-se uma vítima das sensações do corpo, todas as dores e desconfortos que vêem quando fazemos coisas que puxam pelos nossos limites físicos. Se estivermos a escalar uma montanha e concentrarmos a nossa atenção no quão difícil a subida é, ou quão cansados estamos, ou quão tensos estão os nossos músculos, em como o nosso coração está a bater depressa ou a nossa falta de ar, podemos estar a massacrarmo-nos durante toda a escalada. Mas mantendo uma atitude positiva e focando a nossa atenção no prazer de estar de boa saúde e no meio da natureza fazem o esforço valer a pena. Ajuda admitirmos que o desconforto está lá, mas não nos sentirmos vítimas dele. E o propósito do parto afinal é o nascimento de uma criança".

Extraído de Suzanne Arms "Immaculate Deception II - Myth. Magic & Birth.
Tradução de Carla Guiomar

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Amamentar faz bem, também, à saúde da Mãe!

Já todos sabemos das muitas vantagens e benefícios da amamentação; a que se transcreve de seguida é mais uma, resultante de mais uma pesquisa efectuada nos EUA, para engrossar a lista de motivos que podem servir de incentivo, às mães, para amamentarem os seus filhos.
"As mulheres que amamentam os filhos reduzem as suas possibilidades de contrair diabetes, segundo as conclusões de uma investigação publicada pela revista da Associação Médica Americana.
A amamentação absorve muita energia e altera o metabolismo da mulher, estabilizando os níveis de açucar no sangue e aumentando a sensibilidade do corpo à insulina. O estudo revela ainda que quanto mais tempo amamentarem, mais reduzido será esse risco.
O trabalho foi dirigido por Alison M. Stuebe, do Hospital Brigham and Women de Boston e envolveu 157000 enfermeiras norte-americanas."

in Destak, 24-11-2005

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Episiotomia


Este é o termo técnico para o corte efectuado ao períneo no momento do parto. Muitas de nós não o conhece sequer por este nome. Muitas de nós não sabe que este procedimento é considerado um acto cirúrgico e, como tal, deveria ser autorizado por nós para ser executado. Muitas de nós nunca questionou este procedimento
À maioria de nós nunca foi esclarecida a sua (in)utilidade, as suas consequências nefastas, nem formas que temos para promover a elasticidade do períneo, com o objectivo de o manter intacto num parto vaginal.
É com o intuito de divulgar evidências ciêntificas que demonstrem a não necesssidade do uso rotineiro da episiotomia, que aqui deixamos o link para um estudo, efectuado em Portugal, na Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

www.ordemdosmedicos.pt/ie/institucional/publicacoes/ACTA/6-2003/2205%20Episiotomia.pdf

sábado, 5 de novembro de 2005

WORKSHOP

WORKSHOP
AS DOULAS NA HUMANIZAÇÃO DO PARTO EM PORTUGAL
Lisboa, 20 de Novembro, 2005

“Na sociedade contemporânea, em que o parto sofreu um processo de
industrialização, e foi reduzido em grande parte a um acto médico, urge
redescobrir a verdadeira natureza de dar à luz”
Carla Guiomar
Data e Horário:
20 de Novembro (Domingo), das 10h às 12.30 e das 14h às 17h.

Local:
Lisboa, Delegação Regional do IPJ, Rua de Moscavide, Lote 47101, Lisboa, Expo.

Temas:
O que é um parto humanizado
A necessidade urgente de humanização do parto em Portugal
As doulas: benefícios e vantagens
O corpo da mulher como máquina e como objecto
O parto fisiológico
As necessidades básicas da mulher em trabalho de parto
Controvérsias hospitalares

Destinatários:
Profissionais de saúde, grávidas, público em geral.

Nº de participantes:
35 (Admissão por ordem de chegada da inscrição)

Formadora:
Doula Luísa Condeço, Co-Fundadora da Associação Doulas de Portugal

Preço de Inscrição:
Até 11 Nov. 2005
– 50 euros
Até 17 Nov. 2005 – 70 euros
Transferência bancária p/ NIB 0036 0308 9910000299407
ou cheque à ordem de Maria Luísa Condeço

Contactos: 967624505 / 916826150

Fazer copy/paste da ficha de inscrição e enviar para: doulaluisa_c@yahoo.com

Nome:
Profissão:
Morada:

Telefone:
Móvel:
E-mail:

Motivo da inscrição:

domingo, 30 de outubro de 2005

Induções...

Hoje em dia, é proposto a muitas mulheres a indução do parto, quando o bebé não quer nascer a partir da 40ª semana... e às vezes até antes (dizendo-se que já pode nascer, já está de termo...), sem que haja qualquer situação clínica que o justifique. Muitas mães aceitam (algumas até o sugerem, de tal forma a indução está banalizada)... estão cansadas de estarem grávidas, já se sentem desconfortáveis, ansiosas por conhecerem o seu filho, e geralmente não questionam a proposta de um obstetra.

