domingo, 14 de novembro de 2004

A vida que está dentro do tempo em que (realmente) vivemos

Vou finalmente corresponder ao simpático convite.

Fui pai tardio, tinha 38 anos. O que tem consequências complicadas, não irei sair com o meu filho como tantas vezes, aos vinte anos, imaginei, tem outras, benignas, como a da própria experiência nos encaminhar para uma valorização natural de todos os momentos que rodeiam o nascimento de um filho.
Comecei a ser pai numa noite de Santo António em que a mãe do meu filho me ofereceu um manjerico em cujo verso estava escrita a notícia feliz, mas só um mês e pouco mais tarde, na primeira ecografia vaginal, ouvi pela primeira vez o bater do coração do meu filho.
Começou aí um percurso que me levou a diferentes sessões de preparação para o parto, que muitas vezes amigos me diziam ser um excesso porque nada disso era preciso, que os filhos sempre tiveram sem nada dessas modernices, que era só uma forma de gastar tempo e dinheiro.
É certo que toda a Natureza nos acompanha e nos ajuda no nascimento de uma criança. Vai-nos moldando o corpo, adaptando o espirito, leva-nos pela mão até ao grande momento. Não menos certo: valorizar a preparação e o acompanhamento do período pré-parto é não só, ao contrário do que à primeira vista muitas vezes pode parecer, uma desdramatização do momento do nascimento, e consequentemente da tensão que ele pode induzir, como é permitirmo-nos crescer enquanto pessoas. Só não digo que os sete meses de preparação para o nascimento do meu filho foram o tempo mais importante da minha vida porque quando se tem um filho em idade de crescer esse tempo está sempre por vir, mas foram seguramente o tempo onde eu aprendi a viver de uma forma que eu não conhecia. Que eu interiorizei o que é a vida de um modo que nunca me tinha sido revelado. Ainda hoje sinto em algumas reacções dele consequências dos longos tempos em que ouvimos música, poesia, que lhe toquei.
E a riqueza desse tempo chega-nos mais facilmente quando o partilhamos. É um tempo de um excesso de turbulência na comunicação. Abundam os inputs mágicos e não imediatamente decifráveis, nomeadamente os sinais que nos chegam do corpo do bébé, é também prolixa a nossa necessidade de falar àcerca daquilo que sentimos. É para mim positivo tudo o que reforce a nossa atenção para esse momento muito especial em que nos damos a uma das nossas funções vitais, aquela em que, sem o percebermos, voltamos a participar, e agora de uma forma activa, responsável, no mistério da vida que nos trouxe.

E isto é um pai a falar, claro, alguém que não tem senão a sua própria experiência para o guiar neste mundo delicioso do nascimento.

10 comentários:

MQF disse...

É bonito ver-te escrever "a mãe do meu filho". (sorriso suave suave)

ni disse...

E truca... lá fiquei eu com as lágrimas nos olhos a ler isto...
Beijinhos e abraços
Lia

eu disse...

Um bjnho grande.
Não sabia k tbm há doulas homens... ou doulos.
Obrigada por este bocadinho de ternura.

Jose disse...

Olá...
É a primeira fez que visito este site.
É curioso que já há uns tempos que vejo e reparo na doula que tem um filho com o meu nome, e há uns tempos que fico em sentido cada vez que ela o chama.
O nunca imaginei foi que se dedicasse a algo tão bonito e essencial! Assisti à entrevista para a Xis ainda sem saber de nada. No outro dia li o artigo e fiquei embasbacado! É um mundo que faz tanto sentido...
É bonito ver um homem abrir o peito desta forma...
Poder dar à luz é um Privilégio... aí é que está!

mfc disse...

Também fui pai de duas... aos trinta e tal anos!
Eram a 3ª e a 4ª...
E foi muito bonito.

doula disse...

Olá José! Obrigada pelas tuas palavras e já agora, as minhas desculpas se te ponho em sentido quando chamo pelo meu Zé.... os disparates sucedem-se com ele! Um beijinho.

Sarah, Crazygirl disse...

Bem, na minha familia e nas pessoas relacionadas com minha familia, tem situações mistas! Eu sou filha única, tenho 21 anos (feitos a 1 de Julho) e meu pai tinha 34 anos qdo eu nasci, minha mãe estava com 31 anos e 10 meses (fez atualmente 53 no começo de Setembro). E meu pai, apesar de já ter 55 anos, tem seus pais vivos, minha vó tem 80 e meu avô 83 anos acabadissimos de fazer -minha ´vó faz 81 no começo de 2007- e minha mãe só tem a mãe dela viva, com 79 anos, pois meu avô morreu com 78 anos (há mais de 3 anos, ele hj teria 81, feitos 15 dias depois de meu niver de 21 anos). E meu avô paterno ainda tem 2 irmãos vivos, um mais novo com 78 anos feitos há mto pco tempo e uma irmã mais velha q fez 85 há 3 semanas. O cunhado de meu avô ainda é vivo, tem 82 anos (e é padrinho de meu pai), ele e minha tia avó mais velha tiveram o filho primogênito qdo ele tinha uns 21 anos, pois eles foram forçados a se casar, pois ela já estava grávida. e esse primo de meu pai -q tem 2 filhas de cada casamento: a mais velha vai fazer 36 anos e a mais nova 24- tem 2 irmãos mais novos, uma de 59 anos feitos há pco tempo -e com um único filho q acabou de fazer 32 anos- e um irmão de 54, q tem uma filha unica de 26. Agora, como acabei de falar, esse primo de meu pai já tinha 37 anos qdo teve a segunda filha, mas é um segundo casamento, pois a meia irmã mais velha dela já tinha uns 11, 12 anos qdo ela era nenenzinha. Mas por acaso, o meu bisavô, avô paterno de meu pai, pai de meu avô e de meus tios avós q referi, morreu qdo eu tinha 3 anos, estava a 2 meses de completar 4, ele faleceu com 94 (faria 95 nesse ano se continuasse vivo) eu não lembro dele direito, mas meus primos mais velhos, bisnetos deles se lembraram. Isso pra dizer q não se pode considerar q quem nasça qdo os pais já passaram dos 30, já estejam velhos, pois ainda eventualmente ainda pode sobrar um avô ou uma avó do pai ou da mãe. Minha bisavó, mãe da minha avó de 79 anos, morreu aos 92 anos, no começo da decada de 90, qdo eu tinha 6 pra 7 anos.

