domingo, 23 de janeiro de 2005

Episiotomia

Exertos retirados do Estudo Médico feito em Portugal por Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa em Lisboa, Dezembro de 2003

“A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
(...)
A episiotomia, um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns em obstetrícia é, no entanto, um dos únicos que é realizado sem qualquer consentimento específico da doente. Foi introduzido há mais de 250 anos na prática clínica, sem uma evidência científica que fundamentasse o seu benefício, tendo como justificação a prevenção de lacerações perineais severas, uma melhor preservação da função sexual posterior, uma redução da incidência de incontinência urinária e fecal e a protecção do recém nascido. Mas, na verdade, para muitos autores o seu uso rotineiro não é aconselhável e deve ser abandonado, sendo recomendada uma filosofia mais selectiva.
(...)
Isto levou a que, nos últimos 20 anos, múltiplos trabalhos tenham tentado definir melhor as indicações e sequelas associadas à episiotomia; a maioria conclui não haver suporte para acreditar que a sua prática generalizada diminua, por exemplo, o risco de lesão grave do períneo, melhore a sua cicatrização, previna a lesão fetal ou reduza o risco de incontinência urinária.
(...)
Quadro I - Complicações da episiotomia

- Infecção
- Hematoma
- Roturas do períneo grau III e IV
- Celulite
- Deiscência
- Abcesso
- Incontinência de gases
- Incontinência de fezes
- Fístula rectovaginal
- Lesão do nervo pudendo
- Fasceíte necrosante
- Morte

Os riscos associados são, entre outros, a extensão da lesão, hemorragia significativa, dor no pós-parto, edema, infecções, hematoma, dispareunia, fístulas rectovaginais e, embora raro, a endometriose da episiorrafia.
A relação da episiotomia e a perda de sangue tem sido amplamente analisada, chegando a existir um trabalho (…) que defende que a hemorragia durante um trabalho de parto vaginal com episiotomia é maior do que durante uma cesariana... Uma revisão (…) conclui que a episiotomia está associada a uma importante perda de sangue intraparto e hemorragia pós-parto, em especial na mediolateral, e que evitando-a pode ser uma das maneiras mais eficazes de diminuir a perda de sangue excessiva observada em alguns TP.

Outra controvérsia surge relativamente à ideia de que com a episiotomia a dor no pós-parto é menor, quando comparada com as roturas espontâneas. Para além de serem necessários mais trabalhos que nos elucidem neste ponto, os que estão publicados parecem revelar que, pelo contrário, após uma episiotomia (independentemente do tipo realizado), a dor intraparto é maior, tornando-se mais incómoda no pós-parto imediato, sem existir, contudo, evidência condicionar sequelas a longo prazo relacionadas com dispareunia e duração do retorno à vida sexual.
(...)
Conclusão

O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício. Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.

Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização. Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões. Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal. Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”

Estudo Completo no Site da Ordem dos Médicos

9 comentários:

ni disse...

Coisa desnecessária no parto da Íris e que me custou mais do que o trabalho de parto todo... aquela coisa dos pontos foi horrível...
:o(
A Carla ainda tentou demovê-los, mas eles não estiveram para esperar...
Beijinhos e abraços

Lyrae disse...

Episiotomy for vaginal birth

Authors' conclusions: Restrictive episiotomy policies appear to have a number of benefits compared to routine episiotomy policies. There is less posterior perineal trauma, less suturing and fewer complications, no difference for most pain measures and severe vaginal or perineal trauma, but there was an increased risk of anterior perineal trauma with restrictive episiotomy.

In: http://www.update-software.com/Abstracts/AB000081.htm

Polyana disse...

Li tudo , apesar de não ser da área médica, e aprendi muito com esta leitura. Tive uma filha e fui submetida á episiotomia há uma semana. Estou esperando os ''pontos caírem''. No momento estou com dificuldades para me sentar, mas est´melhorando. Gostaria de saber quanto tempo levará a recuperacão.

Anónimo disse...

a episiotomia é uma mutilição.
Deixa-nos marcas físicas mas tambem psiquicas.
fui mãe á 22 dias. os pontos infectaram; não fui observada como deve de ser; tive a antibiotico e fui cosida outra vez.
passei 10 dias no hospital. Ainda hoje me custa um pouquinho sentar.
Não tenho mais palavras...
é uma mutilação!

Luisa Condeço disse...

Espero que esteja melhor, agora. Muito gelo costuma ser um bom remédio para o corpo, mas para a alma só o tempo. Se precisar de conversar tem os nossos contactos no blog. Um abraço para si com desejos muito sinceros de recuperação e tranquilidade!
Luísa

sandra disse...

fui submetida a epsiotomia e os pontos abriram, os médicos que me avaliaram disseram que não se pode fazer nada, tem que deixar cicatrizar e agora o que e que se pode fazer pois não vai ficar sem secuelas pois tinha que juntar e costurar de novo o que se fazem nesses casos, por favor me ajudem estou sofrendo muito.
Sandra Flores

Anónimo disse...

TRAUMATIZADA E SEQUELADA É ASSIM QUE ME SINTO ..., QUEM INVENTOU ESSA FALSA SOLUÇÃO PARA O PARTO NORMAL NÃO SER TÃO AGRESSIVO,E PRESERVAR A VIDA SEXUAL DA MULHER, DEVERIA SER PRESO , POIS SE VC FOI SUBMETIDA A ESSE PROCEDIMENTO TENHA CERTEZA QUE VC NUNCA MAIS VAI SE SENTIR MULHER COMO ANTES, FICARÁ INSEGURA , INCAPAZ, COAGIDA COM SUA PROPRIA INFERIORIDADE COM O SEU PESSIMO DESEMPENHO SEXUAL .A EPISIOTOMIA TE DEIXA MUITO,MUITO FROUXA , ESSES MÉDICOS DEVERIAM SER TODOS PROCESSADOS AO FAZER TAL PROCEDIMENTO SEM NOSSA AUTORIZAÇÃO

Anónimo disse...

Senti vontade de arrebentar com os pontos logo após o parto, tamanha a dor e desconforto que senti...

Anónimo disse...

Estou tão triste... Não tenho palavras... Me cortaram... Agora meu corpo nunca mais será o mesmo... Ao que parece esta episiotomia é uma ditadura de mutilação em massa... Não consigo me resignar... Estão sendo meses de muita dor no corpo e na alma... Meu bb está sendo apenas um detalhe... E deveria ser o protagonista de minha vida neste momento... Mas não consigo... Simplesmente não consigo... Me mutilaram desta maneira... Só me apetece chorar...