Mas o facto de se estar no final da gestação, não significa que o bebé esteja preparado para nascer... só significa que sobrevive sem problemas aparentes. Mas o que é que nós desejamos para os nossos filhos? Que simplesmente sobrevivam? Ou que nasçam no momento que lhes é mais favorável, aquele que eles próprios determinam em harmonia com o corpo da mãe?

As mulheres não são todas iguais, e os bebés não amadurecem todos no mesmo “prazo”, tal como os frutos de uma mesma árvore não amadurecem todos ao mesmo tempo.
Se o bebé ainda não nasceu não será porque ainda não está preparado para nascer? Vivemos numa sociedade cada vez mais imediatista, consumista e crente na tecnologia... e isso também se reflecte na forma como temos os nossos filhos.
Se procurarmos as respostas no conhecimento da fisiologia, sabemos que é o bebé que deve dar o sinal para iniciar o trabalho de parto. Quando os seus pulmões atingirem o auge da maturidade ele liberta hormonas que despoletam o trabalho de parto, estimulando o hipotálamo da mãe a produzir a hormona natural oxitocina, que por sua vez provoca as contracções uterinas.
Isso significa que o bebé vai nascer no momento que respeita o desenvolvimento óptimo de cada criança, escolhido por ela.

Que tipo de mensagem enviamos ao nosso filho quando não lhe deixamos que ele próprio faça aquilo para que foi biologicamente destinado? É um primeiro acto de auto-determinação que lhe é negado. “Não vais nascer quando quiseres, mas sim no dia que dava jeito à mãe ou ao médico”.
Não existe uma data fixa para o nascimento e não há razão para se pensar que um bebé tem forçosamente que nascer até às 40, às 41 ou mesmo às 42 semanas, até porque às vezes a idade gestacional não está bem definida. Deve-se considerar um período provável para o nascimento (entre as 38 e as 42 semanas após o primeiro dia do último período menstrual) e não uma “data prevista” pois isso simplesmente não existe. Ainda assim, no final de uma gestação prolongada, deve-se acompanhar com maior atenção o bem-estar do bebé, contando os movimentos, ouvindo o coração diariamente, verificando se há perdas de líquido com cor esverdeada, fazendo uma ecografia em caso de ansiedade ou dúvidas.
Se estiver tudo bem, para quê induzir? A indução tem riscos sérios e uma grande parte das induções falha resultando em cesariana ou partos vaginais complicados, instrumentalizados e muitas vezes traumáticos para mãe e filho. Quando a indução resulta é porque muito provavelmente o bebé estava para nascer nessa altura de qualquer modo. Então não valerá a pena esperar?

Num parto induzido, é administrada à mulher pitocina (oxitocina artificial) através do soro intravenoso, com o objectivo de imitar a acção da oxitocina natural. Esta hormona sintética liga-se aos receptores uterinos para a oxitocina natural, inibindo a sua produção e recepção normal. As contracções induzidas artificialmente são mais dolorosas, mais agressivas para o útero (aumentando o risco de ruptura uterina) e mais perigosas para o bebé, que pode entrar em stress mais facilmente, o que é muitas vezes sinalizado pelo CTG e lá se vai para a cesariana, com todas as desvantagens que esta grande intervenção cirúrgica acarreta para o bebé e para a mãe. Além disso a pitocina, ao contrário da oxitocina natural segregada pelo nosso hipotálamo, não atravessa a barreira cerebral da mãe e portanto não tem efeitos comportamentais ao nível do vínculo precoce mãe-bebé.
Como as contracções induzidas artificialmente são mais dolorosas e arrítmicas, a mãe sente maior necessidade de recorrer à anestesia epidural, que também acarreta um conjunto de riscos para mãe e filho, nomeadamente aumenta a probabilidade de um parto instrumentalizado e da separação precoce mãe-filho, para observação e intervenção, interferindo com o vínculo precoce e o sucesso da amamentação e potenciando também situações de depressão materna pós-parto.
No parto fisiológico, quando se deixa o nosso próprio corpo conduzir o processo, as contracções naturais são mais suaves, rítmicas e adaptam-se às necessidades do bebé. Vão crescendo gradualmente em duração e intensidade, intermediadas por intervalos de descanso. Quando não se interfere com este processo, o nosso organismo segrega juntamente com a oxitocina, outras hormonas benéficas, nomeadamente as endorfinas que atenuam a sensação de dor e suavizam o processo para mãe e filho.

Muitos partos traumáticos e cesarianas poderiam ser evitados hoje em dia, se as mulheres fossem devidamente informadas dos riscos dos procedimentos e se se responsabilizassem por fazer as suas próprias escolhas informadas e conscientes, ao invés de se demitirem dessa responsabilidade e assumirem que um profissional de obstetrícia é quem melhor pode decidir por si. Os médicos com uma postura humanista sabem que devem encorajar a mãe a tomar as suas próprias decisões, com base nos factos e nas evidências científicas, e não em conveniências pessoais e institucionais. Para contrariarmos um sistema industrializado de nascimentos, para que o nascimento em Portugal caminhe no sentido de ser uma experiência positiva, gratificante e verdadeiramente saudável e segura para cada mulher e seus filhos, nós mulheres precisamos de ter a informação e o apoio necessário nessa altura das nossas vidas e resgatarmos para nós um papel central na condução dos nossos partos.