Sarah, "Crazygirl" disse...

Ah, e tmb o meu tio avô por afinidade, de 82 anos - de qual meu pai é afilhado - tinha um (unico) irmão mais velho q teria 85 anos se fosse vivo -morreu com setenta e muitos, de problemas cardiacos, mas os pais deles, q eram avós paternos dos primos de meu pai e meu pai chegou a conhece-los e teve mó contato com eles, esses sogros de minha tia avó, ele morreu com 86 e meio, tinha acabado de nascer a 3ªa neta de meus tios avós, a q tem agora 26 anos e é filha do primo de 54 anos, do meu pai, e ela morreu já eu tinha 4 semanas de vida, em 85, nas vésperas de completar 90 anos, portanto eles conheceram bastantes bisnetos- esse cunhado da irmã mais velha de meu avô paterno teve 5 filhos, o mais velho com 59 anos, outra q vem a seguir tem quase 57 anos, um 3º hj com 50, uma q tem uns 44 ou 45 e o caçula q tem 37/38 anos e esse homem teve esses filhos todos com essas distancias com a mesma mulher - q hoje é viva ainda, tem 83 anos e tá internada num otimo lar de idosos, identico ao q faleceu meu bisavô aos 94 anos- e olha só q os ultimos filhos eles já tiveram em idades mais avançadas, o ultimo então, q ainda nem 40 anos tem, já os pais estavam com mais de 45 anos, ai sim foram mesmo pais tardios, e criaram seus filhos todos na casa dos avós paternos deles (q por acaso tmb eram sogros da irmã mais velha do pai de meu pai). E o neto mais velho é uns 5/6 anos mais novo q o tio caçula! E td isso rolou aki no Brasil.

Toda groxxa disse...

Pai tardio? Hj em dia, as pessoas têm os primeiros filhos por volta dos 28, 30 anos, mas tmb há kem se case e tenha filhos na faixa dos 22 a 24 anos, como antigamente. Tmb serão pais jovens, com 23 ou 24 anos ñ é assim tmb pai/mãe muito jovem, mas são pais jovens. Pais muito, muito jovens seriam ai com 18, 19 anos aproximadamente ou idades assim do género ou apromximadas. O meu tio avô de 70 anos tem 4 filhos, 2 do primeiro casamento e 2 do segundo. E do 1º do primeiro casamento até ao mais novo do segundo vão cerca de 20 anos de diferença, o mais novo acaba de fazer 24 anos agora em Abril (eu fiz 22 em Fevereiro).

Sarah, Crazygirl disse...

Mas realmente esse texto é lindo! Agora, atualmente, a sobrinha-neta mais velha do meu avô paterno está grávida atualmente, vai ter a criança mais ou menos fim de Julho/inicio de Agosto, agora aos 36 anos, com o mesmo cara com kem vive junta há quase 10 anos, a outra filha tem 7 anos (ah, e tmb o único filho da prima de meu pai, k tem 59 anos, e é irmã do k tem 61 anos e o de 54, o filho dela tem um filhinho com quase 4 anos). Minha tia avó e o padrinho de meu pai, estão radiantes por serem bisavós pela 3ª vez, qdo a criança nascer, minha tia avó continuará com 85 anos, o padrinho de meu pai terá 83, e o primo de meu pai, avô materno da criança, 62 anos e avô pela 2ª vez depois de mais de 7 anos.
E também, o irmão caçula de meu avô paterno tem 78 anos, 2 filhos um homem de 51 e uma mulher k fez 49 anos há pco tempo. Essa tem uma única filha q ainda agora teve 18 anos (ainda tá basicamente na faixa), ela fez 19 anos nos 1ºs dias de Maio deste ano 2007. O primo direito de meu pai, filho mais velho de meu tio avô de 78 anos, tem 51 anos e aos 27 anos teve o filho mais velho do primeiro casamento, k tem hj 23 anos. Ele se casou pela segunda vez há uns 12 anos atrás aproximadamente, e teve um filho k tem 11 anos hj, daí ele também foi pai com 40 anos. Agora, a segunda mulher dele, mãe desse menino, tem menos 4 anos e meio ou 5 mais nova q ele, e por sua vez também tem um filho de uma relação anterior, q tem 18 anos, e q, com o nosso primo de 23 anos, os 2 têm em comum esse meio irmão de 11 anos.