Mais informação:
http://hencigoer.com/articles/ ver os artigos sobre Induction of labour
http://www.motherfriendly.org/Downloads/induct-fact-sheet.pdf Riscos da Indução
http://www.maternitywise.org/mw/topics/birthsetting/ Fisiologia do parto – as hormonas naturais
http://www.holistika.net/articulo.php?articulo=54019.html Violência hospitalar – o uso da pitocina

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

O Sol e a Gravidez - pesquisa

Exposição solar materna, durante o 1º trimestre está associada a alto peso, à nascença, em bebés humanos

Palavras-chave da pesquisa: peso à nascença; temperatura ambiente; gestação; factor de crescimento insulina; crescimento fetal

Abstracção/Hipótese

Foram geradas 2 hipóteses alternativas para comprovar a variação sazonal no peso à nascença de bebés humanos, em países industrializados. A 1ª, corresponde à teoria hipotética de que uma baixa temperatura ambiente durante o 2º trimestre de gestação resulta num decréscimo do peso à nascença.

A 2ª, corresponde à teoria hipotética que a exposição à luz solar durante o 1º trimestre resulta num aumento de peso à nascença.
Estas 2 hipóteses foram testadas para que se determinasse qual, ou se nenhuma, comprovava a existência de uma variação sazonal no peso à nascença em bebés de termo. Dados relativos ao peso à nascença, recolhidos num período de 5 anos, foram analisados em função de intensidade de exposição à luz solar (elevada ou diminuta) e temperatura ambiente. Apesar de não se registar nenhum efeito da temperatura ambiente, no peso à nascença, durante nenhum dos trimestres, bebés cujas mães tiveram uma intensa (elevada) exposição à luz solar, durante o 1º trimestre, nasceram significativamente mais pesados do que bebés cujas mães tiveram uma fraca (diminuta) exposição à luz solar, durante o mesmo período (1º trimestre). Para além destes dados verificou-se ainda que, bebés cujas mães em que a exposição à luz solar se registou nos níveis mais baixos, durante o 2º e 3º trimestres, nasceram significativamente mais pesados, do que bebés cujas mães em que a exposição à luz solar foi de nível mais elevado, durante o mesmo período (2º e 3º trimestre).
A conclusão expressa a hipótese de que elevados níveis de luz solar durante o ínicio da gestação podem aumentar o nível do factor de crescimento como insulina (IGF)-1, facilitando o crescimento pré-natal.

Fonte: Karen Tustin, Julien Gross, Harlene Hayne - Psychology Department, University of Otago, Dunedin, New Zealand
© 2004 Wiley Periodicals, Inc. Dev Psychobiol 45: 221-230, 2004

Traduzido e adaptado por Sónia Sousa

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Epidurais reduzem a dor mas podem aumentar o uso de fórceps

Public release date: 19-Oct-2005
Contact: Amy Molnar amolnar@wiley.com

The Cochrane Library newsletter,2005, Issue 4 – The best single source of reliable evidence about effects of health care

O alívio da dor é um assunto importante para mulheres em trabalho de parto, e as epidurais são cada vez mais frequentes.
Estas reduzem a dor mas aumentam a probabilidade de um parto instrumentalizado. Actualmente existe uma lacuna de evidências que comprovem que as epidurais aumentem o risco de ocorrência de cesarianas, no entanto, mulheres a quem seja administrada epidural têm um segundo estádio de trabalho de parto mais longo, comparado com aquelas que foram sujeitas a outras formas de alívio da dor.

As epidurais, introduzidas em 1946, são agora usadas por 1/5 das mulheres do Reino Unido e por metade das mulheres nos EUA, durante o trabalho de parto. Numa analgesia epidural, agentes anestésicos são injectados na região baixa da coluna. Este processo bloqueia a actividade nervosa e transmite estímulos indolores do canal de parto para o cérebro, o que resulta no alívio da dor.

Uma revisão sistemática da literatura incluindo 21 estudos de analgesia epidural no trabalho de parto, envolvendo 6664 mulheres. The Cochrane Reviews Authors tiraram várias conclusões a partir destes dados.

Comparativamente com mulheres que usaram outras formas de alívio da dor, mulheres sujeitas a epidural têm maior alívio da dor, segundo estádio de trabalho de parto mais longo, aumento da probabilidade de partos instrumentalizados, e aumento da probabilidade de ter febre durante o trabalho de parto.

Encontrou-se alguma falta de evidências que as epidurais afectassem os recém-nascidos, aumentassem a probabilidade de partos por cesariana, aumentassem a probabilidade de dores nas costas a longo termo, e afectassem a satisfação materna.

“As evidências nesta revisão têm que ser disponibilizadas a mulheres que considerem a hipótese de alívio da dor em trabalho de parto,” diz o autor principal Millicent Anim-Somuah, Investigador Honorário na School of Reproductive and Development Medicine, no Liverpool Women’s Hospital NHS Trust, Liverpool, Reino Unido.

Review title: Anim-Somuah M et al. Epidural versus non-epidural ornoanalgesia in labour.The Cochrane Database of Systematic Reviews 2005, Issue 4.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Relação entre Amamentação e Alergias.

Actualização efectuada à pesquisa com o tema: Relação entre o Prolongamento da amamentação e redução das dermatites atópicas e asma – 30 de Agosto 2005.

Pesquisas na Alemanha sugerem que, quanto maior for o período de amamentação menor é o risco de alergias na primeira infância, sobretudo em crianças cujas mães não têm um histórico familiar. A mesma pesquisa propõe mecanismos que podem explicar esse efeito protector.

Foi medida a concentração do solúvel CD14 - que desempenha um papel importante na imunidade inata - no leite de 803 mães, durante 6 meses após o parto. A incidência de dermatites atópicas e asma foi registada durante os 2 anos seguintes.

Verificou-se que, a incidência mais baixa de dermatites em crianças ocorreu naquelas que foram amamentadas entre 6 a 9 meses e, cujas mães não apresentavam qualquer histórico de doenças atópicas. Também se observou uma associação inversa entre a duração do período de amamentação e o risco de asma (P=0.01) - ou seja, quanto maior o período de amamentação, menor o risco de vir a sofrer de asma.
O efeito protector da amamentação era sinergético (efeito resultante de) com concentrações do solúvel CD14 no leite materno.

Tothenbacher D et al (2005), Breastfeeding, soluble CD14 concentration in breast milk and risk of atopic dermatitis and asthma in early childhood: birth cohort study._Clin Exp Allergy_35:1014-21.

Esta é uma actualização da UNICEF UK Baby Friendly Iniciative.

Fonte: UNICEF UK Baby Friendly Iniciative http://www.unicefcomms.org.uk
Texto traduzido e adaptado por Sónia Sousa

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Exercícios vs. dor no parto (pesquisa)

Segundo artigo divulgado pela Agência FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), as mulheres que fazem exercício com regularidade estão mais preparadas para enfrentar as dores do parto. Os benefícios estendem-se também às sedentárias que praticam actividades físicas, de intensidade moderada, durante a gravidez, mais concretamente a hidroginástica.

A tese é da fisioterapeuta Erica Passos Baciuk, em doutoramento apresentado no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Na literatura médica sempre existiu a dúvida quanto às vantagens de se iniciar uma atividade física no meio da gestação”, disse a pesquisadora à Agência FAPESP.

Para verificar a hipótese, Erica propôs que 78 mulheres que não praticavam exercícios há pelo menos oito meses se dividissem em dois grupos. Um deles passaria a frequentar aulas de hidroginástica três vezes por semana enquanto as mulheres do segundo grupo permaneceriam sem se exercitar.
Atendidas pelo serviço pré-natal do Hospital Universitário da Unicamp, as voluntárias deveriam estar grávidas de apenas um bebé e ter gestação de baixo risco. Todas elas passaram por avaliações físicas “ na 20ª semana de gestação, na 25ª e e na 35ª “ para que fossem testadas as suas capacidades cardiovasculares e as dos seus bebés.

De acordo com a pesquisadora, a prática de exercícios não interferiu no tipo de parto ou na duração dele e, sim, na capacidade de a mulher se sentir mais disposta no final da gestação, suportando melhor a dor das contracções até o nascimento do bebé.
“As mulheres que fizeram hidroginástica e tiveram parto normal solicitaram menos analgésicos do que aquelas que não se exercitaram”, conta a fisioterapeuta. Ela conseguiu acompanhar o nascimento dos bebés de 70 mulheres. Entre aquelas que deram à luz de parto normal, 27% das praticantes de ginástica pediram analgésico contra 65% das sedentárias.
De acordo com a pesquisadora, mesmo evoluindo para cesárea “ em casos onde houve riscos para mãe ou para o bebê “ o parto das mulheres que se exercitaram foi mais tranqüilo.

O trabalho de Erica Passos Baciuk fez parte de um estudo colectivo sobre gravidez e exercícios, desenvolvido no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp, que engloba outras quatro pesquisas de mestrado e doutoramento. Os resultados serão apresentados durante o 26º Congresso Brasileiro de Fisioterapia, de 5 a 10 de outubro, em São Paulo.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data%5bid_materia_boletim%5d=4423, por Karin Fusaro, em 03/10/2005 - adaptado por Sónia Sousa

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Entrevista com Sheila Kitzinger - A mulher que conseguiu pôr o nascimento na lista de prioridades dos políticos britânicos

Deixamos aqui o excerto de uma esclarecedora entrevista com Sheila Kitzinger.

QUEM É :
Professora de enfermeiras obstetras, Sheila Kitzinger , 75 anos, corre mundo a falar da experiência do parto. Filha de uma parteira – que criou uma das primeiras clínicas de planeamento familiar, no Reino Unido –, percebeu, quando entrou para a faculdade, em Oxford, que toda a antropologia social andava à volta de visões masculinas.

CONDECORAÇÕES :
Agraciada com a Ordem do Império Britânico, pelos seus serviços à educação sobre o parto.

LIVROS :
Mais de 20. Três – Mães, A Experiência do Parto e Um Estudo Antropológico da Maternidade – estão disponíveis em português.
Visão: O que fez para ser considerada a «mãe do parto», no Reino Unido?

SHEILA KITZINGER: No passado, o nascimento era considerado uma acto pessoal e biológico, tão antigo que não havia nada para dizer sobre ele. Eu fui a primeira pessoa a falar do parto como uma experiência. Não importa apenas se a mulher e o bebé estão vivos e de boa saúde, mas também como foi a experiência para a mãe. Isso tem implicações na forma como vai encarar a maternidade, a sua relação com o bebé e com o pai. Comecei a falar disto há 40 anos.
V.: Como é que o trabalho de uma parteira é mais seguro do que o de um obstetra?

S.K.:
As parteiras são especialistas em partos normais. Os obstetras, em partos anormais. Quando se trata o parto normal como se fosse anormal, acaba por se fazer dele anormal: intervém-se, administram-se drogas, estimula-se o útero para uma actividade artificial. E isso é perigoso.

V.: Que perigos têm essas intervenções médicas?

S.K.: Quando se estimula o útero de forma desnecessária, pode-se bloquear o fluxo sanguíneo na placenta, o que reduz o sangue oxigenado para o bebé. Além disso, as contracções são muito dolorosas e as mulheres não as conseguem controlar com relaxamento e respiração. Acabam por precisar de drogas contra a dor. Com essas drogas vêm outros efeitos secundários. É um ciclo. Uma intervenção leva a outra e acaba-se com um parto medicamente assistido.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

A melhor opção é a informação - Casas de Parto no Brasil

Donas do próprio parto

Elas pertencem às classes média e média alta, têm nível superior e plano de saúde. Mas, para terem os seus bebés, preferem recorrer a casas de parto do Sistema Único de Saúde, do que optar pela megaestrutura oferecida pelos hospitais privados. Ter a hipótese real de um parto humanizado, fugir de uma cesariana, acreditar que o nascimento é um acto fisiológico e não médico e desejar suporte emocional e não apenas tecnológico. Esses são alguns dos motivos enunciados por mulheres que, acima de tudo, alegam querer ser "donas" de seus próprios partos.
Todas têm em comum a intenção de evitar as sucessivas intervenções médicas que fazem parte das rotinas hospitalares e seus procedimentos - padrão - que vão desde a raspagem dos pêlos púbicos (tricotomia) ao corte e à sutura no períneo (episiotomia), passando por lavagens intestinais, rompimento induzido da bolsa de águas (amniotomia) e uso de ocitocina para acelerar o nascimento.
Hoje, há no país 14 casas de parto (ou Centros de Parto Normal, como são chamadas na portaria do Ministério da Saúde que as criou, em 1999). Todas fazem parte do sistema de saúde pública.
"A mulher está mais informada e percebeu que a melhor maneira de ter seu bebê é com o mínimo de intervenção. Como o serviço privado ainda não tem essa alternativa para oferecer, ela está migrando para a rede pública", observa o ginecologista, obstetra e pesquisador na área de saúde da mulher, Marcos Dias. "A sociedade começou a responder por estar se sentindo enganada. As gestantes combinam com seus médicos que querem o parto normal e, na última hora, escutam uma desculpa para a cesárea. Médicos não querem esperar, e casas de parto são feitas para isso", completa Francisco Vilella, homeopata, ginecologista e obstetra.

Três dias antes do nascimento de Raphael, a chefe Marina Campliglia, 30, ouviu da médica que a acompanhava "que o bebê era muito grande e havia uma incompatibilidade entre o tamanho da cabeça dele e o da pelve dela". "Estava na 41ª semana e sabia que seria provavelmente a minha última consulta. Saí chorando. Três dias depois, as contrações vieram. Virei para o meu marido e disse: "Vou para a casa de parto agora.'"
Marina não hesitou em percorrer, os 40 minutos correspondentes à distância entre a sua casa, em Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, e a Casa de Parto de Sapopemba, na periferia da zona leste. "Desci do carro, e a bolsa estourou. Raphael nasceu comigo, com o pai e com a parteira. Sem anestesia, sem nada. Dez horas depois, peguei minhas coisas e voltei para casa, sem passar por mil médicos. Foi perfeito."
Grávida de sete meses, a escritora Micheliny Verunschk, 33, única mulher finalista na última edição do prémio literário Portugal Telecom, está dividida entre ter a filha Nina numa casa de parto ou em sua própria casa.
"Como leiga e mãe de primeira viagem, tinha certeza de que estaria mais segura se tivesse o bebê numa maternidade. Até que a médica me falou que se sentira "ofendida" por primas que optaram por partos na água e em casas de parto. Aquilo acendeu luzes de alerta em mim", lembra. Tomada pela dúvida, dedicou-se a pesquisar. "Fui ler, buscar informações na internet e conversar com outras mulheres. Comecei a notar que a cesárea continua a ser o procedimento médico mais cômodo."
A escritora, que ressalta que nunca seguiu "a linha natureba", diz ter começado a questionar os hospitais. "Descobri que [nos hospitais] procedimentos contra-indicados pela OMS para partos normais, como a tricotomia e a episiotomia, são rotina. Não quero parir em um hospital, a menos que seja necessário. Acho que meu lado "bicho" despertou."
A distância da sua casa até à casa de parto é o empecilho de peso. "Talvez por isso decida ter em casa. Veja bem, quantas vezes você ouviu falar de infecção domiciliar? Já de infecção hospital, eu ouvi inúmeras histórias."
Um estudo publicado pelo "British Medical Journal" acompanhou 5.418 nascimentos domiciliares monitorados por parteiras nos EUA. A conclusão foi que, para mães saudáveis, as chances de um parto seguro são as mesmas em um hospital ou em casa. Do total de grávidas acompanhadas, 87% pariram sem necessidade de intervenção médica. Só 3,4% das parturientes foram transferidas para hospitais; 4,7% utilizaram anestesia; 2,1% fizeram episiotomia, 1% precisou de fórceps. A pesquisa demonstra ainda que as percentagens de intervenção são mais baixas do que as de partos em hospitais.

POLÉMICA
Criadas há seis anos, as casas de parto tornaram-se o centro de um fogo cruzado entre as categorias de profissionais de saúde. Isso porque o texto da portaria que as oficializou permite que elas funcionem sem que seja obrigatória a supervisão de um médico, podendo ser geridas por enfermeiras-obstetras.
Referidas, como sendo "pouco seguras", por instituições como a Febrasa (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) enfrentam severas críticas. Criadas para atender gestantes de baixo risco, não contam com centros cirúrgicos.

"Esses lugares não oferecem segurança absoluta à gestante. Não posso concordar que o nascimento de uma criança não conte com a presença de um neonatologista ou que a mãe não tenha um anestesista para aliviar sua dor. É um retrocesso", avalia Luiz Camano, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e presidente da Comissão de Assistência ao Parto da Febrasgo.
Em 2004, quando foi inaugurada a casa de parto de Realengo, no Rio de Janeiro, o Conselho Regional de Medicina entrou com uma ação judicial para impedir o funcionamento da unidade.
"Até hoje vivemos numa briga sem fim com eles", comenta a enfermeira-obstetra Leila Gomes Ferreira de Azevedo, coordenadora da casa que, até a última quinta-feira, já tinha realizado 352 partos. "A média atual é de 36 por mês, mas queremos chegar a 80", afirma.
A casa de parto de Realengo atende moradoras do bairro e de algumas regiões do vizinho distrito de Bangu e oferece um serviço de pré-natal que inclui práticas desde a respiração a orientações de cuidados com o bebê. As mães que têm seus filhos ali ficam em quartos com cama de casal, com o bebê e o companheiro.
Tudo isso encantou a pedagoga Malila Barros Wrigg, 24, que, como morava na região assistida pela unidade, decidiu, já no quinto mês de gravidez, deixar para trás o obstetra que a acompanhava desde a adolescência e, com ele, todos os hospitais catalogados por seu plano de saúde, para dar à luz em Realengo.
"Quando disse que queria ter o bebê numa casa de parto, enfrentei muita resistência da minha família. Mas meu marido me apoiou, e me envolvi totalmente com as palestras e as oficinas do pré-natal. Em nenhum outro lugar aprenderia tanto quanto aprendi ali", enfatiza.
Porém, na primeira hora do dia 18 de Dezembro de 2004, a bolsa de Malila rompeu seguida de um grande sangramento. A hemorragia a tirou do protocolo de gestante de baixo risco. Tratava-se de um descolamento prematuro de placenta, e ela foi transferida para uma maternidade pública no bairro vizinho.
O parto de Clara, hoje com oito meses, teve uma série de complicações. Depois de uma cesariana de urgência, a criança nasceu com morte aparente. "Foi frustrante, mas, naquela situação, ouvindo o coração da minha filha quase parar, a possibilidade de cirurgia apareceu como uma solução", lembra Malila, que continua defendendo as casas de parto, desde que sejam anexas a hospitais.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, somando o volume de partos realizados nas casas de Belo Horizonte, Juiz de Fora e do Rio de Janeiro entre 2001 e 2004 chega-se a um total de 4.838. Houve seis óbitos neonatais. Nenhum óbito materno ocorreu. "A casa de parto é totalmente segura para as gestantes saudáveis", reforça o obstetra Marcos Dias. "O conceito de gravidez de baixo risco é ultrapassado. Uma gestante de baixo risco se converte numa parturiente de alto risco inesperadamente", rebate Luiz Camano.

ALTERNATIVA AO HOSPITAL
Enquanto as mães reivindicam o protagonismo dos partos, as doulas - versão moderna de parteira, conselheira e incentivadora do parto normal- actuam como coadjuvantes de peso. "A classe médica ficou desatualizada sobre como conduzir nascimentos. O parto, como a vida, tem riscos. Mas isso não justifica a hospitalização desnecessária", observa a doula Maria de Lourdes Teixeira, a Fadynha.
Entre as várias discussões possíveis, o facto é que as mulheres estão a reavaliar como devem parir as suas crianças. É o caso da arquitecta Carla Demattio, 34, que vive o processo de escolher onde vai ter o seu bebé e está a considerar a Casa de Parto de Sapopemba uma das suas opções. "Acho que seria uma saída para fugir das rotinas dos hospitais", explica.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0610200504.htm
Onde encontrar
Belo Horizonte (MG)
Centro de Parto Normal do Hospital Sofia Feldman
Rua Antonio Bandeira, 1.060, Tupi
www.casasdeparto.com.br/casasdeparto/sofiafeldman.asp

Brasília (DF)
Casa de Parto de São Sebastião
Unidade Mista de Saúde, Centro de Múltiplas Atividades, conjunto 10, centro, São Sebastião

Fortaleza (CE)
Centro de Parto Normal do Hospital Distrital Gonzaga Mota de Messejana
av. Washington Soares, 7.700, Messejana
Itapecerica da Serra (SP)
Centro de Parto Normal do Hospital Geral de Itapecerica da Serra
Av. Guacy Fernandes Domingues, 200, Itapecerica da Serra

Juiz de Fora (MG)
Casa de Parto de Juiz de Fora
Rua Benjamin Constant, 790, centro
Rio de Janeiro (RJ)
Casa de Parto David Capistrano Filho
Av. Pontalina, s/n, Realengo
www.casadeparto.kit.net

São Paulo (SP)
Casa de Parto de Sapopemba
rua São José das Espinharas, 400, Sapopemba
Casa de Maria
rua Salvador Balbino Matos, 400-A, Itaim Paulista

Sites:
www.partonatural.com.br
www.amigasdoparto.com.br
www.partohumanizado.com.br
www.doulas.com.br
www.doulas.org.br
www.casasdeparto.com.br
www.maternidadeativa.com.br
www.partohumanizado.blogger.com.br
www.xoepisio.blogger.com.br
www.partoemcasa.weblogger.terra.com.br
www.birthdiaries.com/
www.maternitywise.org
www.socalbirth.org
www.waterbirth.org
www.homebirth.org.uk/
www.childbirth.org/
www.victoriousbirth.com/
www.unassistedchildbirth.com/
www.activebirthcenter.com/
www.gentlebirth.org/

Tire suas dúvidas
O que é uma casa de parto?
Os CPN (Centros de Parto Normal) foram criados pelo Ministério da Saúde em 1999 e são definidos na portaria 985 como "unidade de saúde que presta atendimento humanizado e de qualidade exclusivamente ao parto normal sem distócias"

Toda mulher pode ter seu bebê em uma casa de parto?
Não. Apenas aquelas cuja gravidez é de baixo risco, ou seja, sem nenhum problema e com tempo igual ou superior a 37 semanas. Algumas casas de parto -como a de Realengo, no Rio de Janeiro- restringem seu atendimento a moradoras da vizinhança

Quem não pode dar à luz numa casa de parto?
Gestantes hipertensas, diabéticas, cardiopatas ou que apresentam algum quadro patológico; grávidas que entram em trabalho de parto com tempo gestacional inferior a 37 semanas; grávidas de gêmeos; gestantes que já tiveram um parto cesárea

A casa de parto tem médicos?
Não necessariamente. De acordo com a portaria que os criou, os Centros de Parto Normal podem ser dirigidos por enfermeiras-obstetras. Alguns, como o de Brasília, têm médicos em seus quadros, mas não é obrigatório

Há equipamentos para socorrer o bebê?
Sim. Os centros dispõem de equipamentos para reanimação do bebê e monitoramento dos batimentos cardíacos e do líquido amniótico durante o trabalho de parto, além de incubadora móvel para o caso de a transferência da criança a um hospital

Como é o parto?
A mãe é estimulada a protagonizar o nascimento do bebê. Durante o trabalho de parto ela pode comer, ingerir líqüidos, andar, tomar um ducha ou ficar dentro d'água numa banheira, ficar de cócoras ou na posição que lhe for mais conveniente

O que a casa de parto não faz?
Parto cesárea, tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos), lavagem intestinal, aplicação de anestesia, corte do períneo. O uso de ocitocina (substância que acelera o trabalho de parto) e a perfuração da bolsa podem ocorrer, mas não são rotina.

Pode dar errado?
Pode. Em caso de complicação durante o trabalho de parto, a mulher é transferida a um hospital público que atua em parceria com a casa de parto. Ela não pode escolher para qual hospital quer ser levada. Todos os centros têm ambulância.

Quando há transferência para um hospital?
Em casos de descolamento prematuro de placenta, sangramento, pressão alta da parturiente durante o trabalho de parto, presença de mecônio (fezes do feto) no líquido amniótico, bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos) ou sofrimento fetal.

Como é alojamento?
Em algumas casas de parto, é conjunto -as mães ficam juntas em quartos coletivos. Em outras, como a do Rio de Janeiro, a mãe fica em quarto com cama de casal junto com o bebê e o acompanhante. Os bebês sempre ficam na companhia da mãe.
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Fontes: casas de parto, mães, médicos e enfermeiros

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq0610200506.htm

De TATIANA DINIZ - DA REPORTAGEM LOCAL, em Folha SP (06.10.05) - adaptado por Sónia Sousa

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Cesariana Eleva Risco de Cárie em Bebés


29 de agosto, 2005 - 12h58 GMT (09h58 Brasília)

Cesariana eleva risco de cárie em bebés, diz pesquisa

Crianças que nascem por meio de cesariana correm mais risco de ter cáries no futuro, segundo cientistas americanos.

Uma pesquisa feita na Universidade de Nova York analisou os históricos de 156 bebés e concluiu que os que nasceram por cesariana foram infectados com uma bactéria que causa cáries um ano antes que os que vieram ao mundo por parto normal.
Isso porque eles estavam mais expostos a bactérias durante o parto, afirmam os cientistas.
Em artigo publicado na revista académica Journal of Dental Research, os autores do estudo admitem, porém, que factores sociais também influenciam a proporção da incidência de cáries nos dois grupos.

Streptococcus mutans
Em média, os 29 bebés do grupo analisado que haviam nascido por cesariana mostraram os primeiros sinais de presença da bactéria streptococcus mutans 17 meses depois de verem a luz.
Entre os 127 que nasceram por parto normal, as bactérias começaram a se manifestar 29 meses após o parto.
A streptococcus mutans cresce na superfície dos dentes e logo acima da linha da gengiva, onde trabalha na transformação de alimentos em ácidos.
Ela é transmitida aos bebés principalmente pelas mães, por causa do contacto íntimo que possuem.
Estudos anteriores haviam estabelecido que, quanto antes se desenvolve a bactéria, é maior a incidência de cáries nas crianças.

Resistência

“Crianças que nascem pela vagina oferecem um ambiente menos hospitaleiro às bactérias orais”, disse o chefe dos cientistas, Yihong Li.
“Elas desenvolvem mais resistência a estas bactérias no primeiro ano de vida, em parte por causa da exposição a uma maior variedade e intensidade de bactérias de suas mães no ambiente que cerca o nascimento.”
“As crianças que nascem em cesarianas expõem-se menos a bactérias ao nascer, e por isso desenvolvem menos resistência.”
Por outro lado, ele admitiu que as mães que deram à luz por cesariana e fizeram parte do estudo tinham uma incidência maior de cáries, maior histórico de doenças venéreas e rendimentos mais baixa, o que pode ter contribuído para os resultados da pesquisa.
Artigo retirado de BBCBrasil.com

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Um ano cheio!

O blog Doulas de Portugal faz hoje um ano!
Há um ano atrás éramos duas mulheres com um grande sonho. Regressadas de Londres, com as palavras de apoio de Liliana Lammers e Michel Odent, queríamos plantar uma semente de mudança num país.Foi com este blog que começámos a passar a palavra. Ao longo deste ano démos a conhecer o papel da doula na humanização do parto, divulgámos evidências científicas sobre cuidados perinatais e partilhámos o nosso grande amor pela causa da dignificação do parto e nascimento em Portugal. Surgiram os convites para entrevistas e conferências, as doulas surgiram na imprensa e na televisão portuguesa. Conhecemos outras pessoas que também já tinham escrita esta missão nos seus corações. Hoje somos muitas mais, criámos uma Associação sem fins lucrativos, organizámos acções de formação, existem doulas a prestar apoio às famílias um pouco por todo o país. Mães de todos os lados agradecem a dedicação e apoio das doulas e reconhecem a importância do seu acompanhamento. Nasceu um movimento humano que não pode mais ser parado.
A todos quantos se têm juntado a nós, e também aos que nos têm dado a oportunidade de divulgar o nosso trabalho, o nosso muito obrigado.A semente germinou, o sonho é agora um projecto de trabalho bem real, com mudanças já visiveis a cada bebé que nasce de uma forma mais saudável, mais pacífica e com ele nasce uma mãe mais forte, segura e feliz.
Juntos temos uma enorme missão pela frente.
Que seja reconhecida a importância e profundo significado do parto e que a mulher seja respeitada como sua verdadeira protagonista. Que melhore a forma como nos tratamos uns aos outros no precioso momento do ínicio da vida. Pois é aí que nasce a esperança de um mundo melhor.

Como disse Michel Odent: "Para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer".